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31/07/2013

RESENHA - Filhos do Éden - Livro 2: Anjos da Morte (Eduardo Spohr)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: SPOHR, Eduardo. Filhos do Éden – Livro 2: Anjos da Morte. Campinas, Verus Editora, 2013. 1º Edição, 586 páginas.
Gênero: Fantasia.
Temas: anjos, guerras do século XX, guerra civil entre os anjos.
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2013.
SérieFilhos do Éden - Livro 1: Herdeiros de Atlântida; Filhos do Éden - Livro 2: Anjos da Morte.


“Este livro é também um tributo ao soldado sem rosto, aos homens e mulheres que lutaram e morreram...
e nunca voltarão para casa.”
Filhos do Éden – Livro 2: Anjos da Morte. Página de agradecimentos.





                Segundo volume da trilogia Filhos do Éden escrita por Eduardo Spohr, a obra “Filhos do Éden – Livro 2: Anjos da Morte” dá continuação à saga iniciada no primeiro volume sob uma abordagem diferente. Nesta continuação, a história se foca em Denyel, personagem coadjuvante no primeiro livro que ganha status de protagonista no segundo. Retrocedendo no tempo para o início do século XX, o autor apresenta Denyel quando o querubim, sob o comando do malakim Sólon, o Primeiro dos Sete, ingressa no batalhão dos Anjos da Morte e assim toma parte nos maiores conflitos humanos do século. O objetivo dos malakins? Estudar as reações humanas frente suas próprias guerras, suas motivações e as consequências destas. A missão dos anjos da morte? Infiltrar-se entre os terrenos, se passando por soldados ordinários, homens comuns e sem nenhum atrativo especial, indo para as frentes de combate, empunhando armas de fogo (objetos considerados sem honra pelos querubins), lutando batalhas humanas e registrando os fatos e suas impressões pessoais em artefatos sagrados, quimeras confeccionadas pelos malakins simulando objetos comuns, como as plaquetas de identificação dos soldados (dog tags) por exemplo.
                A Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, a Guerra do Vietnã, a queda da União Soviética e do Muro de Berlim.  Este é o plano de fundo da jornada de Denyel. Mais que um contexto histórico, as guerras travadas pelo querubim vão moldando, paulatinamente, a personalidade do anjo renegado, construído uma personagem que, mesmo sendo um anjo guerreiro, moldado pelos instintos e características de sua casta e pela ausência de livre-arbítrio, presente oferecido por Deus apenas aos Homens, vai adquirindo características humanas, sofrendo de males humanos como a afeição, a saudade, a dúvida e o remorso. O contato com a morte estúpida e sem propósito de soldados que lutam para defender pátrias e ideais nem sempre nobres; e com o extermínio de inocentes pegos no meio dos confrontos vão dando o tom da transformação de Denyel. Nesses capítulos, a ação é constante e o drama do renegado e dos homens a sua volta é evidente, palpável. O autor descreve cenas de batalha onde a carnificina impera e também esmiúça com maestria a angustia da espera antes da batalha, a certeza da morte por aqueles jovens que se alistaram voluntariamente ou que, por um motivo ou outro, foram forçados a deixar suas casas para tirar vidas longe de seus lares. Dentre tantos episódios, vários atos de bravura e coragem também pontuam a narrativa. E Denyel, o anjo da morte, acompanha de perto o desenrolar da história ao redor do globo, lutando, se afeiçoando, reconhecendo o valor de seus companheiros terrenos, perdendo, sofrendo.
                Ao longo da narrativa, o autor seleciona várias músicas para ilustrar o contexto. Todas músicas em inglês, uma vez que estes relatos se passam em sua maior parte na Europa. Algumas estão presentes efetivamente na estória, outras são representações das ideias, sensações e emoções ali retratadas. Uma música porém não consta na play-list do livro, por ser brasileira, mas é impossível não ouvi-la tocando no cérebro ao acompanhar os relatos de guerra. A canção “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones” poderia se encaixar tão bem quanto todas as outras. E não apenas nos relatos do Vietnã, mas em todos os relatos de todas as batalhas.

“Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones,
Girava o mundo mas acabou fazendo a guerra no Vietnã.
Cabelos longos não usa mais, nem toca sua guitarra e sim
Um instrumento que sempre dá a mesma nota
Rá-tá-tá!

Não tem amigos, nem mais garotas,
Só gente morta caindo ao chão,
Ao seu país não voltará, pois está morto no Vietnã.

Stop com Rolling Stones!
Stop com Beatles’s songs!
No peito um coração não há,
Mas duas medalhas sim...”

Alerta de Spoiler, clique para ver!
              Paralelamente ao desenrolar da História de Denyel no passado, Spohr narra a missão de Kaira, Urakim e Ismael no presente. O trio de anjos está em missão na Terra em busca de Egnias, a última cidade atlântica perdida, onde supostamente há um braço do rio Oceanus. O objetivo do coro é resgatar Denyel que se sacrificou pelos companheiros no desfecho do primeiro livro e encontra-se agora perdido, boiando inconsciente nas águas do rio. Um contraponto interessante é traçado pelo autor: enquanto a narrativa vai tornando Denyel cada vez mais próximos dos humanos, o oposto ocorre com Kaira, que ao poucos, vai perdendo os últimos resquícios de sua ligação com a garota humana Rachel com quem dividiu a consciência no primeiro livro da série. A ishin, agora arconte e líder do grupo, vai despertando mais e mais seus dons angélicos e assumindo uma postura mais condizente com sua natureza celestial. O grupo percorre o mundo em busca de pistas da cidade perdida, passando por várias situações de perigo e de decisões importantes.
   Escolhas importantes também permeiam a trajetória de Denyel, cuja participação na guerra civil entre os partidários de Miguel e Gabriel se dá de uma maneira surpreendente. Aliás, a cisão no paraíso e o confronto entre os legalistas e os revoltosos, principal assunto abordado no início da trilogia, perde parte de sua importância nessa continuação, que se foca principalmente na construção do caráter psicológico do quarteto protagonista: Denyel de um lado; Kaira, Urakin e Ismael de outro. Cada qual se debatendo com a natureza de suas respectivas castas, com o dever e a responsabilidade perante seus superiores hierárquicos, e com seus credos e motivações que os levam a seguir uma ou outra facção na disputa celeste.
                Da obra de Eduardo Spohr, “Filhos do Éden – Livro 2: Anjos da Morte” é o livro mais mundano, mais realista. Não que a fantasia tenha sido deixada de lado. De maneira alguma. Ela está lá, presente na figura dos anjos; dos poucos demônios que tem participações pontuais, porém decisivas no enredo; nas criaturas místicas com as quais Denyel e também o trio liderado por Kaira se deparam ao longo da jornada; na presença de magia negra em algumas sociedades e organizações que tinham interesses em várias das guerras travadas ao longo do século. Mas o foco deste livro é mesmo os humanos, a Terra, a Haled. O texto, que intercala capítulos no passado, com foco no querubim Denyel, e capítulos no presente, descrevendo as atividades do trio de anjo, apresenta leitura dinâmica e prazerosa, mostrando-se mais maduro que os livros anteriores – Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida e A Batalha do Apocalipse – comprovando que, como qualquer outro profissional, também os escritores se beneficiam da experiência adquirida. Mas é preciso alertar para um fato importante: de um modo geral, a narrativa é linear, sem apresentar um ápice narrativo tampouco um desfecho contundente. Neste sentido, “Anjos da Morte” é exatamente o que é: o meio de uma trilogia e uma preparação mais no campo da psique do que da ação para um encerramento que, ao que tudo indica, será épico. É esperar para ver. E segurar a ansiedade.
                O autor desse tão esperado volume é o carioca Eduardo Spohr, um dos maiores representantes da literatura fantástica nacional. O sucesso de “Filhos do Éden – Livro 2: Anjos da Morte” somente confirma o incrível talento  deste escritor que conquistou os fãs ainda com sua primeira obra publicada, “A batalha do Apocalipse”, best seller em terras tupiniquis e já lançado em outros países. Nerd convicto, mestre e jogador de RPG, Spohr transporta para as estórias que cria várias referências da cultura pop e o dinamismo e as aventuras características do jogo de interpretação. Aliás, aventuras é seu ponto forte e a criação de seus personagens bebe na fonte da famosíssima jornada do herói, cujo assunto é também o tema das aulas que ministra na Faculdade Hélio Afonso do Rio de Janeiro.
                Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o mundo criado pelo autor, visite sua página.
                Acompanhe o blog do autor aqui.


      Bibliografia de Eduardo Spohr (ordem cronológica):
  • A batalha do Apocalipse - publicação independente pelo site Jovem Nerd (2007); Editora NerdBooks (2009); e Verus Editora (2010).
  • Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida - Verus Editora (2011).
  • Protocolo Bluehand: Alienígenas - Editora NerdBooks (2011).
  • Filhos do Éden: Livro 2 - Anjos da Morte - Verus Editora (2013).


Comentários
5 Comentários

5 comentários:

  1. Alexandra Peixoto31 de julho de 2013 12:55

    Nossa, muito bom! Mocinha, você escreve bem pra car..amba. Depois vocês me emprestam os livros? Hein? Sim? Puxa, obrigada...:P Beijinhos

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  2. Eu empresto os livros. São 3 que você tem de ler para ficar sabendo de toda a história. Preparada?
    E sim, ela escreve MUITOOOO *-*

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  3. Essa resenha tem spoilers? Não lembro se a Helkem falou que ia ter ou que não ia ter hehe

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  4. Tem um único Spoiler, mas já está devidamente escondido e avisado. \0

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