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31/08/2013

Lançamentos - Intrínseca


                     A Estante Intrínseca liberou há poucos minutos seus mais novos lançamentos para setembro/2013. E então leitores, já separaram dinheiro para as compras de setembro?

Na ilha, de Tracey Garvis Graves

Anna Emerson é uma professora de inglês de 30 anos desesperada por aventura. Cansada do inverno rigoroso de Chicago e de seu relacionamento que não evolui, ela agarra a oportunidade de passar o verão em uma ilha tropical dando aulas particulares para um adolescente.
T.J. Callahan não quer ir a lugar algum. Aos 16 anos e com um câncer em remissão, tudo o que ele quer é uma vida normal de novo. Mas seus pais insistem em que ele passe o verão nas Maldivas colocando em dia as aulas que perdeu na escola.
 Anna e T.J. embarcam rumo à casa de veraneio dos Callahan e, enquanto sobrevoam as 1.200 ilhas das Maldivas, o impensável acontece. O avião cai nas águas infestadas de tubarão do arquipélago. Eles conseguem chegar a uma praia, mas logo descobrem que estão presos em uma ilha desabitada.
 De início, tudo o que importa é sobreviver. Mas, à medida que os dias se tornam semanas, e então meses, Anna começa a se perguntar se seu maior desafio não será ter de conviver com um garoto que aos poucos torna-se homem.


10 bilhões, de Stephen Emmott

               A Terra é o lar de milhões de espécies, mas apenas uma domina — nós. Em 2011, de acordo com a ONU, a população humana mundial ultrapassou sete bilhões, e recentes projeções preveem que até o fim deste século ela terá passado de dez bilhões.               Stephen Emmott, consagrado cientista e professor da Universidade de Oxford, alerta para as terríveis consequências de uma população humana muito maior do que o mundo é capaz de sustentar e afirma: estamos vivendo uma emergência planetária sem precedentes.               É tarde demais para salvar o planeta? Emmott acredita que sim. Com a ajuda de gráficos esclarecedores, imagens impactantes e uma linguagem muito acessível, o autor avisa que chegamos a um ponto sem volta e que podemos ter comprometido de modo irreversível os recursos naturais e o clima do planeta. Como chegamos a isso? O que o futuro nos reserva?


Extraordinário, de R. J. Palacio


- Relançado com nova capa e novo preço

               Primeiro lugar da lista de best-sellers do The New York Times, eleito um dos melhores títulos YA de 2012 nos Estados Unidos, o premiado livro de estreia da americana R. J. Palacio traz à tona a luta contra o preconceito ao contar a história de August Pullman, um menino de 10 anos que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Prestes a frequentar a escola pela primeira vez, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.  Leia um trecho
Confira o Book trailer abaixo

O Olho do Mundo, de Robert Jordan
Série A Roda do Tempo (Vol. 1)


               Em um universo no qual trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno e, mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira.               Quando a vila é invadida por bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como também os apresenta àquela que será a maior de todas as suas jornadas: a desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que um dos jovens seja o profético Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.



Dias de sangue e estrela, de Laini Taylor
Série Feita de fumaça e osso (Vol. 2)

               Karou, uma estudante de artes plásticas e aprendiz de um monstro, por fim encontrou as respostas que sempre buscou. Agora sabe quem é — e o que é. Mas, com isso, também descobriu algo que, se fosse possível, ela faria de tudo para mudar: tempos atrás Karou se apaixonou pelo inimigo, que a traiu, e por sua culpa o mundo inteiro foi punido.               Na deslumbrante sequência de Feita de fumaça e osso, ela terá que decidir até onde está disposta a ir para vingar seu povo. Dias de sangue e estrelas mostra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra ancestral. Enquanto os quimeras, com a ajuda da garota de cabelo azul, criam um exército de monstros em uma terra distante e desértica, Akiva trava outro tipo de batalha: uma batalha por redenção… por esperança.

Como pegar a Joia do Dragão, de Cressida Cowell
Série Como treinar o seu dragão (Vol. 10)

               Na última vez em que se soube de Soluço, as coisas não estavam nada boas para o lado dele. A Rebelião dos Dragões havia começado. Malvado Melequento era o novo Chefe da Tribo dos Hooligans Cabeludos, Stoico fora banido e carregava na pele a Marca dos Escravos. Alvin, o Traiçoeiro, conseguira reunir oito das Nove Coisas Perdidas do Rei e se autoproclamara o Rei do Oeste Mais Selvagem.
               Mas o que Soluço poderá fazer, agora que está exilado e sozinho, sendo caçado tanto pelos humanos e quanto pelos dragões? Será que ele conseguirá encontrar a Joia do Dragão, última relíquia do Rei e única esperança de salvação da humanidade?


Confira também os lançamentos de agosto Clicando aqui!
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Parceria: Curiosidades sobre Viviane Machado


Olá, leitores!

Para a segunda parte de nossa entrevista, reservamos as perguntas a repeito da vida da nossa querida Chefa. 

Academia: Para começar, aquela pergunta clássica: de onde surgiu seu gosto pela literatura e desenho? Você já desenhava vampiros no “prezinho”?
Viviane: Bom, não sei explicar como surgiu,  mas desde pequena tinha um desejo enorme por livros. Quando comecei a ler, eu catava tudo o que encontrava pra ler, qualquer coisa. Comecei com quadrinhos, contos de fadas...se bobear até bula de remédio, haha! XD Não, eu tinha muito medo de vampiros no prezinho!!! 

Academia: Como surgiu o apelido “Chefa”?  Você comanda alguma organização? Todo “Chefe” tem seus subordinados, quem são os seus?
Viviane: LOL. Não, é que eu coordenava um grupo de teatro cosplay chamado Final Fanta. Como eu tinha que ser firme (até ameaçar depilar membros do grupo com cera fria) um deles me chamou de chefa e o apelido pegou. Depois já estava todo mundo que eu conheço – e não conheço - me chamando de chefa. Resolvi colocar na história da Caçadora, então! rs


Academia: Qual o significado e importância do RPG (Role-playing game) na vida e carreira?
Viviane: Sempre amei criar histórias ou viver aventuras, não só nos livros. Gosto de todo tipo de RPG – cartas, tabuleiros, consoles, livros-jogo, mas agora fiquei apenas nos livros-jogo e nos consoles. Vivi muitas aventuras e me arrisco a fazer cosplays dos personagens sempre que posso. É uma fuga da realidade! =)


Academia: Mãe, mulher, ilustradora, professora, cosplayer, cosmaker, quadrinista, gamer, RPGista, blogueira e escritora (esquecemos algum?!?), seu dia tem mais de 24 horas? Qual a bruxaria que você usa? Onde você arruma tempo para tudo isso? 
Viviane: Desculpe, se te contar, vou ter que te matar... 
Bem, digamos que tudo é uma questão de saber priorizar o tempo... ;) Afinal, também tenho que arrumar a casa! XD (Academia: Sabia que estávamos esquecendo alguma coisa) Tenho uma agenda que diz o que devo fazer cada dia e divido cada coisa em etapas! Mas sou uma pessoa bem ansiosa e às vezes acabo priorizando algumas coisas em detrimento à outras e acabo levando tempo pra terminar tudo. (Academia: ainda acho que é bruxaria).


Academia: Cosplay, literatura e ilustração. Qual chegou primeiro na sua vida profissional?
Viviane: Na vida profissional, primeiro foi ilustração. Depois literatura e finalmente cosplays. Mas na minha vida em si, literatura sempre esteve em primeiro, depois ilustração e por último cosplays! ^^

Academia: Como leitora você tem algum livro de cabeceira? Aquele livro preferido? Porque ele?
Viviane: Tenho alguns livros preferidos sim, e muitas séries preferidas, mas o meu livro de cabeceira e sempre preferido vai ser Bíblia. Algumas vezes na minha vida é tudo de que preciso. J

Academia: Sabemos que muitos escritores possuem formação em áreas as mais diversas. Qual a sua formação? Ela contribui em algo para as suas histórias?
Viviane: Sou artista plástica, mas a única coisa que me influencia mesmo são nas ilustrações ou materiais de uso. Como sempre amei ler e minha melhor matéria foi redação – meu professor dizia que era horrível ter sempre que me dar 10, hehee! XD – acredito que isso me influenciou demais.

Academia: Ficamos sabendo sobre o Codex de Ouro. Pode nos contar mais sobre isso?
Viviane: Eu mesma não acreditei...achei que estavam brincando comigo. Achei que alguém poderia ter se enganado..rs Recebi primeiro os cumprimentos no Facebook para depois descobrir que era realmente verdade. Estou extremamente feliz por ter sido indicada. (Academia: Lembrando que ela foi indicada na categoria Juvenil. Acesse aqui para saber mais).

Academia: Para finalizar: alguma dica para quem quer começar a levar o desenho/escrita como profissão?
Viviane: Bom, se é o que gosta, não fique só nisso, ou seja, não dependa só disso por enquanto. Vi pessoas que largaram o emprego para se dedicarem, e pode ser uma coisa preocupante. É um tiro no escuro, e com persistência e dedicação você chega lá, mas cuidado para não fazer disso sua única meta. Estude muito: novas técnicas, novas modalidades de escrita, leia infinitamente! Sempre temos o que melhorar. E não aceite um não como resposta! ^^

É isso pessoal! 

Gostaríamos de agradecer a paciência e a colaboração de nossa querida parceira Viviane Machado. Desejamos toda sorte do mundo em sua jornada literária. Obrigado aos leitores que acompanharam a divulgação de nossa parceira. Sem vocês, nada disso estaria acontecendo. Aguardem por mais parcerias!

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30/08/2013

CONTO - A Última Batalha



Título: A Última Batalha
Classificação: +16
Gênero: Ação.
Sinopse: Em uma época onde humanos eram tratados como animais, onde os sádicos romanos clamavam por carnificina e derramamento de sangue. Gladiadores eram treinados para servir de diversão para seus Dominus, nem todos estavam satisfeitos com aquela realidade e alguns se revoltavam. 


A Última Batalha



Como gladiador, nasci para trazer gloria ao meu ludus, gloria embebida com o sangue derramado na magnifica Arena.
Como escravo, nasci para servir meus senhores sem questionar, como se fossem os próprios deuses caminhando sobre a terra.
            Como homem, nasci para ser livre.

            Para os romanos a vida de um escravo não tem valor, somos vendidos e trocados como se nada fossemos, vivemos para servi-los e exalta-los, eles são nossos donos e para eles, somos corpos sem alma.
            Nunca me conformei com essa vida miserável que fui obrigado a levar. Capturado como um selvagem e condenado a servir os malditos romanos como se Júpiter tivesse ordenado e depois vendido como um porco ao abate. Assim eu me tornei um Gladiador.
            Por anos fui treinado para ser um assassino cruel e sanguinário, nada sobrevivia a minha espada, quando se é um Gladiador não se tem escolha, é matar ou morrer.
            Por anos vi meus irmãos morrerem na maldita Arena, alguns inclusive por minhas mãos, para os romanos não basta ver um espetáculo de sangue entre desconhecidos eles gostam de botar irmão contra irmão.
            A Arena é onde, pelo sangue, consegui a tão sonhada glória, sobre o sangue e a areia, e as custas de muitas vidas, vim a me tornar um campeão respeitado. Quando entro a Arena se inflama, romanos das mais diversas idades e classes gritando meu nome, me aclamando como um deus.  Por muito fui aclamado e exaltado por matar meus irmãos, isso não vai mais acontecer.
           

            - Você perdeu a cabeça! – explodiu Barus.
            Permaneci sentado sem alterar minha expressão enquanto encarava meu irmão. Ele me olhava furioso e ao mesmo tempo receoso. Barus desviou o olhar e respirou fundo. Suas cicatrizes de batalha e a marca forjada a fogo em seu braço ficaram visíveis quando ele apoiou seu cotovelo sobre o joelho. Era aquela marca que nos tornava irmãos, irmãos de sangue, assim como todos os outros gladiadores que viviam naquele lugar miserável. O gladiador parecia estar escolhendo as palavras, por vezes abria a boca como se fosse falar algo e antes que suas palavras saíssem ele a fechava e novamente desviava o olhar.
           - Você é louco, Draco, sempre foi. – Ele disse por fim. – E fará isso baseado em que? Em um boato que um dos escravos te contou? Você não pode fazer isso, você é o campeão da Casa Sarpedon, não pode simplesmente deixar isso de lado.
- Campeão? Barus, sou apenas um carrasco, um assassino. – o encarei novamente. – Não quero mais ser responsável pela morte de nenhum irmão, e aqueles malditos romanos clamam por isso! Você sabe que esse pode não ser um boato, só vamos descobrir nossos adversários amanhã na Arena.
- Que venham nossos adversários. Vamos manda-los para o Hades, assim como sempre fizemos. Vamos trazer glória e louros para dentro dessas paredes e ao final do dia seremos brindados com vinho.
- Sabe que as coisas não serão assim. – eu me segurava para não explodir.
Nunca entendi esse sentimento que alguns gladiadores alimentam, é como se não se importassem com o que está realmente acontecendo, como não se importassem de ser tratados como animais. Eles tem sede de sangue, assim como os romanos, eles querem glória e fazem tudo para estar sempre no centro da Arena, ouvindo o público gritar seus nomes e pedir por sangue e morte.
- Draco, as coisas serão assim. Nós vamos vencer, como sempre fazemos. – Barus estava irritado. – Em alguns anos poderemos comprar nossa liberdade e não seremos mais escravos. Juntos e gloriosos, como irmãos, sairemos desse lugar, nossos nomes serão eternos e seremos referencias para todos os novos gladiadores que chegarem. Seremos lendas. Deixe de ser idiota, você irá entrar naquela Arena amanhã e irá matar quem quer que esteja a sua frente, Roma irá gritar seu nome e mais uma vez o Campeão sairá invicto. Não é porque uma escrava alega que iremos nos enfrentar que você deve desistir. Esqueça isso, é mentira. Nos prometeram que nunca mais enfrentaríamos nossos irmãos.
- A promessa de um romano... É a isso que você se prende? A palavra de um romano vale menos que nada, achei que você já tivesse entendido isso há muito tempo. – me levantei e sai sem olhar para trás.

A Arena estava, mais uma vez, em chamas. Os romanos estavam em extrema euforia, eles tinham sede de sangue e não queriam mais esperar para matá-la.  Meu pensamento estava focado no que eu tinha de fazer, pouco me importava as consequências daquilo. Eu sabia o que me aguardava, sempre esperei que esse dia chegasse.

Por trás das enormes grades eu assistia, um após outro, gladiadores caírem e se elevarem. Assistia meus irmãos conquistando vitórias mas também assistia a queda de outros. O cenário era sempre o mesmo e só mudavam os personagens. Não sei quantas milhares de vezes estive aqui, presenciando de perto essas lutas ou quantos amigos já perdi, mesmo após tantos anos eu nunca consegui me acostumar a esse jogo sádico. O ódio foi crescendo a cada nova luta assistida. No início me perguntava como podiam os deuses permitir algo assim, com o passar do tempo passei a compreender que isso era para eles, assim como para os romanos, uma diversão.

As areias da Arena, que um dia foram claras e limpas, já estavam há muito manchadas de vermelho e, novamente, se viam encharcadas com o sangue de inúmeros gladiadores que tiveram suas vidas ceifadas para a diversão dos romanos.
A luta principal, a minha luta, se aproximava a cada homem abatido. Eles tinham uma surpresa para o público, eu sabia qual era, e preparei uma muito maior para eles.

- Povo de Roma! – a voz de um homem vestindo uma túnica branca se fez ouvir, ele estava à frente do camarote principal, onde só os mais ricos e influentes podiam ficar.
A multidão se aquietou e olhou atenta para o homem alto que falava.
- Por muito tempo vocês elevaram vários campeões, clamaram por vários nomes e hoje... – o romano fez uma pausa dramática. – hoje vocês irão descobrir qual é o verdadeiro campeão. Qual desses Gladiadores é o verdadeiro Titã da Arena. – ele deu uma ênfase precisa nessas três últimas palavras.
A plateia entrou novamente em euforia, seus gritos e assovios eram ensurdecedores.
Barus me encarou com tristeza e veio até mim. Ele estava pálido.
- Continuo achando que você está louco. – ele me olhava. – mas estou com você nessa.
- No dia de hoje vocês verão a luta do século! Dez campeões lutarão entre si sob essas areias, somente um sairá vitorioso. – Os gritos da multidão serviam de incentivo para que o homem continuasse a falar cada vez com mais entusiasmo. – Irmão contra irmão, amigo contra amigo, inimigo contra inimigo. É isso o que verão hoje.
- O que tem em mente? – Barus falava enquanto encarava o homem.
- Não estaremos sozinhos na arena. Os guardas irão entrar conosco e se colocar ao redor da luta com lanças. – eu repassava o que me haviam contado.
- Certo, e depois? – ele agora me olhava.
- Atacamos – voltei meus olhos para o centro da arena - e torcemos para que os outros façam o mesmo.   

Fomos anunciados e exaltados como sempre acontecia. A multidão gritava nossos nomes, cada um gritava por seu favorito e por fim não se entendia mais o que os romanos gritavam, eram apenas barulhos estranhos que não podíamos entender. Entramos na arena e seguimos para o centro. Muitas lutas já haviam acontecido naquele lugar e muito sangue havia sido derramado, onde antes havia areia vermelha agora nos afundávamos em alguns centímetros de lama, areia misturada ao sangue fresco daqueles que haviam travado sua última luta naquele dia.
Barus estava ao meu lado. Olhávamos nossos oponentes, alguns rostos familiares, conhecidos de batalhas passadas ou então aqueles que haviam sido vendidos de nosso ludus, antigos irmãos. Segurava minhas espadas com força enquanto olhava meus oponentes e os guardas que nos ceravam, tal como a escrava me havia contado.
Estávamos posicionados em um círculo quase perfeito, quando a luta fosse autorizada a carnificina começaria, um novo banho de sangue faria com que a lama aumentasse e a multidão se alegrasse.
- Comecem. – o homem gritou com entusiasmo.

Essa foi a deixa para que todos começassem a se atacar. Todos foram em direção ao centro do círculo para se enfrentarem e era com isso que eu contava. Barus e eu fomos na direção contrária, atacamos os guardas que estavam mais próximos de nós, eles não esperavam por isso.
Acertei no alvo, passei minha espada pela jugular do guarda que caiu no chão se esvaindo em sangue. As areias da Arena manchadas com sangue romano, isso chegava a ser um tanto irônico. Os outros guardas logo perceberam o ataque, mas não antes que eu acertasse um segundo guarda. Quando os guardas saíram de suas posições para acabar com o caos os outros gladiadores perceberam o que estava acontecendo e vieram se juntar a nós.
Alguns gladiadores sonham com a arena, sonham com a glória que aquelas areias proporcionam. Eles sentem prazer ao ouvir seus nomes aclamados pela multidão. Sentimentos esses que sempre me foram estranhos e repulsivos, era um sentimento que eu jamais compartilharia com meus irmãos mas se tinha um sentimento que todo e qualquer gladiador ou escravo sempre alimentou foi o ódio pelo povo romano, o sonho de um dia poder se vingar de tudo o que sofreram nas mãos daqueles assassinos e por isso, não pensaram duas vezes antes de cravar suas espadas no crânio daqueles guardas nojentos.
Os guardas lutavam melhor do que pensei, deram mais trabalho do que achei que dariam... Eles eram bons, mas não eram gladiadores, não conseguiriam nos vencer.
Minhas espadas já haviam sentido muitas vezes o gosto de sangue mas nunca nenhum foi tão saboroso quanto o que sentiam agora. Sangue romano, com sabor de vingança.
Os guardas jaziam no chão cobertos de areia e sangue. Parei encarando o camarote principal, onde os poderosos romanos assistiam aquela cena sem acreditar no que viam. Eu não tinha muito tempo, mais guardas chegariam.
Retirei duas lanças do peito de um guarda que ainda agonizava e as segurei com força ainda encarando os rostos assustados do camarote.
- Sangue exige sangue. – eu pronunciava as palavras com ódio. – Eu nunca pedi para estar aqui, matando meus semelhantes. Vocês, romanos, nos tratam como selvagens e não enxergam que a irracionalidade está em vocês. Vocês são os verdadeiros selvagens, clamando por sangue.
Os guardas chegaram, mas o homem que anunciava os jogos fez sinal para que esperassem. Os gladiadores restantes mantinham suas espadas e lanças apontadas para eles enquanto eu falava.
- Por muitos anos vi meus irmãos caírem enquanto todos encaravam isso como um esporte, uma diversão. Não vou mais aceitar isso. As areias dessa arena estão manchadas com um novo tipo de sangue, sangue romano, para que sempre se lembrem desse dia.
- Já chega, escravo. – o homem gritou do camarote.
- Draco, pare com isso, eu ordeno. – Dominus gritou se levantando e vindo à frente do camarote.  
- Dominus. – eu disse com desdém – não havia visto o senhor. – eu o encarei com ódio. – A vida de vocês, pertence somente a vocês! – eu agora me dirigia aos escravos e gladiadores que me olhavam atentos. – Vocês merecem a liberdade, e nunca encontrarão isso se continuarem se curvando para aquele que se denomina seu ‘Dominus’.
Voltei a encara-lo.
- Pare com isso agora. – Dominus berrou enfurecido.
- Como queira, meu senhor. – apontei uma das lanças para ele e lancei.
Seu olho esquerdo foi perfurado com exatidão, ele caiu pra frente e o cabo da lança o sustentou enquanto seu crânio deslizava lentamente em direção ao chão. Seu sangue escorrendo e manchando o chão do camarote.
A segunda lança também não errou seu alvo, o coração do homem que anunciava os jogos foi atingido e ele despencou de cima do camarote em direção as areias manchadas.
Olhei a cena e sorri e enquanto saboreava a vingança uma dor aguda me atingiu por trás, ao olhar pra baixo me deparei com a ponta da espada que havia me atravessado, o sorriso não saiu do meu rosto. Cai de joelhos, ainda sorrindo enquanto o caos aumentava ao meu redor. Outra lamina me atingiu, dessa vez no ombro, e eu cai ali, no centro da Arena.
Eu sempre soube onde seria meu fim mas ele não vai ser da maneira como todos esperavam.

Um escravo nunca ganha sua liberdade. Aquele que nasce para ser um escravo está condenado a viver uma vida de miséria eterna.
Todo homem nasceu para ser livre, poder escolher seus caminhos, mas isso nunca é respeitado e aquele que nasce escravo vai morrer como escravo, e na morte finalmente encontrar sua tão almejada liberdade.
Um gladiador não teme a morte, ele a abraça.
Uma morte honrosa e a promessa de finalmente ser livre é o que sempre esperei.
Com minhas últimas ações posso ter mudado alguma coisa, posso não ter mudado nada, mas abraçarei a morte com a certeza de que fiz o que deveria ter feito, não me calei diante a opressão e vinguei aqueles que o fizeram. 




Autora: Jéssyca Alves. 

Idade: 19 anos 

Localidade: Brasília

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ENTREVISTA: Viviane Machado


Bom dia, leitores! E chegou o dia finalmente! Nossa entrevista com a Parceira da Academia Viviane Machado! Confiram a divertida entrevista que fizemos:


Academia: Sabemos que escritores em início de carreira passam por maus bocados. Quando você era iniciante, qual foi o “fora” mais perturbador que você recebeu de uma editora? Teve alguma consequência boa ou ruim?
Viviane: Hum, o fora mais perturbador...foi quando uma editora famosa quis publicar o livro Steph, a superhiperativa. Já estava tudo combinado, ele ia ser lançado nas escolas - um dos meus sonhos – e trabalhamos no livro por cerca de dois anos. Depois disso, recebi um email da editora dizendo que a linha de publicação havia mudado e já não estavam mais interessados. Isso doeu demais...tanto tempo de dedicação pra nada... L

Academia: E quando veio o primeiro sim? Como foi?
Viviane: Eu achei que era trote! Kkkkkkk Conforme a editora foi falando, comecei a ver que era sério...quase engasguei! Acho que tremi..rsrs

Academia: O que é mais difícil ao escrever um livro para você? Personagens... enredo... história... cenários?
Viviane: Começar! Hahaha! Todo mundo sabe o bloqueio que é pegar uma página em branco e pensar: aqui vai começar a história e tem que ser de um jeito que prenda o leitor...aiai! Cenários também é uma coisa muito tensa pra mim. Não gosto muito de descrição, no máximo em relação aos personagens, mas ainda assim às vezes tem que ser feito e não sei se descrevo bem.

Academia: Qual a inspiração para os seus personagens? Uma pessoa... algum outro personagem fictício... transpiração divina?
Viviane: Não sei dizer. Tiro inspiração de tudo. Das situações, das pessoas, dos lugares, dos jogos...é difícil saber exatamente como esse ou aquele personagem surgiu, mas acho que alguns tenho que agradecer meus amigos por isso! J

Academia: De um modo geral, quais são suas referências e suas fontes de inspiração?
Viviane: Livros, jogos, sonhos, piadas...rsrs


Academia: Livro escrito e publicado. Outros vêm em seguida. Anos depois você está relendo sua obra. Já teve vontade de mudar alguma coisa, algum desfecho, alguma batalha? 
Viviane: Minhas frases: “Eu não acredito que escrevi isso.” Olha, até que não ficou tão ruim. Será que sou ruim agora? Nem parece que fui eu que escrevi.” “Ai, que mico...eu disse isso mesmo?” “Que piada tosca. Será que alguém riu?” “Ele disse o quê? Kkkkkkkkkkkkkk!!”
Eu não tenho vontade de mudar nada. O que escrevi, está escrito. Às vezes a editora pede pra explicar melhor alguma parte e eu reescrevo, mas mudar mesmo me deixa louca da vida. 

Academia: O seu livro “Cavaleiros do RPG” foi renomeado como “Quem precisa de heróis”. Porque a mudança?
Viviane: Porque as pessoas que não conhecem RPG se assustam e acham que não vão entender. E já tive até que escutar: “É um livro sobre cavaleiros com problemas de coluna?”


Academia: A pegada de suas histórias puxa pelo cômico, isso todo mundo que deu uma espiada em seu trabalho já notou. Como funciona esse processo? Você é uma piadista nata? Alguém conta uma piada perto de você e você reproduz? Ou ainda, você é o alvo das piadas?
Viviane: Todas as respostas acima..heuehue. Muitas delas brotam do nada, eu acabo rindo sozinha e transcrevo. Às vezes algum amigo meu fala uma tremenda besteira e também transcrevo. Quando eu copio alguma piada de algum filme ou desenho, eu cito a fonte (mesmo que através de algum outro personagem). Antigamente eu era alvo de piadas, mas hoje em dia é só alguém me soltar uma piadinha que recebe uma resposta na hora. ¬¬  (Academia: anotação feita) 

Academia: Há poucos meses, aconteceu simultaneamente em todo o Brasil a Semana Nacional do Livro. Quais os resultados que o evento obteve em sua opinião de autora brasileira? O que você acha que pode ser melhorado na próxima edição do evento?
Viviane: Acho que foi um momento importantíssimo na nossa cultura. É muito difícil ver pessoas valorizando a literatura nacional. O pior é que nas pesquisas é mostrado que brasileiros leem pouco. Isso tudo foi uma grata surpresa e foi maravilhoso! O que pode ser melhorado: Podia ter um tempo muito maior! =)       

Academia: Literatura nacional. Qual a sua percepção sobre: trabalho dos autores, receptividade das editoras e a aceitação do público?
Viviane: Acho que a perspectiva vem mudando. Já existem autores nacionais que conquistaram seu espaço, pessoas que ajudam a divulgar e dão valor aos trabalhos e algumas editoras acordando pra ver que não é só trabalho bom que vem de fora. Muitos dos trabalhos aqui do Brasil são até melhores, só precisam de divulgação! =)

Academia: Qual autor você indicaria para ser nosso “Parceiro da Academia”?
Viviane: Hum...Camila Dornas, Karen Soarele...tem um monte na verdade! 

Academia: Projetos futuros? Pode falar, só vamos contar para... TODO MUNDO!
Viviane: Aah, projetos?? Tenho sim...muitos! Ainda bem que você não quer saber quais são..hehehe
Enfim...vamos dizer que há uma revista em quadrinhos vindo...;D (só fez foi deixar o povo mais curioso rs)


Bom pessoal, espero que tenham gostado da nossa entrevista. Mas se pensam que paramos por ai, estão enganados! Aguardem por mais curiosidades da nossa Autora Destaque.


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29/08/2013

CONTO - A última missão


Título: A última missão
Classificação: +16
Gênero: Terror.
Sinopse: Jerusalém ainda estava sob poder dos muçulmanos. Os cruzados, liderados por Ricardo coração de leão, continuavam sua ofensiva a cidade sagrada afim de tomá-la de volta. Porém, havia quem estivesse cansado dessas batalhas. O protagonista vê a chance de ser dispensado da guerra ao ser convocado pelo próprio Papa para cumprir uma missão importante, mas em seu caminho para a liberdade ele terá de enfrentar desafios piores que qualquer armada inimiga.


A última missão


                Cavalgamos por quase dois dias ininterruptos pelas estradas ao sul da terra sagrada. Eram tempos difíceis aqueles. Os muçulmanos ainda controlavam Jerusalém e a guerra da Terceira Cruzada parecia não ter fim. Nós, cruzados, havíamos recebido a sagrada missão de recuperar Jerusalém. Até o momento estávamos indo bem em nossa campanha. Poucos dias antes conquistamos a cidade de Acre, que fica a apenas trinta milhas da cidade santa. Pela primeira vez em muitos anos consigo ver o fim dessa loucura. Tudo o que eu quero é voltar para os braços da minha amada e de meu filho. Por nossos serviços, recebemos permissão Papal para retornar às nossas casas a fim de sermos chamados apenas em caso de extrema urgência. Porém, antes, tínhamos de realizar uma última missão.
                - Santo Padre, realizaremos a missão como o senhor ordena – eu garanti e beijei o anel de ouro de Sua Santidade.
                - Por favor, tragam-no são e salvo. Há com ele informações preciosas sobre o paradeiro de relíquias sagradas que foram tomadas de nós – pediu o Papa Gregório VIII. – Vão, cavaleiros, e que Deus guie seus caminhos – desenhou o sinal da cruz no ar e nos dispensou.
                Então aqui estamos, procurando Gregor, primo de Sua Santidade. Era para ser apenas uma missão de reconhecimento e escolta, então viajamos somente com o que era estritamente necessário para a jornada. Quanto menos peso, mais rápido chegaríamos a nosso destino. Essa era a visão de Sua Santidade, da qual não compartilhei. Mas ordens são ordens. A contragosto, pedi que meus homens não vestissem a armadura, apenas levassem espada, algumas rações e nossa vestimenta que nos identificava como templários.
O homem que íamos buscar vinha acompanhado de uma caravana escoltada por seis cavaleiros e oito serviçais. Depois de muito seguir os rastros na densa e traiçoeira trilha por mais um dia, finalmente encontramos a caravana. Ou o que havia sobrado dela. Comigo estavam mais quatro cavaleiros da ordem dos templários. Com um sinal dei a ordem para que parassem. Descemos e prendemos nossas montarias nos troncos das árvores e fomos averiguar o que havia ocorrido.
                - Eles acamparam aqui – anunciou Delos, nosso rastreador.
                - Foram atacados? – perguntei. A carroça usada para transportar o homem estava tombada de lado. Nem sinal dos cavalos que a levavam. Malas e pertences foram deixados no local. Revirei rapidamente uma mochila e achei uma pequena sacola que continha várias moedas de ouro.
                - Foram – respondeu. – Há vários sinais de que um combate aconteceu aqui.
                - Então por que não levaram isso? – perguntei sacudindo o saquinho. As moedas tilintaram lá dentro.
                - Pressa talvez.
                Os outros cavaleiros fizeram um perímetro ao redor do local. Todos a postos a qualquer sinal de perigo. Delos circulou o acampamento e examinou tudo meticulosamente. Havia muitas pegadas no chão, de modo que quem quer que tenha feito aquilo deixara rastros evidentes para que pudéssemos persegui-lo.
                - Talvez sejam ladrões de estrada – ele disse ainda circulando o local. – Difícil precisar um número, mas deviam ser mais de dez. Vieram do norte.
                - E dos integrantes da caravana? – já sabíamos que houve um combate aqui, então deveria haver feridos ou mortos e não estávamos vendo nenhum dos dois.
- Como não há nenhum corpo, o mais provável é que tenham sido levados – ele dá a volta na carroça e fica por lá alguns instantes. Aquele era o único local que não era visível para nós. – Tem um corpo aqui! – ele disse e eu fui imediatamente averiguar.
                 - Deus do céu! – fiz o sinal da cruz quando vi o cadáver.
                Creio que era um homem. Digo isso porque o cadáver está praticamente irreconhecível. Seja lá o que fez isso com o pobre, não deixou muita coisa para contar história. O tórax foi aberto de ponta a ponta e boa parte de seus órgãos internos havia sido retirada. O rosto estava deformado, parecia ter sido desfigurado a dentadas. Uma matilha poderia explicar a cena grotesca que eu presenciava. O rastro de sangue seco seguia para o leste.
                - Muito bem, homens, vamos atrás dos responsáveis por isso – dei a ordem. Estávamos para montar em nossos cavalos quando ouvimos barulhos de passos, seguidos de gemidos que arrepiaram minha alma.
                O som vinha de todas as direções. Espadas foram desembainhadas e posicionadas para o combate. Ficamos em círculo para cobrir todas as direções. Foi então que o sacerdote Gregor surgiu do meio das árvores. Porém, havia algo errado. Suas vestes estavam empapadas de sangue seco, havia uma marca de mordida enorme em seu pescoço. Eu me lembrava perfeitamente de seus olhos verdes, mas o que eu via agora eram duas órbitas leitosas desprovidas de qualquer coloração olhando fixamente para mim. Ele balbuciava algo incoerente ou estava apenas grunhindo de dor devido ao ferimento, poderia até estar se engasgando no próprio sangue. Depois de alguns passos cambaleantes até nós, ele tropeçou em uma mala cheia de objetos cerimoniais e caiu desengonçado no chão. Doravan, o médico de nosso grupo, foi rapidamente até ele. Os outros mantinham espadas erguidas, pois os gemidos não haviam cessado. Vi quando meu companheiro tomou o sacerdote nos braços e rapidamente analisou sua ferida. Ele perguntou se o sacerdote podia entendê-lo, apanhou um kit de primeiros socorros de sua bolsa e logo em seguida soltou um grito animalesco que assustou a todos nós. O sacerdote havia mordido a jugular de Doravan com tanta violência que arrancou um naco enorme fora. Samuel e Luan foram ao seu auxílio. Samuel arrastou Doravan para longe do sacerdote, enquanto Luan imobilizava no chão o sacerdote que a todo momento esperneava, grunhia e tentava bater para escapar.
                - Santo Deus! Doravan está sangrando um riacho! – Samuel apanhou um pedaço de pano de uma mala próxima e pressionou o ferimento. Em segundos ela estava completamente vermelha.
                - O que há com esse desgraçado? – indagou Luan ainda segurando o corpo do sacerdote contra o chão.
                - Não estamos sozinhos... – a voz de Delos vinha carregada de terror.
                Só então olhei ao redor.
                Vinte, talvez mais pessoas caminhavam a passos descompassados em nossa direção. Eles vinham de todos os lados. Homens, mulheres, velhos e crianças. Todos com braços levantados e bocas semiabertas. Eram eles que grunhiam alguns instantes atrás. Deus! O que em nome do Pai aconteceu a essas pessoas? Todas tinham feridas em alguma parte do corpo em maior ou menor grau. Uma garotinha estava com o braço direito amputado. Um velho não tinha uma das pernas, arrastava-se pesadamente contra nós. Com assombro vi que alguns deles eram templários. Um deles tinha uma enorme lança cravada no peito e mesmo assim caminhava.
                - Em nome de nosso Santo Papa, parem onde estão! – eu ordenei com a espada em punho.
                Eles não pararam.
                - Doravan se foi, senhor – anunciou Samuel. – Sacerdote maldito!
                - Pare, Samuel! – meu comando não surtiu efeito algum contra a cólera de meu amigo. Samuel brandiu sua espada acima da altura de sua cabeça e avançou contra o sacerdote Gregor.
Luan saiu do caminho no momento em que a arma desceu contra as costas do sacerdote. A lâmina trespassou o corpo dele e cravou-se no chão, mas para espanto de todos, ele não parou de se mexer, não parou de tentar se levantar. Luan desembainhou sua espada e com um golpe em riste perfurou o peito de um homem.
  Aquele golpe teria levado ao chão o mais poderoso dos guerreiros.
                No entanto, o homem não apenas ignorou o ferimento, como enterrou a lâmina ainda mais em seu corpo. Estupefato, Luan deixou a lâmina correr até ficar cara a cara com o homem que, sem perder um segundo sequer, agarrou firme sua cabeça e desferiu uma mordida na altura do nariz. Ele rugiu de dor e tentou de todas as formas se livrar da pegada, ambos indo para o chão em seguida. O homem continuava a mordê-lo como um lobo faminto, arrancando pedaços de sua face. Samuel enfrentava cinco daqueles monstros inumanos. Cada golpe que desferia arrancava um membro, mas apenas retardava o avanço das criaturas. Que loucura! Esses golpes teriam incapacitado qualquer pessoa normal. Delos foi cercado por uma turba de mais de dez e caiu no chão, gritando de dor. Seu estômago foi aberto com mãos nuas, às tripas indo ao encontro de bocas famintas. A voracidade daquelas coisas era impressionante. Eles não se intimidavam com nada! Em nome de Deus, aquelas coisas do inferno precisavam ser destruídas!
 Com minha espada em punho, fui fazer o que eu sabia fazer melhor: matar. O primeiro teve a cabeça separada do corpo ao se aproximar de minha linha de ataque. O segundo recebeu minha lâmina no estômago. O ataque horizontal abriu um talo enorme, jogando intestino, fígado, sangue e tudo o mais que tinha dentro daquele homem para fora, mas ele não parou de andar até mim, nem mesmo diminuiu o ritmo. O segundo golpe foi de cima para baixo no topo de sua cabeça. Ele não tornou a se mexer depois disso.
                - Vocês são templários! O que estão fazendo, seus idiotas!? – dizia Samuel afastando com chutes seus antigos companheiros. Ele não queria matá-los e eu também não. Eles eram cruzados! Eles eram servos de Deus. Estariam todos eles possuídos pelas forças de Lúcifer?
                A batalha estava difícil. Não só éramos dois contra mais de vinte, como eles simplesmente não caíam com nossos ataques... Exceto os dois que eu acabara de matar. Ao pensar nisso, esquivei-me da investida de mais um e com um movimento em arco separei o corpo da cabeça. Estava certo. Não entendia por que, mas apenas separando a cabeça dos corpos éramos capazes de pará-los.
                - A cabeça! Arranque a cabeça desses malditos, Samuel! – gritei para ele, mas era tarde. Ele foi cercado, dominado e executado.
                Estava sozinho.
             Depois que descobri que apenas um golpe certeiro que separasse a cabeça do corpo era capaz de enviá-los para os círculos mais obscuros do inferno, recuei com o propósito atraí-los para o meio das árvores. Observei que eles pareciam não ter consciência de quem foram ou do que estavam fazendo, suas ações motoras eram tão precárias que muitos tropeçavam em locais que bastavam levantar o pé para desviar e não conseguiam perceber que eu os levava para armadilhas, de forma que foi relativamente fácil levá-los para as partes mais densas da floresta. Matei um a um, até que não restou mais nenhum deles de pé. Um deles ainda conseguiu me morder na mão, mas nada que algumas ervas medicinais não pudessem resolver. Não sei que tipo de bruxaria usaram, mas com horror vi que algumas cabeças ainda se movimentavam! Quando seus olhos sem coloração me fitavam, eles abriam e fechavam a boca... Alguém abriu as portas do inferno, que Deus permita que esta seja a última vez que criaturas assim pisem em nosso solo sagrado.   
 Recuperei os documentos que o sacerdote Gregor trazia e agora cavalgo de volta a Roma. Nunca irei entender o que realmente aconteceu aqui, o porquê daquelas pessoas terem feito o que fizeram, atacando e matando cavaleiros templários, homens de Deus.
             Enquanto cavalgo de volta para minha terra, de volta para o meu amor, sinto o meu corpo arder em febre. Devo ter contraído algum resfriado nessa minha última missão. 
               Logo chegarei a Roma. Logo chegarei aos braços de minha amada.
               


                              

Autor: Luciano Vellasco

Idade: 24 anos

Localidade: Brasília

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