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31/10/2013

Especial Halloween - R. L. Stine

Conhecido como o “Stephen King da literatura infantil” e mestre do suspense, Robert Lawrence Stine é um grande autor de sucesso na área do terror e suspense, com incríveis coleções voltadas ao público adolescente. Dentre suas coleções mais conhecias podemos citar a Fear Street, Nightmare Room, Give yourself goosebumps e, o mais famoso de todos, Goosebumps.



Apesar de todos os livros – em todas as coleções – possuírem personagens diferentes e historias, ambas possuem um elemento em comum, o escritor – que consegue manter o mesmo nível de maestria em todas as suas obras. E, apesar de algumas narrações serem bem realistas e plausíveis de terem acontecido, R. L. Stine afirma que nunca viveu nenhuma aventura parecida com as descritas em seus livros, porém, as ideias para essas histórias são baseadas em fatos da vida real, que o inspiram a criar uma narrativa de terror ou suspense com algo corriqueiro e, aparentemente, sem muita importância.

Como o escritor precisa de muitas ideias para seus textos, ele vive pensando em coisas horripilantes para transformar em um novo livro - e adora isso, por sinal. Quando criança ele era um leitor nato, devorando livro atrás de livro, sempre em busca de novas aventuras para ler. Como era de se esperar, o halloween era seu dia favorito quando ele era criança, ele sempre queria se fantasiar de algo assustador - e sua mãe fez uma fantasia de pato para ele, que ele odiou (óbvio, quem não odiaria?), e esse ocorrido ele lembrou ao escrever "The haunted mask", dando o mesmo presente (de grego) para a personagem principal, que também odiou ganhar uma fantasia boba de pato.

Seus livros favoritos da coleção Goosebumps foram "The night of the libing dummy", "Say cheese and die" e "The haunted mask", a tal ponto que o autor resolveu levar essas três histórias para a coleção Goosebumps Horrorland.

Suas coleções de livros, sempre com a mesma temática, possuem títulos no mesmo nível de seus livros - toodos relacionados a fatos de terror ou suspense. Entre suas obras estão: Goosebumps (o clássico), Goosebumps Series 2000, Give yourself goosebumps, Fear Street, Mostly Ghostly, Rotten School, The nightmare Room, Goosebumps Horrorland, Goosebumps Most Wanted, Hall of Horrors, entre muitas outras que são originárias destas já listadas, além de contribuições em várias outras histórias, como Indiana Jones e James Bond.

Depois de 20 anos de uma perfeita combinação de arrepios e diversão em seus livros, em Maio de 2011, o escritor R. L. Stine foi reconhecido pelo Guinness World Record como o "autor mais prolífico dos romances de ficção de terror para crianças". Até esse momento Stine já havia escrito e publicado mais de 300 livros de terror de suas famosas coleções, que cativam crianças e jovens até hoje.



E, além de seus livros, o autor também teve um seriado que passou aqui no Brasil no ano de 1995 nas tv's por assinatura, uma famosa adaptação de Goosebumps para as telinhas. Infelizmente, essa série não passa mais aqui pelo Brasil, mas é possível encontrar alguns episódios no youtube ou em sites de fãs. E, para aqueles que viveram essa época, a música tema de Goosebumps:


E essa era a abertura da série:



Fontes: HorrorNews,ScholasticR L StineGoosebumps WikiR.L.Stine#Original series#Wiki
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Especial Halloween - Harry Potter

  

              Continuando nosso especial Halloween com Harry Potter, é claro, como vamos falar de Dia das Bruxas sem citar nosso bruxo preferido? Além de tudo, foi no Halloween que a saga do Menino que Sobreviveu teve início, foi na noite do dia 31 de outubro de 1981 que os pais de Harry foram assassinados pelo Lorde das Trevas e foi naquela noite que o menino ganhou sua cicatriz em forma de raio.

"Ele vai ser famoso, uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como do dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças do nosso mundo vão conhecer o nome dele!" Minerva McGonagall, "Harry Potter e a Pedra Filosofal"



                 A profecia da professora McGonagall se cumpriu e o fenômeno que a saga se tornou é inquestionável.
                 Vamos então fazer uma retrospectiva?


  • 31 de outubro de 1981
                 

                Primeiro dia das Bruxas de Harry, foi o dia em que ele derrotou Lord Voldemort e se tornou O Menino que Sobreviveu, mas foi também o dia em que Lilian e Tiago foram assassinados.




  • 31 de outubro de 1991
"(...) Harry nem acreditou quando se deu conta de que já estava em Hogwarts havia dois meses. O castelo parecia mais sua casa do que a casa da tia na Rua dos Alfeneiros. As aulas, também, estavam se tornando cada dia mais interessantes, agora que dominara os conhecimentos básicos. Na manhã do Dia das Bruxas eles acordaram com um delicioso cheiro de abóbora assada que se espalhava pelos                                                                                 corredores. "
                 Primeiro Dia das Bruxas de Harry em Hogwarts, foi nesse dia que ele, Rony e Hermione derrotaram o horrível Trasgo que havia fugido das Masmorras, foi a partir dai que o trio de ouro se formou.


  • 31 de outubro de 1992
"(...) Até chegar o Dia das Bruxas, Harry já se arrependera de sua promessa precipitada de ir à festa do aniversário de morte. O resto da escola estava animado com a proximidade da Festa das Bruxas; o Salão Principal fora decorado com os morcegos vivos de sempre, as enormes abóboras de Hagrid tinham sido recortadas para fazer lanternas tão grandes que cabiam três homens dentro, e havia boatos de que Dumbledore contratara uma trupe de esqueletos dançarinos para divertir o pessoal."
                 Segundo ano de Harry em Hogwarts. Todos os alunos estavam animados para a grande festa de dia das Bruxas, mas Harry havia prometido a Nick Quase Sem Cabeça que iria em sua festa de aniversário de morte...


  • 31 de outubro de 1993
"A festa terminou com um espetáculo apresentado pelos fantasmas de Hogwarts. Eles saltavam de repente das paredes e dos tampos das mesas e voavam em formação;Nick Quase Sem Cabeça, o fantasma da Grifinória, fez grande sucesso com uma encenação de sua própria decapitação incompleta."
                 Harry está em perigo e está enfurecido. A fuga de um cruel assassino deixa todos em alerta, Harry é o principal alvo do bruxo e todos estão preocupados, enquanto isso Harry se irrita por não poder ir a Hogsmead com seus colegas e nem a Festa do Dia das Bruxas parece anima-lo. As coisas ainda pioram quando voltam ao Salão Comunal e não encontram a Mulher Gorda.




  • 31 de outubro de 1994
"A festa das bruxas pareceu durar muito mais do que habitualmente. Talvez porque fosse o segundo banquete em dois dias, Harry não pareceu interessado na comida preparada com extravagância tanto quanto das outras vezes. Como todas as pessoas no salão, a julgar pelas constantes espichadas de pescoços, as expressões impacientes nos rostos, o desassossego de todos que se levantavam para ver se Dumbledore já acabara de comer, Harry simplesmente queria que os pratos fossem retirados e os nomes dos campeões anunciados."
                 Quarto ano de Harry em Hogwarts, o ano do Torneio Tribuxo. Foi no dia das Bruxas que seu nome foi sorteado e ele veio a se tornar um Campeão Tribruxo. 




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30/10/2013

Especial Halloween - Stephen King


                   Quando o assunto  é terror não podemos deixar de lado o mestre Stephen King não é mesmo? Sua primeira obra publicada foi em 1974, a obra foi 'Carrie, a Estranha', livro que mais tarde veio a se tornar um livro e recentemente ganhou um remake. King é um dos autores mais respeitados atualmente com uma enorme lista de obras em seu currículo ele serve de referencia e inspiração para diversos autores. 


Ficção
Não ficção
  • 1981 – Dança Macabra 
  • 1988 – Nightmares in the Sky: Gargoyles and Grotesques
  • 2000 – On Writing
  • 2000 – Secret Window, Secret Garden
  • 2005 – Faithful: Two Diehard Boston Red Sox Fans Chronicle the Historic 2004 Season
Livros de Contos
A Torre Negra (The Dark Tower)
Sob o pseudonimo de Richard Bachman

      E então o que estão esperando para começar sua maratona de leitura? Escolha os livros do mestre que mais lhe chamaram a atenção e comece imediatamente o/
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Top 5 livros de Zumbi para ler no Halloween


Bom dia leitores! Hoje, pela primeira vez vou me arriscar na difícil missão de escolher os 5 melhores. Desde já, deixo claro que esta é minha opinião de leitor. Muitos de vocês podem concordar ou não com ela. Fiquem a vontade para expressar suas opiniões nos comentários. J
Vamos lá então.

Guia de Sobrevivência a Zumbis


Este livro para mim é a bíblia da sobrevivência. O livro que deve ser seguido quase que ao pé da letra em caso de Apocalipse Zumbi. Tudo o que você precisa saber e entender quando o mundo for virado do avesso pelos mortos que andam está nesse livro. Os mortos, as armas e técnicas para o combate, a defesa de seu refúgio, os mantimentos, os locais mais seguros, os níveis de insurreições e como identificá-los e de quebra, alguns relatos de quem passou por isso e tem uma história para contar. Vale a pena cada página desse livro. Quando o apocalipse chegar, certifiquem-se de ter um desses dentro de sua mochila.




Guerra Mundial Z


Se o Guia é uma explicação teórica do mundo dominado pela praga zumbis, Guerra Mundial Z é a prática.
O livro nada mais é do que uma serie de relatos de quem sobreviveu à praga. Desde o paciente zero, até a Guerra que envolveu todas as nações do mundo. O que deve ser ressaltado desta obra é que não existe heróis e vilões. Existem sobreviventes. Uns fariam tudo e mais um pouco para sobreviver, outros tirariam proveito da situação e alguns outros tentariam fazer a diferença frente à ameaça. Se alguém encontrar algum veterano de Yonkers, dê meus comprimentos. Esses homens tem uma boa história para contar.





Apocalipse Z (Trilogia)



Não se pode falar de Zumbis sem falar da trilogia Apocalipse Z. Eu sei que é um Top 5 e tals, mas pense neles como um livro gigantesco de mais de 900 páginas. Não da para falar de um sem mencionar o outro. Manel Loureiro faz um trabalho brilhante nessa trilogia. Ao lado de nosso amigo Advogado e seu eterno companheiro Lúculo, o autor descreve nos mínimos detalhes como a humanidade perdeu a guerra contra os mortos-vivos. A imersão é total. O esquema de notas em diário no primeiro livro, o desespero do que restou da humanidade no segundo livro e a guerra de valores, ideologias e fanatismo do terceiro livro tornam essa trilogia uma das histórias mais épicas do gênero.


The Walking Dead – A ascensão do Governador


Se existe um responsável pela ascensão da cultura zumbi pelo globo, esse foi The Walking Dead. Antes dele o mundo conhecia os zumbis pelo gênio George Romero, porém, estavam um pouco restritos aos fãs do horror. Hoje não, por causa do seriado, muitas pessoas que não sabiam nada sobre zumbis começaram a procurar, pesquisar e discutir sobre o gênero. Depois da HQ e do seriado, veio o livro, que conta a história do homem que todo mundo amou odiar: O governador. Com detalhes impressionantes sobre cidades devastadas pela praga, o leitor acompanha o início daquele que seria um dos vilões mais notáveis no universo de The Walking Dead.



Apocalipse Zumbi


E para fechar a lista, um livro brazuca! Apocalipse Zumbi nós coloca em um cenário de horror e desesperança nos quais infectados espreitam em todos os lugares, famintos para colocar seus dentes nos poucos sobreviventes que restaram. Esses sobreviventes liderados por Manes tentam tocar suas vidas como podem dentro de um complexo de muros de concreto. A obra é recheada de escolhas difíceis e em muitos momentos o autor coloca a prova à humanidade de seus personagens.








Existem vários outros por ai, mas como eu não os li, prefiro não opinar. E você? Qual o livro indispensável sobre o gênero para ler no Halloween? Comentem!  

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29/10/2013

RESENHA - As viagens da peregrina do tempo e da terra: O Coletor de Almas (Douglas MCT)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: MCT, Douglas.  As viagens da peregrina do tempo e da terra: O Coletor de Almas. Belo Horizonte, Editora Gutenberg, 2012. 1ª edição, 143 páginas.
Gênero: Dark-fantasy.
Temas: Mitologia nórdica
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2012.
SérieAs viagens da peregrina do tempo e da terra: O Coletor de Almas (Livro 1).









“_Ó sim, minha criança. O que achou do poema que acabei de ler para você?
_Tenebroso. Enquanto a senhora lia, senti a vida me abandonar e tive pesadelos desperta, presenciando cada cena como se fosse real.
_ E serão.
_ Espero que não. Mas estou feliz. Esse poema me deixou contente!
_ Que bom, pequena.
‘A mortalha de um mundo extinto’ – ouvi, em sussurros ocultos.
_ Adeus, senhora.
_ Adeus, amada Lisa.
A porta se fechou assim que ela saiu. Mas por um momento pude ouvir sua respiração hesitante, lá do outro lado. E eu sabia que ela também poderia me ouvir.
_Quando a morte alcançar você (e ela vai), seja corajosa, minha criança. Enfrente-a, encare-a. Ela não fugirá de você, mas você poderá derrota-la se assim quiser. Você possui a luz na palma da mão; esse é um poder só seu e é ilimitado. Tudo vai acabar. Este mundo, estas pessoas, estes seres. Até mesmo eu acabarei. Nada restará. Só você... Mas só se assim você desejar.
Finalmente parei de falar. Não havia mais nada a dizer.
E também ninguém mais para ouvir. ”
*O Coletor de Almas: as viagens da peregrina do tempo e da terra (pág. 16 e 17).


                Larval, o Coletor de Almas, desempenha o importante papel de recolher as almas dos mortos e devolve-las ao seio de Yggdrasil, a Árvore-Mãe que sustenta a vida e a realidade da Terra Oca. Ceifador é um assassino que obstinadamente percorre todos os reinos matando reis e decepando suas cabeças, colecionando-as como troféus para um propósito sombrio.  Vasilisa Prekrasnaya, ou apena Lisa, é uma jovem bruxa recém-saída de seu treinamento, portadora da Lanterna das Bruxas e conhecedora de um poema sobre o fim do mundo – o Ragnarok – que profetiza que ela terá a decisão sobre o destino de tudo e de todos. Quando as almas dos mortos e mesmo os antigos fantasmas começam a desaparecer sem explicação, Larval e seu ajudante Bog (um fantasma) partirão em busca de respostas. Lisa, perseguida por praticar bruxaria, também partirá. E o Ceifador continuará sua jornada de reino em reino em busca das cabeças coroadas. Os três, mesmo sem se conhecerem, terão seus destinos entrelaçados e terão papeis fundamentais nos eventos que levarão ao fim inevitável (ou não?) e, numa jornada rumo ao fim de tudo, descobrirão muito de si mesmos.
                “O Coletor de Almas” é o primeiro livro da trilogia intitulada As viagens da peregrina do tempo e da terra, uma série que explora o gênero Dark Fantasy. Neste primeiro volume, a trama aborda os eventos que levarão ao fim da Terra Oca, um mundo habitado por humanos, vampiros, fantasmas e deuses; um mundo sustentado pela Árvore-Mãe  Yggdrasil; um mundo onde magia e ciência coexistem e se aliam. Diferentemente das histórias apocalípticas habituais, aqui o Ragnarok – a versão do Apocalipse segundo a mitologia nórdica – não poderá ser evitado. A finitude é certa e irreversível e as muitas personagens da trama a conhecem e se preparam para ela. Saindo do lugar comum, está história não propõe uma tentativa de salvação. Ela propõe uma busca por explicação, por entendimento. Os três protagonistas – Larval, Ceifador e Lisa –, cada um a seu modo, estão em busca de respostas. O trio tem papel fundamental nos eventos que se desenrolam e nos razões pelas quais tudo acontece, embora somente Lisa, uma adolescente recém-saída da infância, tenha plena (ou quase plena) consciência de sua função. E embora o desfecho culmine no já esperado e anunciado fim da Terra Oca, o desenrolar dos acontecimentos, as voltas e reviravoltas da trama até o desfecho são surpreendentes. E o ápice narrativo desponta um pouco antes do fim, quando tudo é explicado e quando as peças do enorme quebra-cabeça se encaixam.
O modo como a trama é construída; o modo como os fragmentos se entrelaçam e se repelem tecendo a história fazem da alegoria do quebra-cabeça uma imagem mais que perfeita para ilustrar a complexidade desta obra. Apesar de utilizar capítulos curtos com linguagem simples, beirando o coloquial, a narrativa é intrincada e densa. O enredo é denso. A essência da história é densa. E, portanto, é um livro que, apesar de curto (143 páginas) e dinâmico, requer mais de uma leitura para ser compreendido em sua plenitude. Há ainda uma peculiaridade que contribui com essa característica: o autor abdica propositalmente de descrições e explicações mais detalhadas, delineado a narrativa em terceira pessoa com foco nas ações dos personagens.  Há ainda que se ressaltar a atmosfera sombria e a relação das personagens e do autor com a morte. Essa miscelânea de características evidencia que o autor foi beber na fonte dos quadrinhos adultos para criar o seu “O Coletor de Almas”. A maior e autodeclarada inspiração é o sombrio “Hellboy”, de Mike Mignola. Mas muito se vê de outros representantes do gênero, como os famosos “Sandman” (Neil Gaiman) e “Watchmen” (Alan Moore).
O Coletor de Almas” é o segundo romance de Douglas MCT, paulista da cidade de Socorro, atualmente residente na capital do estado. Formado em Criação e Produção Audiovisual, trabalhou por uma década como designer gráfico. Redator e roteirista de games, quadrinhos, animações, filmes e seriados, tem em seu currículo as HQs da Turma da Mônica e as animações da Galera Animal. Como escritor, já publicou contos em várias coletâneas e  lançou três livros. Suas histórias tem uma pegada mais sombria, investindo no gênero Dark Fantasy. “O Coletor de Almas” – e as demais obras de Douglas – é um prato cheio para quem gosta de narrativas mais densas com tramas que escapam ao óbvio.




Bibliografia de Douglas MCT (ordem cronológica):

Livros:
  • Necrópolis – Livro 1: A fronteira das almas – Editora Draco (2010); relançado pela Editora Gutemberg em 2012.
  • O Coletor de Almas: As viagens da peregrina do tempo e da terra – Editora Gutenberg (2012);
  • Necrópolis – Livro 2: A batalha das feras – Editora Gutenberg (2012).


Participações:
  • Anno Domini: Manuscritos Medievais – Andross Editora (2008) com o conto “O misterioso caso do unicórnio azul”;
  • Território V – Terracota Editora (2009) com o conto “Torniquete”;
  • Imaginários – Volume 3 – Editora Draco (2010) com o conto “Bonifrate”;
  • Sagas – Volume 3: Martelo das Bruxas – Editora Argonautas (2011) com o conto “Encruzilhada”;
  • Crônicas da Tormenta – Editora Jambô (2011) com o conto “Revés”;
  • Fantasias Urbanas – Editora Draco (2012) com o conto “Onde termina o inferno”.

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25/10/2013

Estreia do seriado Drácula - Fall Season/2013



Hoje é o dia de estreia oficial do novo seriado Drácula, pela rede NBC americana, às 22:00 e, diferente do que temos visto por aí com vampiros vivendo nos dias atuais, ou uma história de romance água com açúcar com um vampiro genérico qualquer, desta vez temos realmente uma volta ao clássico, com um Drácula aos moldes clássicos.

Baseado no livro de Bram Stoker  a adaptação acontece em Londres, 1890, era vitoriana – esse é o ambiente em que veremos o desenrolar da trama, que gira em torno do sobrenatural e do sensual e, claro, com muita ação. Uma vantagem é que a série deve ser contada de forma linear, fazendo com que não seja cansativa e, já para a primeira temporada, foram confirmados 10 episódios e, se tudo der certo, teremos mais futuramente.


A série foi criada por Tony Krantz (24 Horas) e Collin Callender (The White Queen), com roteiro de Cole Hadon (Death of na Agent). Quem interpretará o Conde será Jonathan Rhys Meyers, e o elenco principal será composto por Nonso Anozie (Renfield), Jessica De Gouw (Mina Murray), Oliver Jackson (Jonathan Harker) e Thomas Kretschmann (Abraham Van Helsing).


E, para aumentar a curiosidade – e vontade de assistir ao seriado – um breve resumo do que acontecerá nessa temporada: “A trama acompanhará o Conde, que chega a Londres fingindo ser Alan Grayson, um empresário que busca levar a ciência moderna para a sociedade vitoriana, quando na verdade o que ele quer é se vingar das pessoas que arruinaram sua vida há séculos. Porém, as coisas começam a complicar quando ele se apaixona por Mina Murray, que parece ser a reencarnação de sua falecida esposa”.




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24/10/2013

CONTO - Carga Preciosa



Título: Carga Preciosa
Classificação: + 16
Gênero: Suspense/Terror.
Sinopse: Um homem escapa de um grave acidente de carro, mas terá a maior provação de sua vida para tentar salvar seu bem mais precioso.
Observação: Esse conto é uma adaptação escrita do Curta-Metragem "Cargo".


Carga Preciosa

Clique para ler os atos.

Ato I


         Minha cabeça zumbia e rodopiava como se estivesse em um loop infinito de uma montanha Russa desgovernada. Um líquido quente deslizava por minha cabeça e não precisava de mais informações para saber que havia um corte ali. Coloquei a mão no ferimento, não parecia ser um corte profundo, mas estava doendo muito. Ouvi um sussurro, algo semelhante a um gemido baixo, minha mente voltava a funcionar à medida que minha visão clareava. Havia um borrão se movendo lentamente ao meu lado, mexia a cabeça de um lado para o outro e grunhia como...
            Meu Deus!
            Com olhos esbugalhados eu vislumbrei a mulher que eu tanto amava... Não, a mulher que eu tanto amei. Ela estava morta, mas ainda assim se mexia e aos poucos se aproximava de mim. Seus olhos leitosos e sem vida me fitavam com frenesi, as veias negras eram visíveis por todo o corpo putrefato e um hematoma enorme em sua testa completava a visão terrível que era aquela coisa. A coisa (que antes foi minha esposa) levantou os braços na tentativa de me capturar, porém, para a minha sorte, o cinto de segurança a prendia firmemente contra o banco, impedindo-a de me pegar. Abençoado seja o sistema que travava o cinco por conta de puxadas bruscas, mas não podia contar com aquilo para sempre. Logo ele cederia. Minha mente gritava para sair dali imediatamente. Estava tão assustado que demorei séculos para apertar o botão que me liberaria do cinto de segurança, minhas mãos tremiam descontroladamente! O cinto dela afrouxou e suas mãos mortas me alcançaram. Iniciei uma luta corporal desesperada pela minha vida enquanto ela tentava me morder. Finalmente consegui me livrar da pegada e abri a porta do carro. Sai rolando descontroladamente pelo chão e parei a mais de três metros do carro. Lágrimas teimavam em escorrer pelo meu rosto. Minha mulher se tornou um deles! Meu Deus, por quê? Quando ela havia sido mordida? Será que aquele infectado que ela matou na loja de conveniência a mordeu? Porque ela não me contou? Porque eu a deixei dirigir?
            Essas e tantas outras perguntas inundaram minha mente em segundos, mas não era hora para nada disso. Levantei-me rapidamente e avancei para a porta de trás do carro. A coisa acompanhava meu andar com as mãos erguidas e aquele grunhido, querendo me pegar de qualquer jeito. Tentei abrir a porta, mas estava travada por dentro. Por um segundo me veio à ideia de quebrar o vidro com um soco. Estava desesperado e temos ideias estúpidas quando ficamos desesperados. Antes de arrebentar minha mão com o vidro dei a volta e, para a minha alegria, a outra porta estava aberta. A coisa virou como pode na minha direção e tentou me pegar. Controlando tristeza, medo e raiva com a visão a minha frente, entrei no banco de trás e retirei de lá o bem mais precioso de minha vida.

Ato II


                Minha mulher morreu.
            Olhava para o nada. Minha mente, agora menos acelerada, processou o que havia acontecido. Dirigíamos rumo a oeste. Diziam haver uma área segura por lá, em uma cidade próxima a uma base militar, livre da infestação, livre dessas coisas. Pegamos nosso carro, nossos pertences e partimos. Fui eu que insisti. E agora estou pagando pelos meus atos. Minha mulher ia ao volante, pois eu estava muito cansado. Dormi por algumas horas e acordei no susto. O carro saiu da pista, acho que ela perdeu o controle ao ver algo na estrada. Batemos de frente com uma árvore.  
              Por vontade de Deus ela não estava ferida. Minha preciosa. Minha Mariana. Minha pequena filha de apenas sete meses dormia tranquilamente, alheia a tudo o que acontecia. Retire-a do carro e ela acordou morosa, me olhando com aquele lindo sorriso sem dentes e aqueles olhos castanhos herdados de sua mãe. Retirei a cadeirinha que havia salvado a vida de minha filha e a coloquei confortavelmente sentada embaixo de uma árvore, a poucos metros de onde o carro bateu. Certifiquei-me de que estávamos sozinhos e voltei para o carro. Aquilo tinha de ser feito. Não podia deixar minha mulher naquele estado. Ela não merecia, ninguém merecia. Apanhei uma barra de ferro do banco de trás, a arma mais forte que tinha a minha disposição. Outro erro. Devíamos ter pegado armas ao invés de álbuns de fotografia... Dei a volta e fiquei de frente para a porta do motorista. Com o corpo inteiro tremendo em espasmos horríveis, eu a abri. A coisa me recebeu com grunhidos. Ela não conseguia se livrar do cinto de segurança. Apenas um botão a separava de me pegar. Se a coisa fosse só um pouco mais inteligente, estaria morto agora. Ergui a barra de ferro e me preparei...
  Minha mente viajava pelo passado. Quando nos conhecemos, ainda na faculdade. Ela, inteligente, estudiosa, meiga e gentil. Eu, um completo tímido e destrambelhado. Até hoje não entendo bem o que ela viu em mim. Dizia que eu tinha algo especial, algo que apenas poucos hoje em dia ainda têm. Não sei bem o que isso significa. Casamos-nos, fomos felizes por muitos anos e tivemos uma filha linda. E agora estou de frente para a coisa que um dia foi minha mulher, prestes a acertar uma barra de ferro contra a sua cabeça. Nunca entenderei o que ela via de especial em mim...
            Por quê? Porque isso tinha de acontecer? Porque não me levaram no lugar dela? A raiva inflou minha coragem. Aquele era o meu ato de misericórdia e amor.
               Eu te amo.
            A barra desceu e acertou o topo de sua cabeça, mas não havia sido o suficiente, a coisa ainda se mexia lentamente, desferi mais um e outro e outro, até que finalmente ela parou de se mexer. Minha roupa estava empapada de sangue. Com lágrima nos olhos eu observava minha amada ali no banco do carro, imóvel, com o crânio arruinado.
            Então escutei um gemido diferente e logo em seguida, um choro. Minha filha começou a chorar e rapidamente larguei a barra de ferro e o cadáver da minha mulher para socorrê-la. Peguei-a no colo e fiz caretas e a girei de um lado para o outro, do jeito que ela gostava. Ela sorriu e eu me acalmei.
            Foi então que eu vi e meu mundo ruiu de vez.
            Havia um corte em meu braço. Será que foi do acidente? Não, não tinha porque eu me enganar desse jeito. Eu estava infectado, tinha certeza absoluta disso. E se eu estava infectado, minha pequena corria perigo. Precisava encontrar ajuda, antes que o pior acontecesse. Rapidamente entrei no carro e apanhei do porta-luvas um mapa e uma caneta. Estava a muitos quilômetros de uma cidade e o carro estava com a frente destruída, teria de fazer algum trajeto a pé com o pouco tempo que me restava.
            Decidi seguir para o norte. Havia fazendas naquela região, talvez ainda encontra-se alguém com vida por lá. Enquanto analisava o mapa minha filha brincava alegremente com um chocalho. Ela sorria com o som e eu sorria para ela. Ela não merecia o que estava por vir. Precisava encontrar um local seguro o quanto antes. Apanhei alguns poucos suprimentos, a cadeirinha e a prendi firmemente nas minhas costas, assim teria as mãos livres para enfrentar qualquer perigo e me pus a correr.

Ato III


             Escolhi um caminho muito idiota para seguir em frente. O terreno era íngreme e por muitas vezes tive de escalar para continuar o percurso. Mudar a rota não era uma opção naquela altura. Meu corpo já mostrava os primeiros sinais da infecção. Aos poucos estava ficando febril e o cansaço só piorava a situação. Ao menos, a pequena Mariana estava curtindo o passeio, vez ou outra tentava com sua mãozinha capturar galhos e folhas das quais eu dava duro para afastar de nossos rostos.
            As horas passavam e nada de civilização. Aquela floresta parecia interminável. Meu suprimento de água estava quase no fim e minha filha já demonstrava estar com fome. Há poucos minutos ela começou a chorar, mas eu não podia parar, sabia disso, seria pior para ela. Mariana tinha de ser forte e suportar essa provação.
            Ouvi um grunhido e todos os pelos de meu corpo se eriçaram. Olhei para todos os lados para identificar de onde vinha o som. Galhos se partiram denunciando para mim a localização do barulho. Era um deles que se aproximava de mim. Um jovem de uns quinze anos ou menos. Usava camisa listrada e calça jeans, ambos já desbotados pelo tempo. Tinha perdido um dos calçados e usava no outro uma bota. Havia a marca de uma enorme mordida em sua bochecha direita. O ferimento era tão grotesco que dava para ver parte de sua arcada dentaria.
            Mariana continuava a chorar e a coisa continuava a avançar na minha direção. Qualquer movimento errado e seria o nosso fim. A barra de ferro estava novamente em minha mão. Com cuidado subi uma pequena elevação de terra e esperei ele se aproximar mais. Essas coisas eram lerdas e burras, não possuíam qualquer senso de direção, noção ou perigo, até que foi simples trazê-la para a minha armadilha. Por conta da elevação, ele acabou parando por uns instantes ― sua mente parecia não entender que bastava erguer uma perna para conseguir subir ―, apenas estendendo suas mãos podres para tentar me pegar. Dei o primeiro golpe na vertical, acertando em cheio o lado do rosto avariado. Ele caiu no chão como uma árvore que tem sua base cortada, mas ainda não havia desfalecido. Ele aos poucos tornava a se levantar, mas eu não permitiria que isso acontecesse. Desci a elevação e voltei a golpeá-lo na cabeça ao som dos protestos de minha pequena. Tomei cuidado para não deixar sangue espirrar em Mariana, uma simples gota poderia ser fatal para ela. Depois de me certificar com pontapés que a coisa estava morta, uma ideia me veio à mente. Uma ideia que talvez fosse à chave para a salvação de minha garota.
            Retirei o peso que era Mariana de minhas costas e há deixei um pouco afastada de mim, ela brincava freneticamente com o seu chocalhinho, por vezes mordiscando o brinquedo. Nem dente tinha, mas já estava aprendendo a se virar com o que dava. Com certeza ela no futuro será uma mulher guerreira. Esperei por uns dois minutos, para ter certeza de que não havia mais nenhum deles por perto e fui executar o trabalho de açougueiro. Com uma pequena faca de cozinha na mão, debrucei-me sobre o corpo moribundo, não conseguia segurar a expressão de repugnância que eu sentia por aquela coisa. Seu nível de deterioração era terrível. O cheiro de morte entrava pelas minhas narinas me fazendo sentir ânsia de vômito antes mesmo de começar a cortá-lo. Respirei fundo, levantei a arma acima de minha cabeça e desci com força sobre o estômago dele. Sem pensar continue a rasgá-lo, cortes sem qualquer perícia, sem qualquer habilidade. Perfurava e rasgava. Sangue negro e viscoso espirrava para fora, segurei o fôlego, pois a cada nova facada, o fedor aumentava. Havia vestígios de carne no estômago dele, até mesmo um pedaço de pano que eu imaginava ser um pedaço de uma camisa encontrei lá dentro. Pronto. Estava aberto o suficiente. Agora vinha a parte nojenta de minha investida. Com as mãos abri mais o buraco... que nojo... era tão viscoso e grudento que faria uma lesma parecer rocha, ainda bem que fazia horas que eu não comia, não havia nada para sair de mim naquele momento. Não teria sido uma visão agradável visualizar todo aquele sangue preto misturado a minha bile. A todo o momento eu pensava no porque estava fazendo aquilo, precisava daquela força para continuar. Resistindo ao horror finalmente consegui retirar pedaços suficientes dele, coloquei tudo em um saco plástico e amarrei a cintura. Hora de seguir em frente.

Ato IV


         Deus, meu corpo está dolorido. Minhas costas doem, minhas pernas doem e minha cabeça está para explodir. Estava tão debilitado que tive de improvisar uma bengala com madeira para apoiar o peso do meu corpo na subida. Sinto a contaminação avançando dentro de mim. Já posso visualizar pequenas chagas pelo meu corpo que aumentavam gradativamente. Estava ficando sem tempo. Depois de mais algumas horas de dura caminhada eu encontrei uma pequena estrada de terra, o suficiente para passar um carro. Meu corpo animou-se novamente. Poderia achar ajuda. Apertei o passo e logo encontrei a porteira de uma pequena fazenda. Entrei apressadamente no terreno e logo gritei por ajuda e minha filha ao modo dela ― com seu choro ― também pedia por ajuda. Mas não encontramos nada. Janelas e portas lacradas com madeira e qualquer outra coisa que servia como barricada. Bati na porta da frente na esperança que alguém estive escondido por lá, mas não obtive qualquer resposta. Já pensava em um plano para arrombar a casa quando um forte barulho do outro lado fez meu coração voar na boca e voltar. Este foi seguido de outro igualmente forte e outro e outro. Instintivamente me afastei da porta e escutei os gemidos... havia um infectado lá dentro. Merda. Dei a volta, mas nada havia além de cadeiras de madeira e redes. Mariana continuava a chorar. Aquilo me cortou tanto o coração que eu parei por cinco minutos para acalmá-la. Sabia que estava sendo negligente, mas me doía ver minha pequena sofrendo. Lembrei que na mochila havia um mordedor. Creio que ela ficaria mais contente ao morder algo que foi projetado para isso.
            Não tinha jeito com ela. Mal sabia preparar sua papinha e muito menos trocar sua fralda, mas graças a Deus ela parou de chorar. Que falta minha esposa fazia. Ela sabia como criá-la. Com aquele jeito meigo e carinhoso dela. Sabia exatamente o que a nossa filha queria, apenas observando sua expressão. Ela havia me dito uma vez que os bebês se comunicavam conosco através do choro. Se algo estava errado, choravam, se estavam com fome, choraram, se queriam atenção, choravam. Infelizmente eu não sabia o que minha filha queria. Com toda certeza estava com fome, mas parecia ter deixado a vontade de lado ao por na boca seu pequeno mordedor em forma de mãozinha.
            Minha cabeça funcionava a mil. Precisa de uma solução urgente. Entrar na casa não era uma opção. Fraco do jeito que eu estava seria alvo fácil e eu não tinha ideia de quantos deles havia na casa. O mais prudente seria continuar andando e aguentar o tranco. Era isso ou nos dois morreríamos. Coloquei minha filha confortavelmente de volta em minhas costas e voltei a caminhar. Deveria haver outras fazendas como está na região. Tinha de haver.
Papai te ama filhinha, ele vai encontrar uma forma de te manter segura. É uma promessa.   

Ato V

            Meu nome...
            Não me lembro. O que eu estou fazendo? Andando a esmo por este campo verdejante? Meu corpo está pesado. Parece que carrego uma pedra em minhas costas. Preciso tirar esse peso extra...
            Não!
            Meu Deus, o que eu estou fazendo? Minha filha está em minhas costas e não uma maldita pedra! Estou ficando louco? Onde eu estou? Ah, maldita vegetação. Finalmente consegui me livrar da floresta e agora estou cortando o mato alto. Por quanto tempo eu andei sem perceber? Minha visão está turva por algum motivo estranho. As chagas em meu corpo estão ficando assustadoramente maiores. Sinto uma ardência enorme no meio peito que dói como o inferno. Mariana parecia ter ganhado muitos quilos em poucos minutos. Parecia pesar o triplo de poucas horas atrás. Deus! Não encontrei nada. Nenhuma misera construção. Estou tão longe assim da civilização? E que fome é essa? Um bife bem suculento viria a calhar... Sacudi a cabeça violentamente. Como podia pensar em carne em uma hora dessas? Minha visão pareceu obedecer ao sacolejo e voltou. Nada além de mato no horizonte. Filha... papai está tão cansado... queria poder cochilar um pouco, descansar...
            Não!
           Precisava continuar até o fim! Precisava seguir em frente. Só mais um pouco. Por favor, corpo, peço só mais algumas horas! Não me deixe na mão agora! Olhei para o horizonte e consegui divisar o que parecia ser uma construção. Estava ficando louco? Alucinando coisas? Agorinha a pouco não havia nada e agora consigo ver o contorno do que parecia ser uma pequena torre de observação. Precisava chegar lá o quanto antes, minha filha não poderia mais ficar comigo. Não do jeito que eu me encontrava. De repente minhas pernas ficaram bambas como duas varetas açoitadas pelo vento, não conseguia mais resistir ao peso de meu próprio corpo e acabei caindo de joelhos em meio à grama que me cercava.
            Droga!
            Esse não podia ser o nosso fim. Não era justo. Ela precisava sobreviver. Que merda de pai eu sou por não garantir isso? Só de pensar que logo irei virar um inimigo para minha filha. Que ela não poderá se defender, que eu vou mordê-la...
            Gritei. Esgoelei. Minha última cartada. Alguém, em algum lugar poderia ouvir minhas suplicas, mas os minutos se passaram e nada. Não tinha mais força para levantar. Comecei a esmurrar o chão com raiva, agarrava o mato e o retirava da terra. Minha mente não estava trabalhando direito, não conseguia pensar em mais nada para fazer e num acesso de fúria bati minha testa contra o chão. Depois da dor... veio a luz. Olhava para o saco plástico de ponta cabeça. É claro! Tinha me esquecido disso! Como pude ser tão imbecil? Tive essa ideia há nem cinco horas atrás e já havia me esquecido dela. Tinha de ser rápido, já sentia um formigamento na mão, logo ela pararia de funcionar como aconteceu com minhas pernas. Retirei os cadarços de meu sapato e comecei a executar meu último e derradeiro esforço de salvar minha pequena.


            Eu prometi protegê-la filhinha... Eu sei que prometi, mas vou ter de quebrar essa promessa. Eu sinto muito. Papai não conseguiu ser forte o suficiente para resistir a essa praga. Eu queria vê-la crescer, eu queria poder ver você dar os seus primeiros passos, queria poder cantar canções de ninar, queria contar a você como sua mãe era maravilhosa. Mas não poderei. Sobreviventes irão encontrá-la, eu sei que vão. E você vai viver com eles e será uma boa moça. Sobreviva meu amor. Seja forte por você e por seus pais que tanto te amam. Queria poder te abraçar agora, te dar um beijo, mas já não é mais possível. Não há tempo para um último adeus. Não consigo mais me lembrar do seu rosto, mas sei que você é uma criança linda e que com certeza puxou a sua mãe. Vou ficar aqui, imóvel, o tempo que conseguir. Por favor, tente não fazer muito barulho, ok? É só por algum tempo. Meus olhos pesam e sinto que vou dormir agora e quando eu acordar novamente, não serei mais o mesmo. Rezo para que você nunca me veja neste estado. Tenho esperanças de que alguém, em algum lugar me livre dessa maldição e me ajude a encontrar sua mãe lá no céu. E de lá que vamos te vigiar e é de lá que vamos te amar. Finalmente, depois de tantos anos entendi por que sua mãe me considerava especial.
Adeus filhinha.
            Papai te ama muito.

Epílogo


           Danilo sempre deu graças a Deus por morar em uma fazenda de terreno elevado. Os poucos sobreviventes de sua família e alguns amigos haviam montado um lar relativamente seguro naquelas terras. Quase totalmente rodeada por vegetação alta e cheia de terrenos íngremes e de difícil acesso, ele e outros sobreviventes tentavam tocar a vida para frente na medida do possível. Claro que sempre aparecia um desgarrado vindo não se sabe de onde. No mundo dos infectados, todo cuidado, atenção e vigia era pouco e por isso sempre havia alguém para tomar conta das coisas por ali e dessa vez, era ele quem estava no ponto mais alto do terreno, no alto de uma construção que era usada antigamente para instalar uma antena receptora de TV, vigiando, alerta para tudo que se mexia.
            - Como está às coisas ai, Danilo? – perguntou um homem magro, vinte e cinco anos, cabelos castanhos e olhar assustado do andar debaixo.
            - Tudo está tranquilo por aqui, Pedro – Danilo respondeu. Além do binóculo, ele estava armado com uma carabina de caça, capaz de acertar um alvo a quase duzentos metros de distancia.
            - Certo – seu olhar parecia ganhar um tom mais vivido com a resposta – Sua irmã está preparando o almoço cara, vê se relaxa um pouco e vamos comer uma galinha no capricho! – exclamou Pedro.
            - Me dê cinco minutos – replicou Danilo. – Eu já... – ele estacou de repente, seu binóculo preso em um ponto fixo. Havia um deles caminhando desengonçadamente pelo terreno que eles usavam para enterrar seus entes queridos, seu pai inclusive, estava enterrado lá. – Tem um deles se aproximando!
            - Apenas um? – Pedro gelou. Rezava mentalmente para que fosse apenas um. Na única vez que topou com um deles, quase foi mordido e a visão da criatura assombrava seus pesadelos diariamente. Queria ele ter a coragem de Danilo.
            - Sim, apenas um. Vou abatê-lo. Chame Carlos e Aline e recolham o corpo – ele ordenou e Pedro saiu em disparada à casa principal para alertar os outros.
            Danilo fez mira. Era um homem. Trinta anos talvez. Não havia sinais aparentes de mordida, mas o andar descompassado já era mais que suficiente para ter certeza de que se tratava de um deles. Com um misto de duvida e espanto, ele visualizou através do visor da carabina que havia um pedaço de pau pendurado em seu ombro e um saco na ponta contendo o que parecia ser... carne. Algum pedaço de alguém, ou mesmo das entranhas de alguém, difícil dizer, também notou que as mãos estavam atadas pelo que parecia ser um cadarço de tênis... Porque um infectado teria suas mãos amarradas e carregava aquele saco de carne? Quem havia feito isso com ele e por quê? A incógnita era tanta que ele demorou demasiadamente para apertar o gatilho. Quando o fez, parecia que havia atirado com um canhão devido ao silêncio sepulcral que se instalara pela região e além. A bala entrou pelo lado superior esquerdo do crânio do infectado e saiu pelo outro lado, quase que imediatamente, ele caiu de joelhos e logo em seguida, foi ao chão. Danilo rapidamente desceu as escadas e encontrou seus amigos Carlos e Aline no meio do caminho. Ambos levavam uma pá, afim de já enterrar o morto. O grupo já havia debatido sobre queima-los, para não contaminar o solo, mas descartaram a hipótese, pois a fumaça facilmente denunciaria a posição deles, então demarcaram um território apenas para esse tipo de tarefa, as plantações, celeiro dos animais e o pequeno córrego que cortava a fazenda ficava do outro lado, de modo que eles não corriam riscos de contaminação.
            - Um tiro bem dado – comentou Danilo ao olhar o buraco do tamanho de uma moeda de um real que havia se formado no local onde a bala entrou. O corpo caiu de frente para o trio.
            - Está ficando cada vez melhor – elogiou Carlos. – Mas temo que seus dias de atirar estejam quase no fim. Quantas balas ainda lhe restam?
            - Apenas cinco.
            - Então aconselho você a guarda-las para uma emergência – Carlos tocou de leve ombro de Danilo. – Vamos cavar.
            - Ok. – Ele pediu a pá para Aline e foi ao encontro de Carlos que já desferia golpes na grama.
            A garota ficou ali olhando para o morto também intrigada com o fato dele estar com as mãos atadas e com um saco de carne amarrado em um pedaço de pau. Era como se alguém estivesse guiando a criatura, mas por qual motivo? Chegou bem próxima a ele e analisou a situação, sem chegar a qualquer conclusão. Os olhos leitosos e sem vida ainda estavam abertos e por um momento ela ficou ali encarando aquele olhar de morte e se desligou do mundo.
              “Qual é a sua história?”, pensou consigo mesma.
               - Aline – chamou Carlos e ela quase caiu para trás de susto. – Venha.
               - Já estou indo – levantou-se e girou nos calcanhares, deu alguns passos.
                E ouviu um choro.
                 De bebê.
            Aline arregalou os olhos e estacou por um momento. “Estou ouvindo coisas?”. Ela virou-se novamente para o cadáver e ouviu mais uma vez a lamúria de um bebê. Correu desesperadamente até o morto, o virou e a surpresa foi enorme. Havia uma criança confortavelmente sentada numa daquelas cadeirinhas de colocar no carro. Ela não havia visto antes, pois o corpo estava por cima. Ela desamarrou a criança do cinto que a prendia e a pegou no colo.
            - Meu deus... – seus olhos encheram de lágrimas, aquilo era um verdadeiro milagre. – Ei, pequena! Ei – ela começou a fazer caretas para a menina enquanto as lágrimas teimavam em descer pelo rosto.
            Carlos e Danilo pararam o que estavam fazendo quando ouviram o choro da criança. Estavam embasbacados. Ambos correram ao encontro de Aline para vê-la mais de perto.
            - Onde você a encontrou? – perguntou Danilo.
            - Ela estava amarrada as costas dele... Danilo... olha como ela é linda!
            - As amarras, a carne... Agora faz sentido. Ele estava protegendo a menina de si mesmo! Meu Deus, eu poderia tê-la matado com o tiro...
            - Mas não a matou. Aquele homem salvou a vida dela – afirmou Aline.
            - Que nome vai dar a ela? – perguntou Carlos.
            - Tem algo escrito no bracinho dela – comentou Danilo observando o conteúdo que estava meio escondido sob a blusa da menina.
            “Meu nome é Mariana”.
            - Mariana... que nome lindo você tem. Não é?
            A criança sorriu para os estranhos.
           

            Os dois homens voltaram a cavar, mas desta vez, não escavavam apenas para enterrar um cadáver qualquer. Estavam enterrando o homem como se fosse um membro daquele grupo. Cada vez que tiravam a terra, uma memória de suas próprias vidas inundavam seus pensamentos. Do que fizeram e como fizeram para sobreviver até aquele dia. Algumas dessas memórias não eram boas e com certeza assombrariam por muitas noites seus protagonistas, outras, poderiam ser contadas a mesa como fábulas heroicas e outras ainda como provas de que esperança e amor sobrevivem em meio ao caos. Entretanto, nenhuma, jamais deixaria aquém a história daquele desconhecido. Enterravam um herói, um exemplo a ser seguido por todos ali.      
O mundo estava acabando, as pessoas estavam morrendo, os mortos se levantavam e avançavam sobre os vivos, estes tentavam sobreviver, passavam por cima de sua própria gente para continuar a viver, mas aquela garotinha e aquele pai viraram símbolos, de que mesmo no apocalipse, ainda há esperança.
Todos foram chamados e a história do desconhecido e da pequena Mariana foi contada. De como um pai deu sua vida por uma chance e de como ela, sozinha, sobreviveu ao apocalipse zumbi.


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Autor: Luciano Vellasco

Idade: 24 anos

Localidade: Brasília

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