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30/12/2013

Qual gênero literário é a sua cara?


Aventura, Romance, Ficção-científica, Poesia ou quem sabe uma biografia? São muitos os gêneros literários e mesmo os leitores mais ecléticos acabam se identificando mais com determinado gênero. Antes de escolher que livro levar com você nessas férias, que tal responder ao teste abaixo e descobrir qual tipo de literatura tem mais a ver com o seu perfil?
Vale lembrar que os resultados não são taxativos. A Academia Literária DF entende que a personalidade de uma pessoa não pode ser resumida às respostas dadas às perguntas abaixo. Além disso, a escolha de um livro é um ato de prazer e liberdade. Não obedece a regras. Aqui na Academia, você pode escolher o que mais lhe agrada entre livros de todos os tempos, autores, editoras e assuntos. 

Responda ao teste como uma divertida brincadeira, boa leitura e boa viagem!
Dicas: anote suas respostas em um papel, some os pontos e confira os resultados ao final deste post.

1. Seu programa preferido durante uma viagem é:
a) Visitar museus e conhecer um pouco da história de cada local.
b) Realizar atividades radicais. Está sempre em busca de adrenalina!
c) Observar os costumes dos moradores do local.
d) Descobrir as lendas e mistérios por trás de cada lugar visitado.
e) Conhecer pessoas e fazer amizades.

2. Você acaba de ser sorteado e o prêmio é uma passagem com destino a sua escolha. Para que lugar você iria?
a) Ficaria em dúvida. Seu desejo é fazer um mochilão por vários lugares.
b) Qualquer destino da Europa. Adoraria ver de perto toda a cultura do velho mundo e conhecer mais sobre seus antepassados.
c) Vaticano. Seu sonho é estar no cenário tradicional do catolicismo.
d) Itália: paraíso de grandes poetas como Lorenzo de Médici e Dante Alighieri, e lugares românticos como Veneza.
e) Uma cidade brasileira. Sua vontade é conhecer mais sobre os costumes e a cultura nacional.

3. Se fosse possível viajar em uma máquina do tempo, para que ano você iria?
a) Permaneceria no atual. Gosta da vida moderna.
b) Adiantaria o relógio. Iria para o próximo século somente para experimentar as novidades tecnológicas.
c) Voltaria ao século XII e participaria de uma Cruzada a fim de desvendar os novos mundos.
d) Retornaria ao momento exato do surgimento do homem para descobrir, de fato, como tudo aconteceu.
e) Século XV. Certamente, participaria de todos aqueles bailes da nobreza que ocorriam em luxuosos castelos.

4. O que não pode faltar em uma viagem?
a) O livrinho “100 minutos de sabedoria” para ler uma frase antes de dormir.
b) Um affair. Nada como um amor de verão.
c) Histórias engraçadas para contar no regresso.
d) Visitas a locais turísticos e históricos.
e) Aventura e muita adrenalina!

5. Que traço de personalidade uma pessoa precisa ter para se tornar um potencial companheiro de viagem?
a) Espírito de aventura.
b) Bom humor. Uma viagem é para ser divertida.
c) Curiosidade. Só assim é possível fazer verdadeiras descobertas em uma viagem.
d) Companheirismo. É preciso ter disposição para estar junto em todos os momentos da viagem.
e) Ausência de preconceitos. A pessoa precisa estar disposta a receber novas informações e vivenciar a cultura do local.

6. Qual dos títulos abaixo mais chama sua atenção?
a) “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”.
b) “Os homens não são máquinas”.
c) “De cabeça para baixo”.
d) “Jerusalém”.
e) “Histórias de detetive”.

Tabela de pontos:
1. a = 3; = 2; c = 0; d = 4; e = 1.
2. a = 2; b = 3; c = 4; d = 1; e = 0.
3. a = 0; b = 2; c = 3; d = 4; e = 1.
4. a = 4; b = 1; = 0; = 3; e = 2.
5. a = 2; b = 0; c = 3; d = 1; = 4.
6. a = 1; = 3; = 0; d = 4; e = 2.



De 0 a 4 pontos – Contos e Crônicas
Não é que você não goste de uma dose de ficção e fantasia mas seu maior interesse são mesmos os acontecimentos reais e diários. Perceptivo e atento aos detalhes, você gosta de analisar tudo o que acontece ao seu redor. Você tem sede de conhecer os costumes e culturas de outros povos. Como um cronista que expõe sua visão de mundo nos textos, você gosta de tecer críticas e comentários sobre os mais diversos assuntos. Algumas dicas de autores para essa viagem são:Fernando SabinoCarlos Drummond de AndradeRuben Braga e Arnaldo Jabor. Boa leitura!



De 5 a 9 pontos – Romances e Poesias
Sua vida é movida à romance. Apaixonado convicto pela vida, é provável que você seja uma pessoa bem emotiva. Em suas viagens, gosta de estar sempre acompanhando e também de conhecer gente nova e fazer amizades. Ao ler um livro, se atém às páginas que transbordam fortes emoções. Os romances e as poesias têm tudo a ver com você. Algumas dicas de autores para essa viagem são: Cecília MeirelesFernando PessoaMário Quintana e Machado de Assis. Boa leitura!




De 10 a 14 pontos – Suspenses e Policiais
Não surpreenderia se sua vida virasse o enredo de um livro de ficção – daqueles bem fantasiosos. É que você adora uma aventura e qualquer experiência que gere adrenalina! Quando o assunto é viagem, você não tem um só destino. O mundo é o limite. Com esse espírito aventureiro, que tal um mochilão? Só não esqueça dos livros a tiracolo. Algumas dicas de autores para essa viagem são: Agatha CristieFranz Kafka e Stephen King e Luiz Alfredo Garcia Roza. Boa leitura!




De 15 a 19 pontos – Históricos e Biográficos
Não resta dúvida de que os fatos históricos exercem verdadeiro fascínio sobre você. É bem provável que, em algum momento da sua vida, você já tenha desejado voltar no tempo só para reviver as experiências de nossos antepassados. Através dos livros históricos e das biografias é possível fazer uma verdadeira viagem na máquina do tempo e ter relatos fiéis de nossas maiores conquistas ao longo dos séculos. Algumas dicas de autores para essa viagem são: Jean-Paul SartreAlbert CamusMax Frisch e Eric Hobsbawn. Boa leitura!





De a 20 a 24 pontos – Religiosos ou esotéricos
De espírito curioso, você adora ler sobre os mistérios da vida e do próprio ser humano. Através de suas vivências e leitura busca autoconhecimento e informações de tudo que envolve a criação do mundo, do homem e de suas crenças. Os livros esotéricos ou religiosos fazem o seu perfil. Algumas dicas de autores para essa viagem são: Jerry JenkinsGesiel JuniorWilliam Blake eGoethe. Boa leitura!





Gostou deste post? Então comente sobre o resultado do seu teste e compartilhe com os demais leitores do blog os títulos das obras que separou para essas férias.





#Fonte: Estante Virtual


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25/12/2013

Feliz Natal!!!!!



Em nome de toda a equipe da Academia Literária DF...





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24/12/2013

Harry Potter chega aos palcos


Para quem acreditava que Harry Potter havia chegado ao fim em julho de 2012 quando seu ultimo filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte parte II, foi exibido nos cinemas não poderia estar mais enganado, a história do bruxo irá ganhar agora os palcos de Londres.

A peça tratará da difícil infância de Harry com seus ‘adorados’ tios Dursley até o momento em que descobre a existência do maravilhoso mundo bruxo e ingressa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
J.K. Rowling trabalhará junto com Sonia Friedman e Colin Callender para produzir o espetáculo, a autora irá colaborar na construção do roteiro porém não irá escreve-lo.

 “Ao longo dos anos, recebi inúmeras propostas de tornar Harry Potter uma produção teatral, mas a visão de Sonia e Colin foi a única que realmente fez sentido para mim, e que teve a sensibilidade, intensidade e intimidade que achei apropriada para trazer a história de Harry ao palco. Depois de um ano planejando, é empolgante ver esse projeto indo para a próxima fase”, explica J.K.

Se tudo correr bem a peça irá estrear em 2014, infelizmente para nós, fãs brasileiros, a principio a peça será exibida apenas em Londres.


Vale lembrar também que as surpresas para os fãs de Harry Potter não começaram aqui, há alguns meses foi anunciada a produção do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam. Leia mais aqui



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23/12/2013

Como fazer uma árvore de Natal com livros?


Que tal fazer uma árvore de Natal com livros? Muitas livrarias aproveitam a época de Natal para decorar os livros em formato de árvores e porque não fazemos isso também para a casa das pessoas que têm muitos livros?

O melhor de tudo é que para realizar esta decoração é simples, barata e você pode adicionar todos os enfeites que desejar. Claro que isso depende do seu gosto e do seu bolso, podendo também deixar apenas os livros. Vamos conferir o passo a passo e dicas básicas:



Materiais:
Livros, Livros e muitos livros
Estrela para o topo
Luzes natalinas (opcional)
Enfeites (opcional)


Passo a passo:
De início precisamos de paciência e tranquilidade. A ideia é fácil e buscamos que fique tão magnífica como nas imagens vistas.


1° Passo
Separar uma coleção de livros de todos os tipos e tamanhos. Pequenos livros, enciclopédias, livros espessos e papéis até pequenos para uso em livros superiores.

Tendo feito a difícil tarefa de encontrar todos os livros necessários para iniciar esta ideia, estamos quase prontos para começar a colocá-los na pilha, tendo feito mais cedo, claro, uma separação por  livros grandes e espessos, livros pequenos e finos, tem uma melhor visualização do que irá para base e do que ficará por cima.


2° Passo
Colocar livros grandes e grossos na base.
Para iniciar a árvore, começamos a colocar livros grandes e grossos como uma base, formando um círculo sobre o tamanho que você preferir. Execute a circunferência com capricho, dependendo de quão grande você deseja ser o desenho da árvore. É necessário também colocá-los "entrelaçado" (formando um x).

3° Passo
Colocar livros pequenos e finos (menores).
Como a árvore cresce, deve-se apenas colocar livros menores, tentando imitar a imagem de um pinheiro. ATENÇÃO: cuidado para não derramar a pilha de livros feitas anteriormente, é necessário prestar muita atenção a este trabalho, por simples como parece.


4° Passo
Colocar luzes pisca-piscas
Por fim, basta colocar em volta as luzes conforme o seu gosto. A maioria prefere colocar luzes grandes e coloridas para chamar a atenção, mas dependendo do tamanho da sua árvore de Livros, luzes pequenas podem dar um tcham também.

5° Passo
Enfeites.
Enfeite com tudo que você preferir, bonecos, bolas, estrelas, entre outros.



Pronto para usar em casa! 
Uma das mais simples e encantadoras ideias. Agora que você sabe, basta encontrar alguns livros, alguns clássicos, luzes de Natal, e fazer conforme seu gosto e torná-la a árvore de Natal mais atraente. Experimente! Aposto que vai se encaixar perfeitamente em qualquer ambiente e o melhor de tudo que ao passar a data de Natal, desarmamos a árvore e os livros estarão intactos e voltaram ao seu lugar, em uma prateleira, à espera de serem lidos. 

Experimente e Mande uma foto para a Academia Literária DF do seu resultado! academialiterariadf@gmail.com!


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20/12/2013

ENTREVISTA: Renato C. Nonato

Bom dia, leitores! Hoje é dia de entrevista! Convidamos nosso autor parceiro Renato C. Nonato para responder algumas perguntas sobre sua vida e carreira como escritor. Vamos conferir?



Academia: Vamos começar perguntando sobre você. Começou a escrever com 16 anos. Qual foi o “gatilho” para o início de sua carreira como escritor?
Renato: Na verdade eu escrevo desde sempre, mas aos 16 anos foi quando deixei de lado os gibis e contos curtinhos para me dedicar aos livros. Tudo começou depois que li Os Sete do André Vianco, foi o primeiro livro de ficção nacional que li e me fez pensar: “Caramba, brasileiros também escrevem coisas do gênero? Por que não tentar?”, e deu no que deu.

Academia: Qual foi sua primeira tentativa de escrever algo profissionalmente?
Renato: Eu comecei uma história de agentes secretos, mas nem lembro direito como era, no fim meu computador teve que ser formatado e perdi tudo, ou melhor, não perdi nada, porque a história era muuuuito ruim.


Academia: Como leitor, quais são seus gêneros preferidos? E quais seus escritores prediletos?
Renato: Eu gosto do combo fantasia/ficção/terror. No campo nacional gosto muito do André Vianco e do Eduardo Spohr. No campo internacional eu costumo revezar muito os autores, atualmente estou curtindo muito as histórias do James Dashner (Maze Runner) e do Justin Cronin (A Passagem)

André Vianco influenciou novos escritores
Academia: Vimos que você é um grande fã do autor André Vianco. Em que ele te influenciou na sua
carreira? De que forma?
Renato: Como eu disse, essa maluquice toda de me aventurar em livros foi culpa dele!

Academia: Conte-nos como surgiu a ideia de escrever o livro “Terras Metálicas”.
Renato: Terras Metálicas começou com a ideia de um conto curtinho sobre pessoas vivendo embaixo da terra por conta de alguma catástrofe que ocorreu na superfície. Acontece que em muitos casos as histórias ganham vida e Terras Metálicas foi um desses casos, meu conto de 10 páginas sobre a Esfera ficou 20, depois foi para 30, 40, 50 e quando eu vi já tinha enredo para um livro inteiro. Aí não teve jeito, tive que escrever.

Academia: Como foi o processo de criação dos personagens? Se inspirou em pessoas reais? Ou tudo veio de sua imaginação?
Renato: Eu sei que é impossível dizer que não foram inspirados em pessoas reais (porque no fundo tudo tem uma inspiração real, mesmo que seja algo subconsciente), mas eu tentei fazer um grupo que se completasse, então ao mesmo tempo que temos a Raquel que é corajosa e não liga muito para as regras, temos o Tales que é medroso e o Ângelo que é certinho, o Ângelo também pensa muito nas consequências das coisas, coisa que a Camila já não pensa. Enfim, tentei fazer de uma forma que o grupo se completasse.

Academia: Em “Terras Metálicas” você aborda um tema importante: a capacidade humana de destruir seu próprio mundo. Quais mensagens você pretende passar com sua história?
"Quando nossas ações transformam a Terra em

um caldeirão radioativo, resta buscar refúgio abaixo da superfície"
Renato: Uma das personagens, a Isabela, faz essa reflexão no livro. Afinal se a Esfera nasceu por conta da destruição que a humanidade infringiu a si mesma, e os herdeiros dessa raça que hoje habitam o mundo de Terras Metálicas não fazem nada além de seguir os mesmos passos, como dizer que a Esfera não irá pelo mesmo caminho de destruição? Essa é a principal mensagem que quero passar, a ideia do legado, como as nossas ações hoje influenciam no futuro, muitas vezes não num futuro imediato, mas num futuro mais distante, às vezes nem no nosso futuro, mas dos nossos descendentes.




Academia: Você elegeu a Ficção Cientifica como o gênero da sua obra de estreia. Você é um grande fã e entusiasta desse gênero? Quais são suas obras de referência?
Renato: Na verdade isso foi classificação da editora e eu ainda travo uma guerra com ela para mudar o gênero para o infanto juvenil. Não que eu negue que Terras Metálicas é uma ficção científica, mas eu acabo caindo no estereótipo e as pessoas compram acreditando ser um livro estilo “Isaac Asimov” e encontram um “Harry Potter”, e como eu sempre digo que a pior coisa para se ler um livro é a expectativa isso pode acabar marcando o autor. Mas enfim, não nego que ficção científica seja um gênero que gosto, Neuromancer e O Guia do Mochileiro das Galáxias são histórias incríveis!

Academia: Entendemos que há um grande processo entre escrever um livro e ele chegar às livrarias. Quanto tempo se passou desde a ideia inicial até a chegada do livro na mão dos leitores?
Renato: Foram 2 anos desde a concepção até o fim de Terras Metálicas, mais 1 ano conversando com editoras e acertando os preparativos para o lançamento.

Academia: Haverá continuação para “Terras Metálicas”? Se sim, existe alguma previsão de quando o próximo volume chegará aos seus leitores?
Renato: Sim, “Terras Verdes” vem aí com certeza! Na verdade já estou no finzinho da história, aí entra o processo de revisão e acertar novamente com a editora, mas garanto que a espera vai valer a pena.

A cara da nossa resenhista ao saber da notícia.

Academia: Algum projeto em andamento que não tenha ligação com o universo de “Terras Metálicas”? Podemos esperar um novo livro para breve?
Renato: Sim, tenho outros livros em negociação com editoras, mas estou aproveitando para aprender tudo que deve ser aprendido com Terras Metálicas para só então embarcar num outro livro. Ah, mas garanto que não vai demorar muito tempo não.

Academia: Pretende continuar na Ficção Cientifica ou você tem na gaveta histórias de outros gêneros?
Renata: Eu também sou um amante do gênero terror, mas ainda acho que preciso amadurecer algumas coisas antes de me aventurar num livro solo, mas com certeza é algo que gostaria de fazer.


Academia: Como você classifica o mercado literário nacional? Enfrentou dificuldades para publicar seu livro?
Renato: Apesar de muitos avanços terem sido feitos nos últimos tempos, o mercado ainda é bem restrito para autores nacionais no que diz respeito a presença em grandes livrarias. Por que não existe milagre, por melhor que seja a divulgação online nada como entrar numa livraria e ver um livro exposto nas ilhas de novidades dentro delas, e isso infelizmente ainda é território dos estrangeiros, o que eu acho uma grande bobagem.

Livro do autor Jorge Lourenço
Academia: Qual autor (a) você indicaria para ser nosso “Parceiro da Academia”?
Renato: Nossa que honra! Já que falamos bastante de ficção científica, indicaria com toda certeza Rio 2054 do Jorge Lourenço, ainda estou zonzo com a quantidade de reviravoltas que houveram nessa história!

Academia: Para finalizar, primeiro, queríamos agradecer pela parceria e colaboração com a Academia. Gostaria de deixar um recado para os aspirantes a escritores? E para seus leitores?
Renato: Primeiro quero agradecer a todos que leram essa entrevista até aqui e dizer que foi um prazer participar com a Academia (Academia que por sinal é o mesmo nome da escola existente em Terras Metálicas ^^). Para os aspirantes a escritores (assim como eu!) não tem muito segredo, vocês precisam ler e escrever, de tudo, não é porque você escreve sobre fantasia que sua história não vai ter romance ou mesmo aventura, quanto mais gêneros você ler e escrever mais fácil será na hora de escrever seu livro. Já para os leitores do Terras Metálicas só há uma coisa a dizer: Espero que se divirtam muito lendo o livro!


Obrigado, Renato! A Academia Literária DF agradece sua participação, atenção e carinho dedicados a essa parceria. Sucesso na sua carreira.



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18/12/2013

CONTO - O Beijo dos Elfos



Título: O Beijo dos Elfos
Classificação: Livre
Gênero: Fantasia
Sinopse: Os boatos de uma guerra próxima são verdadeiros. Mas nada com a qual abateria o romance de dois jovens elfos. Uma guerra de todos contra todos estava para emergir, e um banho de sangue cobriria até mesmo os límpidos céus azuis. A questão é: Qual caminho deve-se trilhar?


O Beijo do Elfos

A neve estava incessante durando três semanas consecutivas, deixando as pontas de suas orelhas totalmente congeladas. Arato corria por entre as árvores como uma raposa sem nenhum barulho possível, seus pés quase não tocavam o chão, pois parecia flutuar sob a camada grossa de neve naquela floresta densa e gelada. Sob suas costas pendia uma aljava com flechas brancas e penas negras, e nas mãos carregava um majestoso arco branco com pequenos entalhes delicados em dourado. Corria o mais rápido que podia, o vento gelado estava paralisando seus movimentos, o deixando um pouco frustrado, estava a horas trespassando por entre os grandes troncos de carvalho e galhos feitos braços que tentavam lhe atrasar, mas com um único pensamento que sempre fortalecia e revigorava sua alta resistência. Márë. Mas logo outra ideia lhe invadiu a cabeça. Estavam surgindo rumores de uma guerra eminente, dos homens contra os gigantes, dos anões contra os elfos, e dos homens contra homens. Uma guerra de todos contra todos estava para emergir, e um banho de sangue cobriria até mesmo os límpidos céus azuis. Não restaria nada. Mas não era de seu feitio fugir da batalha e sabia que ela também não fugiria.  Estavam há dias sem se encontrarem. Márë viajara com as tropas do renovável Rauthar, Lorde da floresta de Atlas ao sudeste de Alfheim, para reconhecimento de novas áreas. Avistou a frente um vulto. Rápido e Ágil assim como ele. Parou por um momento e se escondeu atrás de uma árvore. Automaticamente tirou uma flecha da aljava e a posicionou para o ataque. Só o que ouvia era o som de uma coruja por perto. Decidiu que mudaria de arvore, pois ficar em um único lugar daria a sua localização. Virou-se rapidamente apontando o arco e pulou como um gato para outro tronco. Sua audição aguçada receptou um estalar quase imperceptível naquela floresta. E então ouviu uma voz doce e conhecida. __Arato?     ---Ela perguntou, mas ainda não saiu de onde estava escondida. Ele sabia quem era e sabia que estava tudo bem agora. Levou a flecha de volta à aljava e então se prontificou. Não percebeu, mas estava na devida clareira onde marcara o encontro. Olhou para os lados, mas não há viu, caminhou uns dez metros e então ela saiu de trás de uma das árvores. Como sempre, dona de uma beleza magnífica, o diadema na testa prateado em harmonia com sua roupa de batalha. Chegou junto dela e lhe abraçou fortemente. Ele sabia que qualquer hora um dos dois poderia morrer seja em batalha ou em expedições rotineiras, e sentiu-se aliviado de tê-la mais uma vez em seus braços. __Estou feliz em vê-la... Senti sua falta assim como senti falta da natureza em terras inóspitas e inabitáveis por terríveis criaturas.     --- Ela deu-lhe um sorriso aveludado. Mas antes de dizer algo virou o rosto e assoviou. Ouviram o bater de asas de um animal de médio porte. E logo sua coruja pousou num galho baixo perto observando com a cabeça virada de lado como de costume das corujas, observando o casal. Ele viu que em seu pescoço havia um filete de sangue seco. __O que aconteceu?     ---Ela pousou uma das mãos no ombro dele.
__Os boatos de uma guerra próxima são verdadeiros. É por isso que estamos tentando achar lugares mais distantes para proteção dos antigos. Tudo esta um caos Arato... E estamos no meio desta empreitada.      --- Ele pensou por um instante. __ Não é o meu sangue... Lutamos bravamente no coração da cidade de Alfheim antes de partimos... Perdemos alguns, mas conseguimos derrotar o contingente inimigo.    --- Ele estava calmo como de costume, passou delicadamente a mão nas bochechas geladas dela e a beijou. Sentiu o calor trespassar entre os corpos um rente ao outro. Depois sentiu em suas mãos o cabelo dela macio feito algodão. Depois se entreolharam com sabor de quero mais. __Venho de Mupelsheim... As coisas estão agitadas lá também.
__Entendo. Eu não queria uma época como essa que chega mais rápido que o abate de uma águia, mas...      ---As palavras dela foram levadas pelo vento. Arato lhe respondeu. __Irei para Midgard... Vou encontrar um homem influente afim de uma aliança com meu Lorde.
__Não. Venha comigo... Viaje com minha tropa, vamos lutar lado a lado, como nos velhos tempos...
__Não sei se devo desobedecer a esta ordem...  Poderia cair no conselho dos nove...    ---Ela deixou que escapa-se uma lagrima. E disse com firmeza por fim. __ Nai anar kaluva tielyanna... E que as estrelas tragam-me de volta o meu coração...      --- Eles se abraçaram. Ele estava com o coração apertado. Queria seguir com ela, mas não podia ceder as ordens de seu Lorde. O impasse e a indecisão bateram a porta pela primeira vez. Mas sabia no fundo de sua alma o que devia fazer.  Curvou-se levemente e tirou do bolso um colar de pedrarias vermelha. Colocou o colar na mão dela gentilmente. __ Você se lembra de quando nos encontramos pela primeira vez? Você lembra as palavras que eu disse?   ---Ela disse sim com a cabeça. __Eu vou estar onde meu amor está.   --- Abriram um sorriso. Beijaram-se mais uma vez.





Autora: Agatha Ribeiro

Idade: 18 anos

Localidade: São Paulo

Redes Sociais:  Facebook

Quer saber como enviar o seu conto? Clique aqui.


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16/12/2013

Eu Amo Escrever, e você?



Qual o sentido da escrita? Por que escrever? Muitas vezes, quando debruçado em uma mesa, no sofá, na cama ou em qualquer lugar onde encontramos inspiração, pensamos muitas vezes em várias ideias ou até mesmo sobre um mesmo tema.
E se pergunta constantemente: por que não escrevo sobre isso?

O princípio e motivo básico da escrita é a expressão: de um pensamento, de sentimentos, de conhecimento, de uma reflexão, etc.

Podemos dizer que a escrita é a exposição verbal do que poderíamos ter dito! Também podemos alterar o velho ditado “Algumas coisas não precisam ser ditas para serem entendidas” para “Há coisas que precisam ser escritas e não faladas!”.

A escrita, então, é como o escape daquilo que está dentro de nós! Portanto, para a maioria é uma satisfação tê-la como algo natural ao homem, intrínseco.

Contudo, há aqueles que encontram dificuldades em escrever, o que quer que seja! Falta-lhes gozo pela leitura, sentem aprisionados à folha branca! A escrita é um experimento, quanto mais se escreve, mais se quer escrever! Assim também, quanto mais se lê, mais se quer expor o que aprendeu, o que pensa a respeito daquilo que leu!

Mas, se ainda assim não encontrou motivos para escrever, vamos citar alguns que inspiram normalmente nossos leitores e autores:

Escrevemos:

- quando estamos tristes;
- para desabafar;
- nem que seja apenas para ficar naquele pedaço de papel;
- quando estamos alegres e precisamos contar o que sentimos a respeito daquela vitória conquistada;
- para contar um segredo, mesmo que seja só para o diário;
- para dizer que estamos apaixonados;
- para dizer que amamos alguém;
- porque ficamos com saudades;
- porque um amigo foi morar em outro estado ou outro país;
- para felicitar um nascimento e para parabenizar um aniversariante;
- para deixar uma lembrança para alguém;
- para consolar um amigo;
- para encorajar um irmão;
- para nos sentir mais próximos da família;
- porque desejamos passar em um concurso, seja vestibular, seja para um órgão público ou uma empresa particular;
- para criar histórias;
- para estar em um mundo imaginário;
- para rir, chorar, se aventurar....
- para nos expressarmos melhor!

Escrever, portanto, é um ato de conquista também! Através da escrita adquirimos objetos desejados, o que faz do ato de escrever parte importante da realização de nossos sonhos!

“Para mim, escrever comporta um sentido de aventura, de contato sobretudo com o inesperado, como aquele evocado por Ali Babá com as palavras mágicas: Abre te sésamo, como se a escrita  sempre estivesse a me apontar uma saída possível.” (Trabalho de Marizabel Santos Almeida “Porque Escrever?”)



E então, encontrou sentido em escrever? Leia e escreva, pois quem tem esses dois hábitos é mais ouvido, é mais apreciado e mais experiente e, portanto, sai na frente!


Fonte: BrasilEscola
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13/12/2013

Dark Writer, capítulo 1



Bom dia, leitores! Lembram-se que eu falei sobre o escritor misterioso Dark Writer? Pois bem, consegui uma cópia do primeiro capítulo do livro que ele pretende lançar com o apoio de Barry Cunningham. Vamos conferir o que podemos esperar do escritor sem rosto?


Sinopse: Mary Prince é uma jovem londrina de 16 anos que, durante um ano de acontecimentos estranhos em todo o planeta, se vê obrigada a acompanhar a família em uma viagem de verão rumo ao norte da Inglaterra. Após algumas circunstâncias imprevistas que tornam a viagem ainda mais exaustiva para Mary, como o maçante engarrafamento provocado pela queda do meteorito que destruiu a torre do Big Ben, uma forte luz aparece à frente do carro onde ela está com a família e muda sua vida por completo. O pai tenta frear, mas o veículo desliza pela pista molhada e rodopia em meio ao clarão enquanto gritos de horror rompem o silêncio. Ao recobrar a consciência, a garota se vê em um local completamente diferente de onde estava antes e não encontra os pais em parte alguma. Em seu pescoço agora há um misterioso medalhão de prata e ela passa a ter que enfrentar monstros ao mesmo tempo em que encara seus próprios medos.

                                      
                                    A luz na estrada


Mary Prince acordou quando os primeiros raios de sol despontavam no horizonte, pois um deles, após ter se infiltrado pela cortina entreaberta, penetrou no grande quarto e incidiu do lustre até a escrivaninha, fazendo os olhos da jovem se abrirem para a claridade de uma nova manhã.
Do andar inferior as vozes dos pais discutindo subiam, provavelmente seu pai estava irritado com a quantidade de coisas inúteis que estavam sendo levadas nas malas de viagem. A garota se espreguiçou, esforçando para afastar o sono; foi dormir tarde na noite passada, já que que ficou ajudando sua mãe a fazer as malas para a tradicional viagem de férias de verão. Sentou-se sobre a cama, mas sentiu seu corpo pedir por mais horas de sono. Sua imagem refletiu no espelho do guarda-roupa; ela era uma garota muito bonita, como quase todas as garotas de dezesseis anos de seu bairro. Os olhos cinza-prata contrastavam com a pele branca, o cabelo comprido e louro estava todo desgrenhado depois de muitas reviravoltas sobre o travesseiro por causa de pesadelos sinistros e medonhos, mas isso ela já não se recordava.
                - Bem, acho que decididamente eu não sou nada bonita de manhã - disse lançando um olhar desanimado ao espelho, como se ele pudesse escutá-la.
                   Colocou seus pés descalços no chão gelado e caminhou lentamente até janela, correu a cortina, e deixou a claridade do dia entrar por completo no quarto. O céu estava muito azul e o sol brilhava forte no horizonte, mas isso não foi surpresa, pois as altas temperaturas na Europa estavam batendo recordes jamais alcançados antes e os telejornais não economizaram em notícias sensacionalistas para anunciar que hoje seria o dia mais quente que Londres iria registrar em sua história.
                   O jardim de sua mãe estava uma beleza devido ao tempo ensolarado. Borboletas coloridas voavam lá embaixo, sobrevoando as flores bem cuidadas e a cascata artificial que desaguava na piscina, que por sua vez, pedia um mergulho, convidativa e cristalina. Ao ver isso, Mary desejou mais ainda que seus pais permitissem que ela ficasse em casa naquelas férias. Era muito melhor passar um mês se divertindo em festinhas em sua casa com pessoas de sua idade do que passeando a cavalo com os pais em algum canto isolado e sem graça da Inglaterra.
                    - Filha, é bom você se levantar! Combinamos estar bem longe de Londres muito antes das oito horas - gritou seu pai com sua habitual voz grave.
                    - Já estou indo - respondeu impacientemente.
Mary despiu a camisola e correu para o banheiro, escovou os dentes e depois se enfiou debaixo do chuveiro. Sentiu a água fria descer pelo seu corpo, aquela sensação agradável a fez se sentir mais sonolenta ainda, tudo que queria naquele momento era continuar dormindo em sua confortável cama. E imaginar que teria que passar as horas seguintes dentro de um carro não era nada agradável.
                 Poucos minutos depois, a garota estava descendo a escada para o primeiro andar de sua casa, seu cabelo ainda pingando água por causa da falta de tempo para enxugá-lo; seu pai gritava de segundo em segundo para que descesse logo.
                 - Achei que tivesse morrido afogada dentro da banheira - disse ele quando ela mal sentou à mesa para o café da manhã. - Você assistiu as recomendações do ministro para o racionamento de água.
                 - Mas eu nem demorei muito, pai - defendeu-se ela.
                 Sua mãe estava verificando se as duas janelas da enorme cozinha estavam realmente fechadas, pois os empregados responsáveis pela manutenção do jardim e limpeza da mansão só iriam chegar dali a três dias.
 - A ultima coisa que quero, quando voltarmos das nossas férias, é descobrir que nossa casa foi assaltada - dizia ela checando as fechaduras.
               - Mãe, dos dez anos que moramos aqui, nunca ouvi falar em nenhum caso de assalto - disse Mary enquanto passava geléia de morango no pão.
               - Às vezes acho que sua mãe tem síndrome do pânico - comentou seu pai tentando conter o riso, mas sem sucesso.
              - Não achei a mínima graça, Charles - retrucou sua mãe em tom sério.
              - É que você é mal humorada, Alice - disse seu pai abrindo um sorriso ainda maior no rosto. Mary sabia que se tinha uma coisa que ele adorava, era irritar sua mãe.
               - E como você quer que eu fique bem humorada com um calor desses?! Sinceramente, não sei como os países tropicais sobrevivem com temperaturas tão altas - Alice sentou à mesa e encheu uma xícara de chá. - Mas isso tudo tem um lado positivo; sobrou mais espaço pros sapatos de salto alto na minha mala, já que não precisaremos de tantas roupas de frio para suportar as conhecidas temperaturas baixas do norte.
               - Sapato de salto alto pra quê? - perguntou Mary, mal acreditando no que escutou. - Nós vamos viajar para um hotel que fica no interior da Inglaterra. Não haverá nenhuma festa ou algo parecido para irmos bem vestidas. A não ser que leve sapato de salto alto pra andar a cavalo.
                - Uma boa ideia - falou Charles em tom irônico.
                - Mas pode acontecer algum imprevisto - disse sua mãe ignorando o comentário do marido. - Então, quando terminar o desjejum, pode subir para o quarto e escolher algum sapato de salto alto para pôr na sua mala também.
                Mary lançou um olhar desanimado à mãe.
                 - Tem certeza de que eu tenho que ir com vocês nessa viagem babaca? Eu já tenho dezesseis anos, não sou mais aquela garotinha de seis anos que gostava de ir pra fazenda no interior e cavalgar com o papai e a mamãe. Por favor, me deixem ficar - disse em tom de súplica.
- Mary, a gente sempre viaja nas férias de verão juntos, e esse ano não será diferente - disse seu pai terminando de beber o chá e colocando a xícara vazia sobre a mesa de vidro. - E será assim até você ser maior de idade e poder fazer suas próprias escolhas, mas enquanto morar debaixo do nosso teto será do jeito que eu e sua mãe quisermos. E já tivemos essa mesma discussão ontem, estou cansado desse assunto de você não querer viajar.
              - E no fim você vai acabar gostando - falou sua mãe.
              - Por que a gente não viaja pra um lugar mais divertido ao invés de ir pra um hotel no interior? Vocês escolheram muito mal nosso destino de férias este ano - continuou Mary irritada. Ela sabia que estava discutindo em vão, que no final seus pais iriam obrigá-la a viajar mesmo a contragosto.
              - O interior é calmo, vai tirar o estresse dessa cidade agitada da nossa cabeça.
              - Eu não quero passar as férias num lugar calmo, mãe. Se ao menos eu pudesse levar meu smartphone, mas nem isso vocês querem deixar.
              - Não, mesmo - sentenciou Alice. - Nada de smartphone, laptop ou qualquer outra coisa que possa nos manter conectados com a loucura desse mundo moderno. Vamos passar semanas de puro sossego, é pra isso que férias servem.
              - A conversa está boa, mas já passou da hora de pegarmos a estrada - falou Charles. - Vamos pegar as malas e levar para o carro.
              - Vai começar a tortura - disse Mary desanimada, erguendo-se da cadeira para pegar o sapato de salto alto em seu quarto.
              A garota tinha muitos pares de sapatos no guarda-roupa, mas não teve dificuldade nenhuma para escolher o que iria levar pra viagem, pois pegou o mais feio e o mais velho. Tinha certeza de que não havia necessidade alguma de levá-lo porque não iria usar, mas não queria discutir com sua mãe. Jogou o sapato dentro da mala e fechou-a. Então segurou a alça e fez força para erguê-la e levá-la para o primeiro andar. Quase caiu na escada por causa do peso, mas recuperou o equilíbrio antes de descer rolando os degraus.
             Quando chegou lá embaixo descobriu que o peso de sua mala não era nada se comparado com o peso da mala de sua mãe. Seu pai fazia força para carregar a mala de Alice até o carro.
             - O que você pôs aqui dentro, Alice? Um elefante? - perguntou ele jogando a mala no porta-malas, seu rosto vermelho por causa do esforço. - Me diz de onde você tirou tanta roupa para lotar uma mala enorme desse jeito. A minha está praticamente vazia.
             - Você não precisa de secador pro cabelo - retrucou Alice.
            - Quantos secadores você está levando então, cem?! - perguntou ele rapidamente.
            - Não, estou levando só dois.
            - Você não vai usar metade destas coisas - disse ele, fechando o porta-malas, por fim.
            - Ela vai preparada, caso precise passear no shopping - disse Mary ironicamente, entrando na parte de trás do carro. Ela já estava acostumada com os mimos da mãe, pois seu pai e ela conviviam com aquilo todos os dias e, de certo modo, achavam divertido. Os avós maternos de Mary eram muito ricos e ainda existia o agravante de, assim como a própria Mary, Alice ser filha única, então não a culpavam por ser tão fútil de vez em quando.
O carro de viagem de sua família estava no ranking dos mais caros e modernos do momento. Suas portas duplas abriam para cima e suas poltronas eram feitas do mais fino couro, seu motor mega desenvolvido recebia ordens pela voz dos donos, mas o pai de Mary preferia dirigir manualmente. O veículo deslizou para fora da garagem, onde os dois carros de trabalho, um de Alice e o outro de Charles, foram deixados para trás. O portão automático da mansão abriu e o carro negro saiu para a rua.        
- Espero que os empregados cuidem bem da nossa casa - Mary escutou sua mãe dizer no banco da frente.
- Querida, eles sempre cuidam bem da nossa casa - falou Charles, enquanto ligava um dos dispositivos tecnológicos causadores do alto preço daquele automóvel no mercado.
                A fina tela multi-touch se ergueu do painel e ele tocou no item onde estava a sigla GPS, mas o que apareceu na tela de vidro foi algo muito diferente das costumeiras ruas londrinas.

                           Pedimos desculpas pela interrupção: o sistema voltará em breve.

- Outra vez isso está fora do ar? - indagou Charles, perplexo.
                As frequentes falhas no Sistema de Posicionamento Global estavam causando uma verdadeira dor de cabeça na população durante os últimos dois meses. Os motivos das interrupções nunca eram informados com precisão pelo Departamento de Defesa, o que só fazia aumentar os questionamentos e suposições.
                 - Escutei o alerta sobre isso ontem no telejornal, algo referente à alta temperatura estar causando dano no campo eletromagnético - comentou Alice.
               - Legal, mais um motivo pra gente não viajar! - Mary agradeceu interiormente.
               - Existem outros meios de se descobrir o caminho - disse Charles enfiando a mão no porta-luvas e pegando um mapa da Inglaterra, um sorriso satisfeito no rosto. - Barato e prático.
                Mary viu sua última esperança de não fazer a viagem ir por água abaixo. Desanimada, encostou a testa no vidro da janela e observou os vários casarões e apartamentos do bairro passarem um atrás do outro, os cachorros de raça de seus jardins latindo para o automóvel em que estava. Pouco tempo depois, o carro já havia saído do bairro e pegava a principal estrada que os levaria para fora da cidade.
                - Não acredito nisso - disse Alice.
                - Era tudo que precisávamos para tornar o dia melhor - falou Charles enquanto pisava no freio, parando o carro.
                O ânimo de Mary foi ao chão quando ela se ergueu para avaliar o tamanho do engarrafamento que iriam ter que enfrentar; uma fila interminável de carros se estendia perante seus olhos, tomando a pista até onde sua visão alcançava. As buzinas não paravam de soar e por toda parte guardas de trânsito tentavam pôr ordem naquela baderna.
- Pelo visto nós vamos passar horas nesse engarrafamento - disse ela desanimada.
                - Se tivéssemos saído mais cedo, como sugeri ontem, talvez não estivéssemos nesse trânsito - falou seu pai, parecendo irritado.
                - Agora vai me culpar por estarmos nesse engarrafamento? - perguntou Alice, em tom de quem também está irritada. - E já passou da hora de o prefeito dar um jeito no trânsito dessa cidade.
                - Acho que deve ter acontecido algum acidente - comentou Mary procurando algum sinal de fumaça que pudesse anunciar um incêndio ou qualquer coisa parecida, mas os altos prédios em volta impediam uma melhor visualização.
                - Tem de ser uma batida das feias pra deixar a cidade parada desse jeito - comentou Charles observando um guarda discutir com uma senhora que, aparentemente, queria contornar o carro visando passar por cima de um canteiro público.
                - Eu vou perder o café da manhã com minha nora, não posso me atrasar - gritava a velha, seus óculos escuros, que mais pareciam uma imitação dos olhos de algum inseto, se agitando sobre seu nariz. - Eu vou pegar outra pista que não esteja engarrafada.
                - A senhora não pode passar por cima do canteiro... ! - dizia o guarda, mas a idosa pisou fundo e seu velho carro de cor laranja contornou por cima do canteiro e foi para o outro lado da pista, deixando o guarda coberto de fumaça e terra.
                - A senhora vai... Cofff!... receber uma multa por isso! - gritou ele tossindo, enquanto pegava a prancheta e anotava os números da placa do carro.
                - É, nosso dia promete ser muito agitado - disse Mary boquiaberta, olhando para o pontinho laranja, o automóvel da coroa, que cada vez ficava mais distante. - Quero chegar à terceira idade com a disposição dessa senhora.

                O tempo foi passando, mas ao contrário do tempo, o automóvel onde estavam pareceu não sair do lugar. O trânsito ainda estava muito engarrafado e havia muita estrada pela frente. As buzinas dos carros soavam cada vez mais estressadas e impacientes, e os motoristas gritavam e xingavam, irritados. Mary já estava começando a ficar com dor de cabeça com aquela confusão toda, mas até agora o motivo do tráfego no centro de Londres estar parado não tinha sido anunciado. Nem os próprios guardas sabiam dizer, ou estavam tão nervosos e ocupados aplicando multas, que fingiam não ouvir as constantes perguntas que estavam sendo feitas. O sol se tornava cada vez mais quente no céu azul-anil e ainda nem era meio-dia. Dentro do carro estava abafado, e Mary, que estava deitada confortavelmente no banco de trás, sentia gotículas de suor se formando em sua testa.
                - Liga o ar condicionado, pai! - disse ela rapidamente, pois tinha acabado de lembrar do ar, e aparentemente seus pais estavam querendo tanto se ver fora daquele trânsito que, provavelmente se imaginavam numa sauna, deduziu a garota.
                - Como conseguimos esquecer o ar num calor desses?! - falou Charles, impressionado, apertando o botão para acionar o aparelho de refrigeração; o vento gelado logo começou a circular pelo veículo, deixando o ambiente mais fresco.
                Mary teve a ligeira impressão, pelo tom da voz de seu pai, que ele estava dormindo e só acordara porque a ouvira chamar.
                - Você estava dormindo? - perguntou ela em tom ameaçador e, ao mesmo tempo, achando engraçado. Sentou-se para poder ver a expressão no rosto dele, se era de sono.
                - Claro que não - disse ele esfregando os olhos e tentando não olhar para o retrovisor, onde os olhos muito claros da filha o avaliavam. - Imagina.
                - Por que a senhorita Alice Cavenglass está tão calada? - perguntou Mary teatralmente, pois acabara de escutar suspiros do banco a frente.
                - Pelo visto não era só eu que estava dormindo - disse ele olhando para o banco ao lado, onde Alice estava.
                Mary pôs a cabeça entre o espaço dos dois bancos da frente e olhou para o lado; sua mãe dormia feito um bebê, seu cabelo muito louro escorria pela sua face fina e muito branca. Suspirava baixinho, e por vezes movia as pálpebras como se as muitas buzinas que soavam em seu ouvido pudessem fazê-la acordar a qualquer momento.
                - Incrível como até dormindo ela é linda - disse seu pai apaixonadamente.
                - Claro, é minha mãe - disse Mary voltando a se largar na poltrona do carro. Foi quando percebeu que estava faminta. Olhou seu relógio de pulso, os ponteiros estavam se aproximando do número doze, o que significava que faltavam poucos minutos para o horário do almoço. - Pai, estou com fome.
                 - Eu sei, filha - disse ele enfiando a mão no bolso e tirando sua carteira. Pegou algumas notas e entregou a Mary. - Já está na hora do almoço. Eu tinha planejado almoçarmos em algum restaurante de beira de estrada, mas já que estamos no centro de Londres ainda, acho que você pode ir numa lanchonete e comprar uns sanduíches. Tenho certeza de que o carro não vai sair desta posição tão cedo, portanto tem tempo de sobra para escolher os melhores sanduíches e coisas gostosas que quiser.        
                - Voltarei logo - disse ela pegando o dinheiro e saindo do carro.
                A zoada que era escutada dentro do automóvel não era nada se comparada com a que fazia ali fora. As buzinas soavam mais altas do que nunca e os motoristas menos educados berravam com os guardas "Que diabos está acontecendo com esta cidade?!". O sol de meio-dia brilhava com toda potência e o ar quente que subia do asfalto fez Mary sentir como se estivesse dentro de um vulcão. A garota passou por entre os carros e chegou à calçada. Homens e mulheres passavam pra lá e pra cá com suas roupas estilosas, afinal estavam em Londres, um dos maiores centros financeiros do mundo, e Mary acabou tendo dificuldade para entrar numa lanchonete ali perto por conta do alto número de pessoas.
                - Aiê! - gemeu ela, pois mal tinha acabado de entrar pela porta de vidro do estabelecimento e já haviam esbarrado nela.
                - Desculpa, moça. Foi sem querer - disse o garçom, que estava equilibrando em uma das mãos uma bandeja cheia de batatas fritas e na outra segurava três copos cheios de suco de laranja. Por pouco tudo não havia caído, mas ele conseguiu se equilibrar a tempo de evitar o desastre.
                - Ah... não foi nada - disse Mary deixando o garçom de lado e indo em direção ao balcão para pedir os sanduíches.
                A movimentação na lanchonete era grande e demorou um pouco até que um dos garçons pudesse atender a garota.
                - O que deseja? - perguntou ele.
                Alguns minutos depois, Mary saiu da lanchonete tomando bastante cuidado para não esbarrar em nenhum garçom, pois carregava três sanduíches, três latas de refrigerantes e três pedaços de torta de amora. Passou pela porta da lanchonete e saiu para a calçada. A confusão continuava a mesma do lado de fora, e os transeuntes que passavam, ela pôde ouvir, não conversavam sobre outra coisa que não fosse o calor ou o motivo daquele congestionamento.
                - Não foi anunciado o motivo desse trânsito no telejornal e olha que eu passei a manhã inteira no sofá assistindo televisão - dizia uma mulher negra que passava de mãos dadas com um cara de cabelo louro muito claro. - Se eu soubesse que o centro estava tão agitado deste jeito, nem tinha saído de casa, ainda mais com esse calor infernal!
                - Nem para sair comigo? - perguntou ele rapidamente.
                - Por isso estou aqui, não é? - disse ela meigamente e os dois sumiram em meio à multidão.
                Mary achou o comentário da mulher muito estranho. O que será que estava acontecendo com aquela cidade? E por que não deram noticias sobre aquele engarrafamento no telejornal? Olhou para os carros presos no trânsito e, com um choque que fez sua boca se escancarar, percebeu que o carro negro de seu pai não estava mais ali.
                Ela correu para o meio dos carros, ainda tomando cuidado para não deixar o "almoço" que carregava cair. Era impossível que o carro tivesse se distanciado tanto daquele local, o trânsito ainda estava muito parado. Sentindo um alívio no peito, ela viu o carro negro e de grande porte da sua família a alguns metros à frente. Caminhou apressadamente até o automóvel, mas logo percebeu que alguém estava discutindo, e parecia ser a voz do seu pai.
                - Eu já disse que dou a grana pra pagar o pequeno estrago - dizia Charles, que estava fora do carro com um monte de notas na mão e aparentemente tentava entregar o dinheiro para um homem alto e branco que parecia estar possesso. - Aqui tem o dobro do valor do conserto desse amasso que fiz no seu carro, não há motivo para brigas. Eu estava distraído, foi isso.
                - Então você acha que é assim?! - retrucou o cara alto no mesmo tom de voz. - Acha que é bater no meu carro e que seu dinheiro vai consertar tudo?! Não, não vai! Não quero seu dinheiro!
                De repente o rapaz deu um soco na cara de Charles, que andou alguns metros para trás e caiu de costas no capô de um carro amarelo. O dinheiro que segurava, agora estava todo espalhado pelo chão.
                - Paaara! - gritou Alice de dentro do carro, parecia apavorada com aquela cena, como se nunca tivesse visto alguém levar um soco antes, principalmente se tratando de seu marido.
                Mary largou os lanches no chão e correu até o pai, para ajudá-lo. Enquanto isso, outros motoristas saíram de seus carros para apartar a briga. O cara alto parecia querer dar mais socos em Charles, mas quatro homens o haviam segurado e imobilizado. Charles se pôs de pé e, dispensando os cuidados da filha, voou para cima do cara. Alguns homens tentaram segurá-lo, mas sem sucesso, pois poucos segundos depois ele acertava um belo de um soco na cara do homem. Mary levou as mãos ao rosto e fechou os olhos ao escutar o barulho que o soco produziu, só voltando a abri-los pouco tempo depois.
                O homem alto e branco estava estirado no chão, parecia ter desmaiado com o soco de Charles. Os motoristas que haviam saído de seus carros se abaixavam em volta do homem para socorrê-lo, mas não parecia ter ferimentos graves em seu rosto.
                - Mary, vem para dentro do carro - disse Alice que observava tudo pela janela do carro, estava pálida e com a voz trêmula.
                Sem esperar uma segunda ordem, Mary correu até onde deixara os lanches e latas de refrigerantes, e com eles em mãos, entrou pela porta traseira do automóvel, batendo-a ao se sentar no banco.
                - Vamos deixar seu pai resolver essa história - disse sua mãe em tom preocupado. - Só foi uma batidinha, não era motivo pra confusão.
                - Papai estava meio sonolento - disse Mary observando um amassado no para-choque traseiro do carro da frente. Com certeza era o veículo do homem que brigara com seu pai. - Nossas férias irão ser bem legais - disse ela sarcasticamente, enquanto mordia um pedaço do seu sanduíche.
                Charles entrou no carro algum tempo depois com o olho esquerdo roxo e dizia que tudo tinha sido resolvido sem ser preciso ir à delegacia.
                - Ele aceitou mil libras como pagamento. Acho que está bem pago, não acha? - perguntou ele à Alice.
                Mas Alice não respondeu, apenas lançou um olhar feio e continuou calada. Mary sabia que sua mãe estava irritada com seu pai por ele ter batido no carro, e mais ainda por ter brigado no meio da rua. Algo no olhar dela fez Mary entender que não permaneceria em silêncio por muito tempo.
                - Bom, parece que o trânsito está começando a fluir - disse Charles transcorridos alguns minutos, ao notar que o automóvel estava começando a se mover com mais frequência.
                - Pra você bater em outro carro, seu barbeiro? - perguntou Alice irritada.
                - Amor, foi sem querer - disse ele lançando-lhe um olhar de "pobre coitado". - Eu estava morrendo de sono e fome.
                - E isso explica brigar no meio da rua como se estivesse em um ringue de boxe?
                - O cara me deu um soco no olho - disse ele alarmado, apontando para o roxo em seu rosto. - Eu não podia deixar barato.
                - Verdade, mãe - disse Mary lealmente. - Foi o homem que deu um soco primeiro. Papai só revidou, e você sabe disso porque viu tudo.
                - Me perdoa, querida? - perguntou Charles à Alice, mas Mary não pôde deixar de notar a piscadela que ele deu em agradecimento às palavras que ela dissera.
                - Claro que perdôo - disse Alice, e então deu um selinho nos lábios dele.
                Mary adorava quando seus pais se comportavam como se fossem dois adolescentes apaixonados, principalmente porque sabia o quanto os dois haviam lutado para ficar juntos. A começar pelo fato de seu avô materno, Christopher Cavenglass, nunca ter aprovado o namoro dos dois, pois seu pai não pertencia ao mesmo grupo social que a mãe e, para seu avô, isso era importante. Só depois de três anos de confusão, incluindo uma ameaça de fuga de Alice, o casamento dos deles finalmente foi aceito. Por isso Mary se orgulhava de ter sido fruto do amor dos dois, que conseguiram ficar juntos mesmo enfrentando tantos empecilhos, e olhou encantada aquela cena. Mas, quando Alice notou que sua filha os observava, parou o selinho instantaneamente, parecendo envergonhada.
                - O amor é lindo - comentou um Charles sorridente.

                O pai de Mary tinha razão, não demorou muito e o engarrafamento já estava bem mais fluido, mas mesmo assim era necessário parar o carro às vezes. Não havia mais aquela barulheira de buzinas e nem motoristas nervosos gritando e Mary sabia que não demoraria muito para saírem de Londres.
                - Aí está o motivo do engarrafamento! - disse Charles, quando entraram em uma das ruas mais famosas de Londres e se depararam com uma imagem surpreendente.
                - Minha nossa! - gritou Alice boquiaberta.
                Mary ficou paralisada e esfregou os olhos, talvez aquilo se tratasse de uma miragem ou qualquer coisa parecida. O Palácio do Parlamento, Westminster, estava à esquerda. Suas torres erguidas e elegantes como sempre, mas uma delas não estava tão erguida assim. A Torre do Relógio estava pela metade. O topo do patrimônio mundial, onde outrora se encontravam os ponteiros e o sino Big Ben, agora estava fragmentado no chão, saído de dentro dos limites do palácio e bloqueando grande parte da rua pela qual o carro teria de passar.
                - Foi um atentado terrorista! - Alice se apavorava cada vez mais.
                - Não, não foi - disse Charles entre o divertimento e o nervosismo, apontando para a fachada do palácio.
                - Um meteorito! - Mary se impressionou.
                Se fosse há alguns anos, aquela imagem teria causado o maior terror a Londres e a outras milhares de cidades do mundo inteiro, mas desde o começo do ano retrasado aquela notícia já era bastante comum. Tudo começou com um grande meteorito que caíra na floresta Amazônica, no Brasil, e depois os casos se espalharam pelo mundo inteiro. O pânico havia tomado conta do planeta no começo daquele ano e muitas pessoas estavam cometendo suicídio porque achavam que o "fim do mundo" estava próximo. Por fim, com os esforços das autoridades políticas, a ordem conseguiu ser restabelecida. Cientistas não cansavam de dizer que não havia motivo para pânico, que aquilo era somente mais uma fase pela qual o planeta estava passando, assim como a fase dos terremotos que ocorreram há dez anos e que causaram graves prejuízos a muitas cidades do planeta. Disseram também que em pouco tempo a rota de colisão dos meteoritos iria de deixar de ser a Terra, rumando para outros planetas. Era claro que Mary não entendia nada sobre meteoritos e suas rotas de colisões, mas sempre achou que aquilo era o tipo de acontecimento que só ocorria em outros lugares e não na cidade onde morava. E ao ver aquela sombra negra no Velho Pátio do Palácio ela sentiu como se estivesse em algum filme. Aquilo era muito irreal pra ser verdadeiro.
                A poeira estava por toda parte e homens com máscaras passavam faixas amareladas pra lá e pra cá, restringindo toda a área em torno da cratera deformada e torta que a rocha abrira. Curiosos haviam se reunido por toda a extensão das grades do jardim e observavam aquela cena com excitação, tirando fotos e filmando com suas câmeras digitais.
                - Pai, tô com medo - disse Mary enquanto o carro passava ao lado do jardim com a rocha.
                - Não há motivo para pânico, queridas - disse Charles em tom calmo, tentando tranquilizar a mulher e a filha. - Meteoritos são normais nos dias de hoje.
                - E como você quer que eu me sinta calma se a qualquer momento uma pedra vinda do espaço pode atingir a minha cabeça?! - disse Alice apavorada, os olhos claros vidrados na crosta do meteorito.
                Mary não desgrudou os olhos da rocha até o carro terminar de atravessar a Ponte da Torre e virar numa rua, deixando a imagem do corpo celeste para trás.
                - É, parece que finalmente estamos deixando Londres, mas oito horas depois do planejado. Esse meteorito estragou meus planos - comentou seu pai displicentemente, como se fosse normal um meteorito provocar um engarrafamento numa cidade, além de destruir um famoso monumento turístico.

                O sol estava sumindo no horizonte e a família estava em seu carro, que atravessava uma pequena cidade do interior da Inglaterra. Eles haviam feito uma rápida parada num restaurante de beira de estrada e comeram algo decente, como disse Alice, pois ela não gostou dos sanduíches que Mary comprou no centro de Londres e se recusou a comer. Charles, por sua vez, não só comeu o sanduíche dele, como também o da esposa, e ainda conseguiu devorar dois pratos de macarrão à bolonhesa no restaurante. Mary já estava cheia por conta do sanduíche e da torta de amora que comera no carro e se contentou apenas com um copo de milk-shake de morango.
                O assunto dentro do automóvel não era outro além do meteorito que derrubou o Big Ben.
                - Mas o primeiro ministro não esperava esconder a queda da rocha da população britânica, não é? - comentava Charles. - Quero dizer, esse tipo de notícia se espalha rápido e nem é necessário televisão pra isso. Todos no restaurante já sabiam sobre o meteorito e a ruína do relógio, vocês ouviram as conversas.
                - Por isso que não deram notícias no telejornal sobre o trânsito - disse Mary se recordando do que a mulher negra falara. - Mas isso é uma tremenda idiotice, aposto como já devem ter postado vários vídeos na internet sobre o desastre.
                - Espero que um meteorito não caia em cima do nosso carro, isso sim - disse Alice lançando um olhar preocupado ao céu. - Acho melhor mudarmos de assunto.

                Não demorou muito e a noite caiu espalhando escuridão por todo aquele horizonte rural e trazendo nuvens mensageiras das temidas tempestades de verão. O carro negro corria por entre estradas que cortavam colinas, plantações e, por vezes, densas florestas. Frequentemente Charles tinha que parar e recorrer ao mapa para verificar se estava no caminho certo. No entanto, pela primeira vez naquele dia, algo a favor deles aconteceu; o GPS emitiu um bipe e o lugar onde se encontravam apareceu na tela.
                - Já não era sem tempo - disse Alice.
                - Falta muito para chegarmos ao tal hotel onde iremos passar nossas maravilhosas férias de verão? - perguntou Mary que estava começando a se sentir sonolenta por conta do zunido que o vento fazia lá fora.
                - Segundo o GPS, chegaremos lá à meia-noite - respondeu seu pai que acabara de digitar o destino deles na tela sensível. - Falta uma hora de viagem ainda.
                Mary observou na tela do sistema de posicionamento, que um pontinho branco, o carro, atravessava uma longa camada negra, que era a floresta ao redor, e ia em direção a um monte de pontinhos amarelos onde estava o nome da cidade que era o destino deles. Mary desejou mais do que nunca, ao ver o nome da cidade, que seus pais tivessem permitido que ela ficasse em casa.
                - Vamos voltar? - pediu ela esperançosa.
                Mas nem seu pai e nem sua mãe responderam, o que ela entendeu como um "não".
                De repente o carro deu uma desviada brusca e Mary foi arremessada com toda a força contra a porta esquerda. Alice soltou um grito de pavor e o carro parou.
                - Pai, o que houve? - perguntou Mary massageando o braço.
                - Vocês viram aquilo? - perguntou seu pai, parecendo impressionado.
                - Parecia um animal morto, não? - perguntou Alice com a voz trêmula.
                - Eu não vi nada - disse Mary virando e olhando pelo vidro do carro.
                A alguns metros atrás, em meio à névoa, uma sombra estava esticada no chão. A garota não pôde deixar de sentir medo ao ver aquela imagem fantasmagórica no meio do asfalto.
                - Deve ser um animal, sim. Vamos seguir pro hotel, pai - disse ela apreensiva.
                - Não, agora eu fiquei curioso - disse seu pai, dando marcha à ré.
                - Pai, o que você tá fazendo?!
                - Volta, Charles!
                - Calma, deve ser só algum animal morto - disse Charles teimosamente, o carro se aproximando cada vez mais daquilo. - Mas eu quero saber qual é.
                Mary viu a forma no chão ficando cada vez mais perto e então a luz traseira dos faróis furaram a névoa e revelaram a figura misteriosa; era um cervo nobre, sua barriga estava amassada como se a roda de um caminhão tivesse passado por cima dela. O sangue estava espalhado pela pista e várias moscas o rodeavam.
                - Que horror! - comentou Alice que se enfiara no banco de trás junto com a filha e observava o animal morto.
                - Vou lá fora dar uma olhada - disse Charles saindo do carro para a escuridão da estrada.
                - Charles, você não está no trabalho - disse Alice, também abrindo a porta do carro e saindo. - E além do mais esse animal já está morto, você não pode fazer nada.
                - E, pai, você é médico e não, veterinário - disse Mary, que se sentiu sozinha e acabou saindo atrás da mãe.
                Não conseguiu ver como era o ambiente dos dois lados da estrada, pois a escuridão ao redor era total. Um vento gelado chegou ao seu rosto, o que a fez correr novamente até o banco traseiro do carro, esticar a mão pela abertura que dava acesso ao porta-malas e pegar uma das jaquetas de frio que havia levado.
                - Vem logo, Mary - Alice agarrou a mão de Mary enquanto ela vestia a jaqueta e puxou-a.
                Caminharam cautelosamente pelo asfalto até o animal, tomando cuidado para não pisar no sangue que escorria. O cheiro era horrível e Alice tapou o nariz com as mãos, gesto repetido pela filha. Alguns órgãos haviam saído e agora estavam pulsando no chão em meio ao sangue. Charles se abaixou perto da cabeça da criatura para observá-la melhor. Mary correu até ele.
                 - Não me deixe sozinha desse lado - disse Alice correndo atrás da filha.
                A língua do mamífero estava esticada para fora e saía sangue de sua boca. Sua galhada de várias pontas tocava o chão, imóvel, mas os olhos negros estavam girando, iluminados pela luz dos faróis do carro.
                - Ele ainda está vivo - concluiu Mary.
                E então, sem aviso, o animal soltou um urro. Mary sentiu seu coração congelar de susto. Alice escorregou no sangue do bicho e caiu no chão, na pressa de voltar correndo para o carro.
                - Vamos voltar para o carro agora - disse ela apavorada quando Charles a ergueu do asfalto.
                - Que nojo - disse Mary vendo sua mãe toda manchada de sangue e tentando espantar as moscas que insistiam em pousar no seu cabelo louro.
                - Vamos - disse Charles abraçando a filha e a esposa, suja de sangue, e voltando pra dentro do carro aos tropeços.
                Mal tinham entrado no carro e fechado as portas quando uma intensa chuva começou a cair lá fora. O barulho das grossas gotas de água no teto do veículo juntamente com a imagem do cervo ferido fez Mary, pela primeira vez, desejar estar no hotel onde iriam passar as férias. Charles ligou o carro e acelerou. O automóvel começou a andar pela pista encharcada, era difícil enxergar qualquer coisa à frente por conta da densa camada de chuva que parecia piorar cada vez mais.
                - Se a gente não tivesse parado para ver aquele maldito animal eu não estaria toda suja de sangue agora! - disse Alice tirando a blusa e ficando de sutiã.
                 - Desculpa, mas eu fiquei curioso - comentou um apreensivo Charles no volante.
                - O carro vai ficar fedendo a sangue de cervo agora - comentou Mary enojada.
                - E graças a seu pai, Mary - falou Alice irritada. - Como se não bastasse brigar no centro de Londres, agora ele resolveu parar o carro no meio do asfalto pra ver um animal atropelado!
                - Você também ficou curiosa, Alice, ou não teria saído do carro - falou o pai de Mary sabiamente.
                - Pai, tem algo no GPS - disse Mary, que acabara de notar que a luzinha que representava o carro deles ia de encontro a outra luzinha que vinha em sentido contrário.
                - Meu Deus! - gritou Alice.
                Mas era tarde demais. Uma forte luz apareceu à frente, vindo em direção ao carro. Charles tentou frear, mas o veículo deslizou pela pista molhada e se chocou.
                PAM!

                O carro negro rodopiou em meio à luz, e gritos de horror cortaram o ar. Mary sentiu sua cabeça rodar, girar e se contorcer enquanto sua mente era engolida por um breu que parecia não ter fim.
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