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29/09/2014

EVENTO: Lançamento do livro "A Ameaça Invisível"

Bom dia, leitores!
Hoje tem divulgação de evento!



O que é?

"Lançamento do segundo volume da trilogia Anômalos, "A Ameaça Invisível", da escritora Bárbara Morais em Brasília. Não deixe de encontrar a autora e ter seu exemplar autografado! :)"

Quando?

Dia 11 de Outubro (sábado), às 15:30

Onde?

Livraria Cultura - Casa Park Brasília.


Link do evento: aqui.

Quem vamos? Corre que as vagas são limitadas! A Academia Literária DF vai marcar presença!

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26/09/2014

Guerra Civil

   

            Em Caguaçu os revolucionários. Em São Tiago os legalistas. Entre os dois indiferente o rio Jacaré. O delegado regional de Boniteza mandara recolher as barcas e as margens só podiam mesmo estreitar relações no infinito. De dia não acontecia nada. Os inimigos caçavam jararacas esperando ataques que não vinham. Por isso esperavam sossegados. Inutilmente os urubus no voo lindo deles se cansavam indo e vindo de bico esfomeado. Os guerreiros gozavam de perfeita saúde.
            De noite tinha o silêncio. Qualquer barulho assustava. Os soldados de guarda se preparavam para morrer no seu posto de honra. Mas era estalo de árvores. Ou correria de bicho. A madrugada se levantava sem novidades. Por isso a luta entre irmãos decorria verdadeiramente fraternal.
            Porém uma manhã chegou a Boniteza a notícia de que do lado de Caguaçu qualquer coisa de muito grave se preparava. Tropas marchavam na direção do rio trazendo canhões, carros de combate, grande provisão de gases asfixiantes comprada na Argentina, aeroplanos, bombas de dinamite, granadas de mão e dinheiro, todos esses elementos de vitória. Um engenheiro russo construiria em dois tempos uma ponte sobre o Jacaré e o resto seria uma corrida fácil até a capital do país. Desta vez a cousa iria mesmo.
            Boniteza se surpreendeu mas não se acovardou. Com rapidez e entusiasmo começou a preparar tudo para a defesa. Ao longo do rio se abriu uma trincheira inexpugnável. Caminhões descarregaram tropas em todos os pontos. As metralhadoras foram ajustadas, os fuzis engraxados, os caixotes de munições abertos. Costureiras solícitas pregaram botões nas fardas das praças mais relaxadas. Nas barbearias os vidros de loção estrangeira se esvaziaram na cabeça dos sargentos. Era de guerra o ar que se respirava.
            A noite encontrou os combatentes a postos. Na trincheira eles velavam apoiados nos fuzis. Sentinelas foram destacadas para vigiar a margem inimiga. Entre elas o sorteado Leônidas Cacundeiro.

*

            Era infeliz porque sofria de dor de dentes crônica, piscava sem parar e gaguejava. Foi para o seu posto de observação, deitou-se de barriga num cobertor velho. Só o busto meio erguido, ficou olhando na frente dele de fuzil na mão. Tinha ordens severas: vulto que aparecesse era mandar tiro nele. Sem discutir.
            Leônidas Cacundeiro deu de pensar. Pensava uma cousa, o ventinho frio jogava o pensamento fora, pensava outra. Tudo quieto. Ainda bem que havia luar. Do alto da ribanceira ele examinava as águas do Jacaré. Ou então erguia o olhar e descobria nas nuvens a cabeleira de um maestro, um cachorro sem rabo, duas velhinhas, pessoas conhecidas.
            Agora o frio era o frio da madrugada. O Doutor Adelino costumava dizer: “Quando vocês sentirem frio, pensem no Pólo Norte e sentirão logo calor.” Pensou no Pólo Norte. Lembranças vagas de uma fita vista há muito tempo. Gelo e gelo e mais gelo. No meio do gelo um naviozinho encalhado. Homens barbudos, jogando fumaça pela boca, encapotados e enluvados, com cachorros felpudos. Duas barracas à esquerda. E aquela branquidão. Forçou bem o olhar. Um urso pardo com duas bandeirinhas. Um urso em pé com uma bandeirinha na pata direita, outra bandeirinha na pata esquerda. Nenhuma arma.
            Deu um berro:
-Alto!
            Ficou em posição de tiro. O soldado não podia mesmo dar um passo à frente senão caía no rio. Começou a mexer com os braços. Levantava uma bandeirinha, abaixava outra, levantava as duas.

*

            Leônidas pensou: - Que negócio será aquele?
            Foi chamar o sargento. O sargento veio, olhou muito, disse:
-Que negócio será aquele? Vá chamar o tenente!
            Leônidas foi chamar o tenente, veio correndo com ele. O tenente limpou os óculos com o lenço de seda, verificou se o revólver estava armado, olhou muito, falou coçando a nuca:
-Que negócio será aquele? Vá chamar o major!
            Leônidas partiu em busca do major. No acampamento não estava. Foi até Boniteza. Encontrou um cabo. O cabo mandou Leônidas bater na casa da viúva Dona Birigui ao lado do Correio. O major apareceu na janela com má vontade. Resmungou:
-Já vou. Leônidas comboiou o major até o rio, o major teve uma conferência com o tenente, subiu num pé de pitanga, falou lá de cima:
-Que negócio será aquele? Vá chamar o comandante!
            O anspeçada primeiro não queria acordar o comandante. Eram ordens. Leônidas insistiu firme e o comandante teve de pular da cama. Leônidas fazendo continência explicou o caso. O coronel disse:
            - Às seis estou lá.
           
*

            Eram cinco, Leônidas voltou com o recado. O major, o tenente, o sargento estavam nervosos. De vez em quando um deles chegava mais perto da margem e o soldado do outro lado recomeçava a ginástica: bandeirinha na frente, bandeirinha atrás, bandeirinha apontando o céu, bandeirinha apontando o chão. Ia repetindo com uma paciência desgraçada.
            Então já havia passarinhos cantando, barulho de vida em Boniteza, só a cara amarrotada dos insones não resplendia na luz da manhãzinha. Toques de corneta chegavam de longe despedaçados. Na banda de lá do Jacaré o homem da banderinha habitava sozinho a paisagem com uma vontade louca de tomar café bem quente e bem forte. Era a hora da raiva e todos se espreguiçavam com o sol que chegava.
            O Coronel Jurupari ouviu calado a narração do estranho caso. Fez em seguida duas ou três perguntas hábeis com o intuito de esclarecê-lo tanto quanto possível. Chamou de lado o major e o tenente, os três discutiram muito, emitiram suas opiniões sobre assuntos de estratégia e balística que pareciam oportunos naquela emergência, fumaram vários cigarros. Afinal o coronel entre o major e o tenente avançou até a margem de binóculo em punho. Assim que ele assentou o binóculo, da outra banda do Jacaré recomeçou a dança das bandeirinhas. O coronel olhando. A sua primeira observação foi:
-É um cabo e não tem má cara. Depois de uns minutos veio a segunda:
-Hoje é dor de cabeça na certa com este noroeste. A terceira alimentou ainda mais a já angustiosa incerteza dos presentes:
-Mas que negócio será aquele? Daí a uns instantes repetiu:
-Mas que diabo de negócio será mesmo aquele? Porém acrescentou numa ordem para o Leônidas:
-Vá chamar o sinaleiro!
            O sinaleiro veio chupando o nariz. Olhou, deu uma risadinha, tirou um papel e um lápis do bolso traseiro da calça, ajoelhou-se com uma perna só, pôs o papel na coxa da outra, passou a ponta do lápis na língua, começou a tomar nota. Dava uma espiada, as bandeirinhas se mexiam, escrevia. O Coronel Jurupari, o major, o tenente, o sargento e o sorteado Leônidas Cacundeiro esperavam o resultado de armas na mão e ansiedade nos olhos.
            O sinaleiro se levantou, ficou em posição de sentido e com voz pausada e firme leu a mensagem enviada pelos revolucionários de Caguaçu: Saúde e Fraternidade.
            O coronel mandou responder agradecendo e retribuindo. Ex-corde.

 Alcântara Machado

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25/09/2014

McLanche Feliz com livros


Bom dia, leitores!
A Academia Literária DF está sempre divulgando e apoiando iniciativas que visam difundir e conscientizar sobre a importância da literatura para a educação e cultura de todos os povos do mundo.
Hoje me deparei com essa iniciativa promovida pelo Mc Donalds lá na Índia:

O McDonalds da Índia anunciou que em vez de brinquedos, as crianças receberão livros no McLanche feliz. A mudança vai acontecer durante um período de dois meses, começando no dia 1 de agosto (ou seja, ainda está rolando). De acordo com a franquia, a doação de livros no McLanche feliz funciona “bem com as escolhas e experiências que estão em sintonia com as mudança de estilos de vida do consumidor, enquanto defende a felicidade e o bem-estar das crianças.”

McDonalds divulgou um comunicado: “foco no cliente está no cerne de tudo o que fazemos. Nós sabemos que estilos de vida estão mudando constantemente ao nosso redor e o McLanche feliz é ainda outra maneira em que McDonalds está oferecendo opções, mantendo sintonia com a necessidade do consumidor. Brinquedos têm sido uma parte da experiência do McLanche feliz e continuam a ser. Estamos constantemente à procura de oportunidades de trazer as famílias e crianças com ofertas que adicionam mais valor e também são emocionantes, divertidas e educativas.”

O Vice Presidente de operações Ranjit Paliath também falou sobre a iniciativa: “A introdução de livros, juntamente com os nossos populares McLanches Feliz é parte de uma estratégia global, realizada com o objetivo de proporcionar mais valor, divertimento e relevância para as famílias. Apercebemo-nos que estilos de vida estão mudando constantemente ao nosso redor, e os livros do McLanche Feliz são ainda uma outra maneira em que o McDonalds está oferecendo opções, mantendo uma sintonia com o nosso cliente, é a evolução das necessidades. É interessante notar que, enquanto no Reino Unido, o número médio de livros pertencentes a uma criança abaixo dos 6 anos é 6 livros, na Índia, a figura é apenas 3 livros para cada 100 crianças! Nosso objetivo é distribuir livros, cerca 1 milhão durante o programa, com o objetivo de ajudar a apoiar os esforços dos pais em incluir o hábito da leitura entre as crianças.”

O projeto incluirá 16 livros diferentes que serão oferecidos aos clientes do McLanche Feliz, histórias de que abordam temas como o corpo humano, espaço, história, animais e fatos científicos.

O McDonalds Índia tem parceria com a DK e a Editora Scholastic, ambos vencedores de prêmios globais, para oferecer conteúdo educacional e divertido para os clientes.


O que acharam da iniciativa, leitores?

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24/09/2014

Blog Parceiro: Leitora Sempre


Bom dia, leitores!
A Academia está aberta a parcerias!
Firmamos parceria com o blog “Leitora Sempre” da blogueira Jéssica Rodrigues! Vamos conhecer um pouco sobre o trabalho dela:

"O Leitora Sempre nasceu em 20 de maio de 2012 e foi criado com o intuito de divulgar minha paixão por livros. Um cantinho literário com o objetivo de promover a literatura em geral, sendo com divulgações e lançamentos de livros, postagens sobre eventos, entrevistas com autores/blogueiros, resenhas de livros e filmes e também com promoções. O blog é um espaço pessoal que divido com os leitores, sempre buscando inovar e trazer novos conteúdos para o público. Uma paixão por livros que transformou-se numa realização pessoal."

Quem quiser acompanhar de perto as postagens, basta acessar o blog e a fanpage!

Quer ser nosso parceiro? Mande e-mail para “academialiterariadf@gmail.com



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23/09/2014

RESENHA - Eu Sou a Lenda (Richard Matheson)

         Aviso: Esta resenha marca a entrada do mais novo membro do nosso time. Queremos desejar as nossas boas vindas mais calorosas ao Colunista e Resenhista Felipe Drummond.

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: MATHESON, Richard. Eu Sou a Lenda. 1ª edição. São Paulo, Editora Novo Século, 2007. 154 páginas.
Gênero: Terror
Temas: Apocalipse, vampiros.
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Norte-Americana.
Ano de lançamento: 1954






“Estendeu-se na cama e tomou profundas inspirações na escuridão, esperando pelo sono. Mas o silêncio realmente não ajudou. Ainda podia vê-los lá fora, homens de rosto branco caminhando cautelosamente em torno da casa, procurando incessantemente uma maneira de entrar. Alguns, provavelmente, agachados como cães, olhos brilhando sobre a casa, dentes rangendo vagarosamente; para trás e para a frente, para trás e para frente.
E as mulheres...
Tinha de começar a pensar nelas outra vez?"

*Eu sou a lenda (pág. 20/21).


Imagine-se num mundo bem diferente do habitual. Pense que você está na pele de um homem cada vez mais psicologicamente abalado, perdido e isolado, totalmente preso, apesar da extrema liberdade, dentro de um universo pós-apocalíptico com características infernais e terrivelmente mortais. Dito isto, você é Robert Neville, aparentemente um homem qualquer, não fosse pelo fato de ser talvez o único ser humano vivo que restou no planeta Terra. E obviamente não seria tão simples. Como se não bastasse ser o último dos homens ainda saudáveis e vivos, há novas criaturas, ou infectados humanos, seres vampirizados e altamente mortais com os quais Robert precisa lidar a todo o momento para não ser caçado, especialmente durante a noite. O mundo foi assolado pelo vampirismo, uma praga que dominou o planeta, e Robert vê-se como o único ser humano imune. O motivo disto? Descubra com Robert Neville durante a leitura.
                A rotina do protagonista é clara. Durante o dia, Robert é o predador e precisa se preparar para a noite, horário em que ele vira a presa e deve tentar permanecer vivo. A população do planeta, vampirizada, ou infectada com a misteriosa praga, dorme no período diurno e o protagonista, por conta dessa sorte, tem hora certa de voltar, ainda seguro, à sua casa a fim de se proteger das terríveis criaturas que querem capturá-lo. Por algum motivo de sorte (ou azar?), Robert Neville aparentemente foi o único ser humano do mundo não contaminado pela praga. Dentro dessa batalha solitária, aproveita todo o horário de claridade de seus dias para fortificar a sua casa contra os vampiros e caçar alguns enquanto dormem, além de, nos dias em que surge a necessidade, sair à rua para arranjar suprimentos e outros ítens úteis à sua sobrevivência. Tudo isso deve ser feito o mais rápido possível. Os monstros vampíricos acordam em determinado horário da noite e saem de seus esconderijos, indo ao encontro de Robert, que precisa aguentar as investidas e tentativas das criaturas de invadirem sua propriedade ou de fazê-lo sair. Durante o período noturno, enquanto ouve os seres transformados lá fora, ele normalmente decide espiá-los, ou afogar-se nas bebidas muitas vezes acima de seu limite, ou até pensar em modos de se matar e acabar logo com isso, embora não exista a coragem necessária para tal. E assim Robert se afunda dentro de seu próprio ser. Mesmo mantendo-se vivo, não parece haver vitória alguma. Está sempre faltando algo: pessoas, coisas, afeto, alegria, voz. Não há nada. Isso o mata cada vez que permanece mais vivo e é com essa situação que o ser humano da história precisa lidar. A corrosão cada vez mais forte da alma externada pela solidão.
 A obra possui três adaptações cinematográficas, sendo a mais recente delas interpretada por Will Smith como o protagonista em uma história nada semelhante ao livro, exceto pelo título e ideia central de apocalipse global com um único sobrevivente imune. Os vampiros do filme, diferente do que é demonstrado no livro, remetem automaticamente a mente do leitor à idéia mais normal sobre os zumbis clássicos e famosos de aparência grotesca do cinema, que caçam carne humana ou cérebro dos sobreviventes. O filme possui ainda diversos elementos diferenciados na sua história, podendo-se dizer com segurança que o livro é quase totalmente diferente em seu início, meio e principalmente fim (sendo este bem surpreendente). No âmbito da obra literária é notável o surgimento de vampiros mais fiéis à ideia mais original de suas existências, como nos momentos, por exemplo, em que aparecem o medo das criaturas em relação a cruz e alho, o que não existe no filme. Há, inclusive, momentos em que se percebe resquícios de humanidade nos próprios vampiros do livro. Não possuindo uma aparência grotesca, é notável, dentre muitas tentativas das criaturas em fazer Robert Neville sair de casa à noite, vampiras tirarem suas roupas na sua frente chamando-o para fora e seu vizinho gritar pelo seu nome. Quem viu o filme vai se sentir confuso e pode vir a resistir a esse tipo de ideia presente na obra.
 Esta obra literária consegue ser simples ao mesmo tempo em que se torna algo positivamente complexa. Aparentemente fácil, a ideia de narrar a história de um homem solitário que tenta sobreviver num mundo hostil sem nenhum tipo de ajuda de outrem, mostra enorme magnificência ao explorar todo o drama psicológico do protagonista deste livro de praticamente um único personagem. A luta contra o próprio eu é ainda mais viva do que a guerra de um homem só contra os vampiros. Vemos o quanto o ser humano pode ser dependente da civilização ao explicitar as consequências de um total e eterno isolamento social. No desfecho da história percebemos uma possibilidade para reflexão acerca do modo humano de enxergar as coisas, numa espécie de crítica social. A trama, em geral, se foca nos detalhes acerca de todo o drama vivido por Robert, explorando as várias dificuldades que envolvem o fator sobrevivência, como a busca por suprimentos, bem como necessidades fraternais e até carnais, além de uma dramatização referente à análise psicológica perturbadora do personagem como consequência a essa situação calamitosa. Durante a leitura você entrará na mente do último homem do planeta, precisando lutar para sobreviver aos vampiros que querem lhe caçar, além, claro, de tomar medidas investigativas capazes de explorar e descobrir a razão de tudo ter ido para os ares de repente no planeta. Robert é um curioso e necessita descobrir o que realmente aconteceu, obtendo descobertas interessantes e de certo modo até importantes em relação aos vampiros. Definitivamente cabe a Robert Neville, além de sobreviver, investigar e encontrar uma solução, uma cura para estes vampiros, enquanto se esforça para não ser morto.
 O livro possui uma linguagem acessível ao grande público sem pecar em qualidade literária, sendo uma narrativa realizada em 3ª pessoa que flui facilmente em concordância com a imaginação do leitor sobre o dia a dia de Robert. Alguns trechos se desenrolam de forma arrastada com muitas páginas descrevendo um intervalo de tempo pequeno e em outros momentos a história irá pular meses de repente. Há muita descrição de suas rotinas aliados às sensações presentes de sua psique meio deturpada. O livro é basicamente uma narrativa biográfica de um sobrevivente aparentemente comum, mas bastante relevante de alguma forma nesse novo mundo. Afinal, ele é a lenda.
 O homem por trás desta obra é Richard Matheson (1926-2013), famoso escritor norte americano formado em jornalismo e falecido aos 87 anos em junho de 2013. Deixou como herança para o mundo quatro filhos dos quais três são autores de ficção científica e roteiristas. Da metade do século 20 para o início do século 21, Richard Matheson escreveu incontáveis livros e contos, dos quais uma boa parte possui uma considerável fama no meio literário, tendo, em determinados casos, inspirado obras do cinema, como a famosa "A Noite dos Mortos Vivos" de George Romero.
 Caso você seja um admirador de obras de terror pós-apocalíptico e ficção com uma boa dose de drama e terror psicológico, além, claro, de ter apreço por vampiros, este livro foi feito para você ler imediatamente.



Bibliografia de Richard Matheson (ordem cronológica):

Livros:
  • Someone is Bleeding (1953)
  • Fury on Sunday (1953)
  • Eu Sou a Lenda (1954)
  • O incrível homem que encolheu (1956)
  • A Stir of Echoes (1958)
  • Ride the Nightmare (1959)
  • The Beardless Warriors (1960)
  • A Casa Infernal (1971)
  • The Night Stalker (1972)
  • The Night Strangler (1973)
  • Em Algum Lugar no Passado (1975)
  • Amor Além da Vida (1978)
  • Earthbound (1989)
  • Journal of the Gun Years (1991)
  • The Gunfight (1993)
  • 7 Steps to Midnight (1993)
  • Shadow on the Sun (1994)
  • Now You See It... (1995)
  • The Memoirs of Wild Bill Hickock (1996)
  • The Path: A New Look at Reality (1999)
  • Passion Play (2000)
  • Hunger and Thirst (2000)
  • Camp Pleasant (2001)
  • Abu and the 7 Marvels (2002)
  • Hunted Past Reason (2002)
  • Come Fygures, Come Shadowes (2003)
  • Woman (2006)
  • Other Kingdoms (2010)
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22/09/2014

EVENTO: Lançamento do livro "A Droga da Amizade"

Bom dia, leitores!
Vamos falar de evento!



O que é?

"Evento de lançamento do livro "A Droga da Amizade", do autor Pedro Bandeira"

Quando?

Dia 23 de Setembro (terça), às 19:00

Onde?

Livraria Cultura - Casa Park Brasília.


Obs: Para participar do bate papo a pessoa deve se inscrever aqui.


Quem vamos? Corre que as vagas são limitadas! A Academia Literária DF vai marcar presença!

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19/09/2014

A Sereníssima República


(Conferência do cônego Vargas)



Meus senhores,

Antes de comunicar-vos uma descoberta, que reputo de algum lustre para o nosso país, deixai que vos agradeça a prontidão com que acudisses ao meu chamado. Sei que um interesse superior vos trouxe aqui; mas não ignoro também, — e fora ingratidão ignorá-lo, — que um pouco de simpatia pessoal se mistura à vossa legítima curiosidade científica. Oxalá possa eu corresponder a ambas.
Minha descoberta não é recente; data do fim do ano de 1876. Não a divulguei então,  e,  a não ser o Globo, interessante diário desta capital, não a divulgaria ainda agora,  por uma razão que achará fácil entrada no vosso espírito. Esta obra de que venho falar-vos, carece de retoques últimos, de verificações e experiências complementares. Mas o Globo noticiou que um sábio inglês descobriu a linguagem fônica dos insetos, e cita o estudo feito com as moscas. Escrevi logo para a Europa e aguardo as respostas com ansiedade. Sendo certo, porém, que pela navegação aérea, invento do padre Bartolomeu, é glorificado o nome estrangeiro, enquanto o do nosso patrício mal se pode dizer lembrado dos seus naturais, determinei evitar a sorte do insigne Voador, vindo a esta tribuna, proclamar alto e bom som, à face do universo, que muito antes daquele sábio, e fora das ilhas britânicas, um modesto naturalista descobriu coisa idêntica, e fez com ela obra superior.
Senhores, vou assombrar-vos, como teria assombrado a Aristóteles, se lhe perguntasse: Credes que se possa dar um regime social às aranhas? Aristóteles responderia negativamente, com vós todos, porque é impossível crer que jamais se chegasse a organizar socialmente esse articulado arisco, solitário, apenas disposto ao trabalho, e dificilmente ao amor. Pois bem, esse impossível fi-lo eu.
Ouço um riso, no meio do sussurro de curiosidade. Senhores, cumpre vencer os preconceitos. A aranha parece-vos inferior, justamente porque não a conheceis. Amais o cão, prezais o gato e a galinha, e não advertis que a aranha não pula nem ladra como o cão, não mia como o gato, não cacareja como a galinha, não zune nem morde como o mosquito, não nos leva o sangue e o sono como a pulga. Todos esses bichos são o modelo acabado da vadiação e do parasitismo. A mesma formiga, tão gabada por certas qualidades boas, dá no nosso açúcar e nas nossas plantações, e funda a sua propriedade roubando a alheia. A aranha, senhores, não nos aflige nem defrauda; apanha as moscas, nossas inimigas, fia, tece, trabalha e morre. Que melhor exemplo de paciência, de ordem, de previsão, de respeito e de humanidade? Quanto aos seus talentos, não há duas opiniões. Desde Plínio até Darwin, os naturalistas do mundo inteiro formam um só coro de admiração em torno desse bichinho, cuja maravilhosa teia a vassoura inconsciente do vosso criado destrói em menos de um minuto. Eu repetiria agora esses juízos, se me sobrasse tempo; a matéria, porém, excede o prazo, sou constrangido a abreviá-la. Tenho-os aqui, não todos, mas quase todos; tenho, entre eles, esta excelente monografia de Büchner, que com tanta sutileza estudou a vida psíquica dos animais. Citando Darwin e Büchner, é claro que me restrinjo à homenagem cabida a dois sábios de primeira ordem, sem de nenhum modo absolver (e as minhas vestes o proclamam) as teorias gratuitas e errôneas do materialismo.
Sim, senhores, descobri uma espécie araneida que dispõe do uso da fala; coligi alguns, depois muitos dos novos articulados, e organizei-os socialmente. O primeiro exemplar dessa aranha maravilhosa apareceu-me no dia 15 de dezembro de 1876. Era tão vasta, tão colorida, dorso rubro, com listras azuis, transversais, tão rápida nos movimentos, e às vezes tão alegre, que de todo me cativou a atenção. No dia seguinte vieram mais três, e as quatro tomaram posse de um recanto de minha chácara. Estudei-as longamente; achei-as admiráveis. Nada, porém, se pode comparar ao pasmo que me causou a descoberta do idioma araneida, uma língua, senhores, nada menos que uma língua rica e variada, com a sua estrutura sintática, os seus verbos, conjugações, declinações, casos latinos e formas onomatopaicas, uma língua que estou gramaticando para uso das academias, como o fiz sumariamente para meu próprio uso. E fi-lo, notai bem, vencendo dificuldades aspérrimas com uma paciência extraordinária. Vinte vezes desanimei; mas o amor da ciência dava-me forças para arremeter a um trabalho que, hoje declaro, não chegaria a ser feito duas vezes na vida do mesmo homem.
Guardo para outro recinto a descrição técnica do meu arácnide, e a análise da língua. O objeto desta conferência é, como disse, ressalvar os direitos da ciência brasileira, por meio de um protesto em tempo; e, isto feito, dizer-vos a parte em que reputo a minha obra superior à do sábio de Inglaterra. Devo demonstrá-lo, e para este ponto chamo a vossa atenção.
Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar:  o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma, fizeram-lhes crer que era eu o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais na prática das virtudes. A flauta também foi um grande auxiliar. Como sabeis, ou deveis saber, elas são doidas por música.
Não bastava associá-las; era preciso, dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso, ou achar uma forma nova, ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado,  o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
Outro motivo determinou a minha escolha. Entre os diferentes modos eleitorais da antiga Veneza, figurava o do saco e bolas, iniciação dos filhos da nobreza no serviço do Estado. Metiam-se as bolas com os nomes dos candidatos no saco, e extraía-se anualmente um certo número, ficando os eleitos desde logo aptos para as carreiras públicas. Este sistema fará rir aos doutores do sufrágio; a mim não. Ele exclui os desvarios da paixão, os desazos da inépcia, o congresso da corrupção e da cobiça. Mas não foi só por isso que o aceitei; tratando-se de um povo tão exímio na fiação de suas teias, o uso do saco eleitoral era de fácil adaptação, quase uma planta indígena.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática. O que posso afirmar-vos é que, não obstante as incertezas da idade, eles caminham, dispondo de algumas virtudes, que presumo essenciais à duração de um Estado. Uma delas, como já disse, é a perseverança, uma longa paciência de Penélope, segundo vou mostrar-vos.
Com efeito, desde que compreenderam que no ato eleitoral estava a base da vida pública, trataram de o exercer com a maior atenção. O fabrico do saco foi uma obra nacional. Era um saco de cinco polegadas de altura e três de largura, tecido com os melhores fios, obra sólida e espessa. Para compô-lo foram aclamadas dez damas principais, que receberam o título de mães da república, além de outros privilégios e foros. Uma obra-prima, podeis crê-lo. O processo eleitoral é simples. As bolas recebem os nomes dos candidatos, que provarem certas condições, e são escritas por um oficial público, denominado "das inscrições". No dia da eleição, as bolas são metidas no saco e tiradas pelo oficial das extrações, até perfazer o número dos elegendos. Isto que era um simples processo inicial na antiga Veneza, serve aqui ao provimento de todos os cargos.
A eleição fez-se a princípio com muita regularidade; mas, logo depois, um dos legisladores declarou que ela fora viciada, por terem entrado no saco duas bolas com o nome do mesmo candidato. A assembléia verificou a exatidão da denúncia, e decretou que o saco, até ali de três polegadas de largura, tivesse agora duas; limitando-se a capacidade do saco, restringia-se o espaço à fraude, era o mesmo que suprimi-la. Aconteceu, porém, que na eleição seguinte, um candidato deixou de ser inscrito na competente bola, não se sabe se por descuido ou intenção do oficial público. Este declarou que não se lembrava de ter visto o ilustre candidato, mas acrescentou nobremente que não era impossível que ele lhe tivesse dado o nome; neste caso não houve exclusão, mas distração. A assembléia, diante de um fenômeno psicológico inelutável, como é a distração, não pôde castigar o oficial; mas, considerando que a estreiteza do saco podia dar lugar a exclusões odiosas, revogou a lei anterior e restaurou as três polegadas.
Nesse ínterim, senhores, faleceu o primeiro magistrado, e três cidadãos apresentaram-se candidatos ao posto, mas só dois importantes, Hazeroth e Magog, os próprios chefes do partido retilíneo e do partido curvilíneo. Devo explicar-vos estas denominações. Como eles são principalmente geômetras, é a geometria que os divide em política. Uns entendem que a aranha deve fazer as teias com fios retos, é o partido retilíneo;  outros pensam, ao contrário, que as teias devem ser trabalhadas com fios curvos,  é o partido curvilíneo. Há ainda um terceiro partido, misto e central, com este postulado:  as teias devem ser urdidas de fios retos e fios curvos; é o partido reto-curvilíneo; e finalmente, uma quarta divisão política, o partido anti-reto-curvilíneo, que fez tábula rasa de todos os princípios litigantes, e propõe o uso de umas teias urdidas de ar, obra transparente e leve, em que não há linhas de espécie alguma. Como a geometria apenas poderia dividi-los, sem chegar a apaixoná-los, adotaram uma simbólica. Para uns, a linha reta exprime os bons sentimentos, a justiça, a probidade, a inteireza, a constância, etc., ao passo que os sentimentos ruins ou inferiores, como a bajulação, a fraude, a deslealdade, a perfídia, são perfeitamente curvos. Os adversários respondem que não, que a linha curva é a da virtude e do saber, porque é a expressão da modéstia e da humildade; ao contrário, a ignorância, a presunção, a toleima, a parlapatice, são retas, duramente retas. O terceiro partido, menos anguloso, menos exclusivista, desbastou a exageração de uns e outros, combinou os contrastes, e proclamou a simultaneidade das linhas como a exata cópia do mundo físico e moral. O quarto limita-se a negar tudo.
Nem Hazeroth nem Magog foram eleitos. As suas bolas saíram do saco, é verdade, mas foram inutilizadas, a do primeiro por faltar a primeira letra do nome, a do segundo por lhe faltar a última. O nome restante e triunfante era o de um argentário ambicioso, político obscuro, que subiu logo à poltrona ducal, com espanto geral da república. Mas os vencidos não se contentaram de dormir sobre os louros do vencedor; requereram uma devassa. A devassa mostrou que o oficial das inscrições intencionalmente viciara a ortografia de seus nomes. O oficial confessou o defeito e a intenção; mas explicou-os dizendo que se tratava de uma simples elipse; delito, se o era, puramente literário. Não sendo possível perseguir ninguém por defeitos de ortografia ou figuras de retórica, pareceu acertado rever a lei. Nesse mesmo dia ficou decretado que o saco seria feito de um tecido de malhas, através das quais as bolas pudessem ser lidas pelo público, e, ipso facto, pelos mesmos candidatos, que assim teriam tempo de corrigir as inscrições.
Infelizmente, senhores, o comentário da lei é a eterna malícia. A mesma porta aberta à lealdade serviu à astúcia de um certo Nabiga, que se conchavou com o oficial das extrações, para haver um lugar na assembléia. A vaga era uma, os candidatos três; o oficial extraiu as bolas com os olhos no cúmplice, que só deixou de abanar negativamente a cabeça, quando a bola pegada foi a sua. Não era preciso mais para condenar a idéia das malhas. A assembléia, com exemplar paciência, restaurou o tecido espesso do regime anterior; mas, para evitar outras elipses, decretou a validação das bolas cuja inscrição estivesse incorreta, uma vez que cinco pessoas jurassem ser o nome inscrito o próprio nome do candidato.
Este novo estatuto deu lugar a um caso novo e imprevisto, como ides ver. Tratou-se de eleger um coletor de espórtulas, funcionário encarregado de cobrar as rendas públicas, sob a forma de espórtulas voluntárias. Eram candidatos, entre outros, um certo Caneca e um certo Nebraska. A bola extraída foi a de Nebraska. Estava errada, é certo, por lhe faltar a última letra; mas, cinco testemunhas juraram, nos termos da lei, que o eleito era o próprio e único Nebraska da república. Tudo parecia findo, quando o candidato Caneca requereu provar que a bola extraída não trazia o nome de Nebraska, mas o dele. O juiz de paz deferiu ao peticionário. Veio então um grande filólogo,  talvez o primeiro da república, além de bom metafísico, e não vulgar matemático,  o qual provou a coisa nestes termos:
 Em primeiro lugar, disse ele, deveis notar que não é fortuita a ausência da última letra do nome Nebraska. Por que motivo foi ele inscrito incompletamente? Não se pode dizer que por fadiga ou amor da brevidade, pois só falta a última letra, um simples a. Carência de espaço? Também não; vede: há ainda espaço para duas ou três sílabas. Logo, a falta é intencional, e a intenção não pode ser outra, senão chamar a atenção do leitor para a letra k, última escrita, desamparada, solteira, sem sentido. Ora, por um efeito mental, que nenhuma lei destruiu, a letra reproduz-se no cérebro de dois modos, a forma gráfica e a forma sônica: k ca. O defeito, pois, no nome escrito, chamando os olhos para a letra final, incrusta desde logo no cérebro, esta primeira sílaba: Ca. Isto posto, o movimento natural do espírito é ler o nome todo; volta-se ao princípio, à inicial ne, do nome Nebrask Cané Resta a sílaba do meio, bras, cuja redução a esta outra sílaba ca, última do nome Caneca, é a coisa mais demonstrável do mundo. E, todavia, não a demonstrarei, visto faltar-vos o preparo necessário ao entendimento da significação espiritual ou filosófica da sílaba, suas origens e efeitos, fases, modificações, conseqüências lógicas e sintáticas, dedutivas ou indutivas, simbólicas e outras. Mas, suposta a demonstração, aí fica a última prova, evidente, clara, da minha afirmação primeira pela anexação da sílaba ca às duas Cane, dando este nome Caneca.
A lei emendou-se, senhores, ficando abolida a faculdade da prova testemunhal e interpretativa dos textos, e introduzindo-se uma inovação, o corte simultâneo de meia polegada na altura e outra meia na largura do saco. Esta emenda não evitou um pequeno abuso na eleição dos alcaides, e o saco foi restituído às dimensões primitivas, dando-se-lhe, todavia, a forma triangular. Compreendeis que esta forma trazia consigo, uma conseqüência: ficavam muitas bolas no fundo. Daí a mudança para a forma cilíndrica; mais tarde deu-se-lhe o aspecto de uma ampulheta, cujo inconveniente se reconheceu ser igual ao triângulo, e então adotou-se a forma de um crescente, etc. Muitos abusos, descuidos e lacunas tendem a desaparecer, e o restante terá igual destino, não inteiramente, decerto, pois a perfeição não é deste mundo, mas na medida e nos termos do conselho de um dos mais circunspectos cidadãos da minha república, Erasmus, cujo último discurso sinto não poder dar-vos integralmente. Encarregado de notificar a última resolução legislativa às dez damas incumbidas de urdir o saco eleitoral, Erasmus contou-lhes a fábula de Penélope, que fazia e desfazia a famosa teia, à espera do esposo Ulisses.
 Vós sois a Penélope da nossa república, disse ele ao terminar; tendes a mesma castidade, paciência e talentos. Refazei o saco, amigas minhas, refazei o saco, até que Ulisses, cansado de dar às pernas, venha tomar entre nós o lugar que lhe cabe. Ulisses é a Sapiência.

Machado de Assis


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18/09/2014

E você, faria o quê?!


E você, faria o quê?!

Hoje venho falar o que muitos já comentaram e assistiram, mas que vale a pena reforçar a ideia. Você já ouviu falar da nova temporada da série “Vai fazer o quê?” do fantástico? Não!? Então vamos lá, essa série desafia as pessoas a tomar uma decisão urgente diante de uma situação polêmica, sem saber que está sendo filmado. Nesta situação o que você faria ? Nada? Ou tomaria uma atitude?

Ontem no Fantástico eu e meus companheiros da Academia tivemos o prazer de assistir um dos melhores episódios do quadro: “Vai fazer o quê?”. Um jovem ator se passou por um menino de rua para fazer um pedido surpreendente: não é comida, não é dinheiro. É um livro.

Se um menino de rua te parasse na rua e pedisse um livro ao invés de comida,
 o que você faria?


Aí está à situação polêmica, será que as pessoas iriam comprar o livro ou apenas negariam. Será que a compra desse livro faria diferença na educação desta criança? Qual seria o destino deste livro e qual a importância dessa ação e deste livro para esta criança? Polêmico não!?

Muitas pessoas passaram reto, sem nem sequer escutarem o que o garoto pedia e já dispararam a resposta padrão: “Não tenho.” Outros já se comoveram com o pedido e ao mesmo tempo decidiram comprar o livro. O emocionante é ver que alguns até se espantaram com o pedido do garoto questionando-o: “O que você pediu mesmo?” e mais emocionante ainda foi ver uma moça que passou e prometeu ao menino que voltaria para comprar um livro, voltar e leva-lo a livraria e incentivando até ler um livro mais adequado para sua idade.

Posso citar também o fato de o ator/menino de rua pedir para as pessoas lerem para ele e elas tirarem parte de seu tempo para ler para aquela criança, acreditando fazer uma pequena diferença em sua vida. Muitas relataram que esse pequeno gesto de bondade poderia interferir em sua educação e crescimento.

Um gesto tão simples e emocionante e que mostra que ainda existem pessoas boas e que incentivam a leitura. Mas a pergunta que não quer calar, o que você faria? Nós da Academia Literária DF com certeza teríamos entrado na livraria e comprado um livro para aquele menino, talvez até mais de um, afinal o que mais queremos e compartilhar esse gosto pela leitura.

Esse post é mais um para matar a curiosidade, para mostrar à importância do incentivo a leitura e para chamar a atenção para esse vídeo, que vale muito a pena ser visto. Como os vídeos da Globo.com são protegidos por direitos autorais, não iremos incorporá-lo ao nosso blog, então segue o link para que o assistam: 

Assim como as pessoas que pararam para ler o livro para criança, tire alguns minutos para sua leitura do dia, para que leia para seu filho e principalmente uns minutinhos para que veja este vídeo. E depois deixe um comentário para sabermos sua opinião, pois eu estou encantada com está matéria.

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17/09/2014

Parceiro - Cristiano Vogado


 Bom diaaa, leitores da Academia Literária DF!!!

      Já estão com saudades dos nossos parceiros. Então voltamos com tudo! Hoje apresentaremos mais um parceiro e não se esqueçam de que estamos abertos para novas parcerias, então, você que é escritor e procura meios para divulgar seu trabalho, conte conosco!

       Vamos ao nosso mais recente parceiro, um novo talento, um escritor independente e que arrisca tudo pelo seu sonho, prazer Cristiano Vogado. Autor do livro “O Coveiro de dias passados” e com lançamento em 2014. Vamos conhecer mais sobre o autor e sua obra!

Cristiano Vogado
Cristiano Vogado dos Santos ou pelo seu nome artístico Cristiano Vogado tem 18 anos, nasceu e cresceu em Brasília, no Riacho Fundo 2 e para alegria das leitoras ele está solteiro. O autor iniciou sua carreira de escritor neste ano (2014), onde lançou seu primeiro livro através da editora Above. Mas apesar de lançar seu livro através de editora, Cristiano relata que trabalha como escritor independente, vendendo livros de mão em mão, livrarias, bancas de jornais, etc. O escritor é Cristão, mora com a família, estudou em escola públicas e terminou o Ensino Médio recentemente (2013). Ele acredita que a melhor escolha é aquela da qual não se deseja voltar no tempo para mudá-la, pois o autor arriscou tudo para realizar o sonho de se tornar um escritor e afirma que não se arrependeu nem por um único instante desta decisão. É autor do livro: “O Coveiro de dias passados”

Links de redes sociais:











O Coveiro de dias passados
Título: O Coveiro de dias passados
Autor: Cristiano Vogado
Gênero: Drama e Romance.
Assunto: suspense, romance, sentimentos.
Editora: Above
Idioma: Português
Ano de Lançamento: 2014
Número de páginas: 255
Sinopse: Um adolescente tenta enterrar um trauma do passado. Tentando deixar o que passou para trás e seguir em frente criando uma nova história. Porém, dois fantasmas do passado reaparecem e escavam tudo aquilo que ele enterrou e tentava esconder de si mesmo. Uma delas cava mais fundo, chegando há um lugar onde ele não sabia que poderia existir. Talvez o mais difícil para alguns seja admitir os próprios erros, para outros encontrarem uma forma de pedir absolvição pelo que fez. Quem sabe o mais duro seja aceitar as consequências ou até mesmo encontrar uma forma de perdoar a si mesmo. Os sentimentos mais doces e amargos são fincados no coração desse jovem inundado de culpa, onde ele se perde, mas também se encontra no universo por trás dos seus olhos. Coisas começam a fazer sentido, ao mesmo tempo em que ele não entende o que está acontecendo. Talvez o problema sejam as meias perguntas com respostas inteiras, ou perguntas inteiras com meias respostas... enfim, esta é a história de Ryori Ootsuka, O Coveiro de dias passados.

 Ficou interessado? Clique aqui para ir à pagina do livro.

Onde Encontrar:
WhatsApp: 06184422361
Celular: 8442-2361 / 8134-1208
*Diretamente com o autor.



O autor está divulgando o seu trabalho de forma independente então se tiver interesse em adquirir ou mesmo olhar a sua obra, entre em contato diretamente com ele, que estará respondendo o mais rápido possível. O preço da unidade no momento é de R$ 20,00. O autor realmente precisa do apoio de vocês, para que este sonho prossiga. E dando este apoio vamos mostrar algumas imagens com trechos de suas obras e também para te deixar o leitor mais curioso, certo!?



Trechos: 






Para conferir mais entre na página O coveiro!


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16/09/2014

PROMOÇÃO: Literatura Fantástica



Boa tarde, leitores!

Hoje é dia de promoção! Há alguns dias atrás, rolou aqui em Brasília o evento de lançamento dos livros Cemitério de Dragões e O Reino das Vozes que não se Calam, dos queridos Raphael Draccon e Carolina Munhóz. Nós, da Academia Literária DF, em parceria com nossos blogs parceiros Leitora Sempre e Mundo B, vamos sortear um exemplar de cada obra AUTOGRAFADOS! Demais não? Vocês não podem perder essa, leitores!

Acessem o link da promoção para participar!

Boa sorte!
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RESENHA - P.S. Eu Te Amo (Cecelia Ahern)

         Aviso: Esta resenha marca a entrada do mais novo membro do nosso time. Queremos desejar as nossas boas vindas mais calorosas a Colunista e Resenhista Isadora Teixeira. Essa postagem também marca nossa estreia com resenhas  de obras estrangeiras (algo não feito pela Academia desde sua formação). Os motivos para tal, caro leitor, você pode conhecer aqui. Boa leitura!

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: AHERN, Cecelia. P.S. Eu Te Amo: Existem amores que duram mais que uma vida. 1ª edição. Ribeirão Preto – SP, Novo Conceito Editora, 2012. 368 páginas.
Gênero: Romance.
Temas: Amor, superação, comédia, amizade.
Categoria: Literatura estrangeira: irlandesa.
Ano de lançamento: 2004 na Irlanda e 2012 no Brasil.










           “Minha amada Holly,
Não sei onde você está e onde exatamente está lendo isto. Só espero que esteja bem. Você me disse há pouco tempo que não conseguiria continuar sozinha. Mas você consegue, sim, Holly. Você é forte, corajosa e vai conseguir passar por isso. Vivemos coisas lindas juntos e você fez a minha vida... Você fez a minha vida. Não tenho arrependimentos. Mas sou apenas um capítulo de sua vida, muitos outros virão. Guarde nossas lindas lembranças, mas, por favor, não tenha medo de criar outras.
Obrigado por me dar a honra de ser minha esposa. Por tudo, sou eternamente grato.
Sempre que precisar de mim, saiba que estarei com você.
Amor eterno, de seu marido e melhor amigo, Gerry
(...) P.S. Eu te amo.”
*P.S. Eu Te Amo, pág. 29.


Alguns acreditam em vida após a morte. Mas, se os mortos têm uma vida, o que acontece com a vida dos vivos que aqui ficaram? Como lidar com a morte de quem amamos? Como continuar a viver depois de uma vida juntos? Quando a morte leva Gerry, Holly fica desolada. Holly e Gerry sempre foram unidos, formavam um casal desde a adolescência. Sempre apaixonados um pelo outro, sabiam todos os seus segredos e aflições. Porém, Gerry não a deixara sozinha. Holly terá uma surpresa que a guiará pela nova vida que a espera.
Holly de repente se vê sozinha em sua casa com um jardim que agora não tem mais quem cuide. Holly e Gerry estavam juntos desde os 14 anos, quando se conheceram na escola. Holly e Gerry se casaram no mesmo ano que seus melhores amigos, John e Sharon. Holly era a mais nova, com 23 anos, e os outros com 24 anos. Eles descobriram o mundo juntos e acreditavam que viveriam para sempre unidos. Ao menos, esse era o plano. Quando Gerry se vê à beira da morte, decorrente de um tumor no cérebro, decide deixar um presente para amada: um pacote de cartas para ser aberto quando ele não estivesse mais presente, próximo ao aniversário de 30 anos de Holly. São dez cartas, uma para ser lida a cada mês, começando por março. Cada carta traz uma nova surpresa e desafio para Holly, que agora sente que há um motivo para seguir adiante e continuar a viver, como Gerry queria.

Alerta de Spoiler, clique para ver!
Eu confesso que as cartas de Gerry, apesar de serem motivadoras e positivas, me decepcionaram. Por se tratar de um romance e a personagem principal já sofrer pela morte do marido, as cartas, um dos pontos principais do livro, poderiam ser mais emocionantes. Outra decepção foi a expectativa criada em torno do Daniel (personagem que Holly conhecerá durante a trama), ao avançar um pouco, eu esperava mais envolvimento entre os dois. Esse envolvimento é arrastado até o final, porém, com um desfecho inesperado.
P.S. Eu te amo não é um livro de romance clássico. Não existe nesta história uma mocinha que se apaixona pelo mocinho e a trama gira em torno da busca pela felicidade juntos. Também não há um vilão clássico; aqui, o vilão é a dura realidade imposta pela vida, e este é o melhor acerto da autora. A trama é envolvente e harmoniosa, mas oscila entre as novas descobertas de Holly e os momentos de solidão e de saudade que ela sente. As cartas de Gerry são, sem dúvida, as partes mais aguardadas, pois são elas que guiam a personagem principal. Um ponto importante - e que a autora soube utilizar bem - é quando ela explora todas as sensações e impressões de uma viúva ao descobrir o mundo sem o companheiro de toda a vida. Possui também um toque de comédia: ao longo do livro, Sharon e Denise, melhores amigas de Holly, são as personagens responsáveis pelas risadas, porém, como em toda boa amizade, também a decepcionam em alguns momentos e estes são preciosos pela descrição de detalhes. Isto me fez questionar em alguns momentos se a amizade continuaria a mesma. Ao se aproximar do final da obra, a trama fica mais intrigante, o que me fez devorar muitos capítulos até a última página.
A obra é narrada em terceira pessoa, por um narrador onisciente. O livro tem 368 páginas e é bem leve. A formatação é sutil, bem dividida e com 50 capítulos curtos e um epílogo. A linguagem é de fácil entendimento e não há erros ortográficos gritantes. O foco da narrativa é a personagem principal, Holly, porém a narrativa se estende ao relacionamento com a família e os amigos e o sentimento dos mesmos após a morte de Gerry. A trama é contada na maior parte do tempo de forma linear, mas alguns capítulos narram trechos de flashbacks. A capa e as páginas são típicas de um romance: com mimos e delicadeza.
P.S. Eu te amo é um ótimo livro. Os amantes de romance, drama (e até auto-ajuda) se identificarão com ele. Sem dúvidas ele foi um sucesso de vendas e até hoje quem se aventura pelas páginas ri, chora e se sente dentro de uma verdadeira história de amor, amizade e superação.
Cecelia Ahern é formada em Jornalismo e Comunicação. Escreveu P.S Eu te amo aos 21 anos, que se tornou um best-seller internacional e foi adaptado para o cinema. Seus livros foram publicados em 46 países. Cecelia foi uma das criadoras da série de TV Samantha Who?, vencedora do Emmy. Sua paixão sempre foi escrever, quando pequena começou a escrever em diários. É irlandesa e mora atualmente em Dublin. Suas personagens principais são geralmente mulheres em busca da felicidade, através do autoconhecimento.



Bibliografia de Cecelia Ahern (ordem cronológica):

Livros:
  • P.S Eu Te Amo: Existem Amores Que Duram Mais Que Uma Vida (2004);
  • Onde Terminam os Arco-Íris (2005);
  • Aqui é o Melhor Lugar (2009);
  • Se Você Me Visse Agora (2005);
  • As Suas Lembranças São Minhas (2008);
  • The Grift (2008);
  • The Book of Tomorrow (2009).


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