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28/10/2014

RESENHA - Barba Negra: O Diário Perdido (Christie Golden)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: GOLDEN, Christie. Assassin’s Creed – Barba Negra: O Diário Perdido. 1ª edição. Rio de Janeiro, Galera Record, 2014. 148 páginas.
Gênero: Fantasia histórica
Temas: Pirataria, Assassinos, Corsários, Templários.
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Norte Americana.
Ano de lançamento: 2014













“Quando não estão trabalhando, os marinheiros julgam que o tempo pesa em suas mãos. Pior de tudo é quando o vento está parado, como novamente no dia de hoje, e as Rações – e até os vermes – começam a minguar. Para passar o tempo, muitos marinheiros usam suas habilidades nos nós e produzem coisas de grande beleza, e outros fazem bom uso dos dados de queijo nos jogos.
 A trapaça, é claro, é mal vista, pois se deve poder confiar em um companheiro de mar, ou não seríamos melhores do que piratas. Incluo para seu exame, leitor, um Ás a mais que um de meus ajudantes de convés por acaso tinha em sua pessoa em um jogo de cartas noite passada. Eu o puni muito bem por isto. Ele agora tem um buraco imenso na orelha, e não é para uma argola.”
* Assassin’s Creed – Barba Negra: O Diário Perdido (pág. 11 e 12).



“Ao futuro leitor deste Diário, o Corsário Edward Thatch envia seus melhores votos e o encoraja a ter uma garrafa de um bom Rum a seu lado enquanto lê estas páginas. Suponho que, em certos momentos, uma boa bebida forte será bem-vinda, como trégua das aventuras aflitivas que serão descritas aqui”.
Usando os talentos do jovem tripulante e artista que servia como seu escriba, Edward Thatch narra suas aventuras e feitos com exclusividade. Tudo – de seu célebre temperamento, sua decisão de adotar a pirataria e sua criação calculada com brilhantismo do mito do Barba Negra ao bloqueio audacioso de Charleston, na Carolina do Sul, sua improvável amizade com “o cavalheiro pirata” Stede Bonnet e sua relação com o até então desconhecido Edward Kenway – é registrado com fidelidade, em suas próprias palavras. Soltem as velas, velejem ao vento nesta incrível jornada a bordo do navio do pirata mais temido dos sete mares.
A obra “Assassin’s Creed: Barba Negra – O Diário Perdido” traz para os leitores a visão do infame Edward Thatch (mais conhecido pela sua alcunha “Barba Negra”) a respeito de alguns dos acontecimentos narrados em Assassin’s Creed - Bandeira Negra (resenha aqui). O livro começa com a apresentação do Corsário desejando a todos os leitores – que tiverem a afortunada oportunidade de encontrar seu diário perdido – seus melhores votos e uma boa garrafa de rum. O ano é 1713, ele e sua tripulação ainda comemoravam o ano novo no dia 02 de janeiro, mesmo sendo um inglês – estes comemoram o ano novo no dia 25 de março – não desperdiçaria uma oportunidade de beber por um detalhe como este. Como um homem benevolente, Edward confere os devidos créditos ao jovem marinheiro de sua tripulação (que se identifica na obra apenas como C.J), cujas mãos habilidosas tanto na escrita como no desenho, começam a dar vida ao diário de um dos homens mais temidos da Era de Ouro da Pirataria.
          O capitão mostra aos menos conhecedores da vida de marujo, o que os homens do mar fazem, como por exemplo, estocar comida, o que comer e o que não comer, jogatinas, o trabalho de cada um dentro do navio, etc.
        Logo no início dos registros, ele conta como conheceu o jovem Edward Kenway, marujo do navio Emperor. O capitão deste, com sede de ganância e fortuna, atacou um aliado, o Amazon Galley. Edward Thatch e sua tripulação, a bordo do Sea Dog’s Bite foram ao seu socorro. Depois de um combate, quase toda a tripulação morreu, sobrando apenas três. Um deles era Kenway.
          Depois dos relatos deste embate, Kenway entra para a tripulação do corsário e a partir daí uma boa amizade se desenrola entre os dois. Nas palavras do próprio capitão, Kenway era um “Sedutor, patife, conspirador e antes de tudo isso, um verdadeiro amigo”. Foi a partir dessa declaração que Thatch resolve abrir o diário para fazer menções ao jovem, por ele ser um “pobre rapaz, que parece não ter um escriba ou artista adequado para fazer crônica de suas aventuras”.
           Na obra, Thatch conta a história de um personagem citado tanto no livro Bandeira Negra, quanto no jogo de mesmo nome: William Kidd. Seu nome era uma lenda entre os marujos e sua história regada a sangue, traição e ganância. Kidd é um nome importante na trama por dois motivos: primeiro, que é por conta de seu suposto mapa do tesouro, que a saga de Edward Kenway como assassino começa (mesmo que ele não saiba disso); e segundo por ele ter um “filho” bastardo que aparece na trama. Gostei muito de ver como deram os devidos créditos à sua lenda.
           Temos também o relato da improvável (diria quase inconcebível) amizade entre Stede Bonnet e Thatch. Afinal, um pirata que COMPRA o seu próprio navio não deveria ser merecedor da atenção do grande pirata. Mas contrariando toda a lógica, Thatch o levou sob sua tutela, a fim de ensinar “Capitão Bonnet” a ser um terror dos mares.

Nota do escriba: Stede Bonnet é, sem hesitação, o mais estranho pirata que se pode imaginar. É asseado, melindroso e tímido. Receio que nosso Capitão logo o considerará pouco divertido e ele será abandonado em uma ilha deserta. Assim espero. Pág. 79

               A ótica de Thatch se mostra interessante e preenche algumas lacunas que ficaram de fora do livro “Bandeira Negra”, pois aquele é também narrado em primeira pessoa, então alguns acontecimentos ficaram apenas à vista de Kenway. O relato de Barba Negra oferece ao leitor um ponto de vista alternativo para a história. O livro tem um humor negro ácido, os relatos do pirata são em sua maioria curtos, mas afetam o leitor bem onde interessa: nos acontecimentos que cercam as aventuras e intrigas do universo de Assassin’s Creed – Bandeira Negra.
Mais do que tudo, a obra descreve o homem por trás da lenda.
         A única crítica que posso fazer a essa obra é que em certos momentos algumas palavras são censuradas. Pelo que pude constatar, são palavrões que Thatch pronuncia. Creio que se você está ambientando uma obra em um local onde o uso do palavrão é corriqueiro, a censura a meu ver é desnecessária. E mesmo que seja para preservar um público mais jovem, existem coisas escritas nesse livro muito piores que palavrões.              
           O livro é narrado em primeira pessoa. Através de seu escriba pessoal, Edward fala diretamente com quem está lendo seus relatos, tanto que em alguns momentos ele chega a se referir diretamente ao leitor (Leitor, eu poderia arder no inferno por algumas coisas que fiz, e dançar com o Categute do demônio, mas digo-lhe a verdade: homens como Bellomont estarão dançando ao meu lado. Pág. 38). O escriba também participa (de uma forma mais humilde) da  redação do diário. Através de notas, registra seus próprios pensamentos a respeito das passagens narradas pelo capitão.
         A fluidez na narrativa é tranquila, apenas alguns termos usados na época (1713 a 1718) e termos náuticos podem ser um entrave ao leitor, mas nada que o Google não resolva rapidamente. A revisão está impecável, nenhum erro aparente. Quanto à formatação das fontes, o leitor pode se sentir um pouco incomodado na leitura, pois usaram uma fonte que muitas vezes fica difícil de ler (ainda mais se você estiver sacolejando dentro de um ônibus). O livro todo se foca na história do pirata Barba Negra e à medida que a história avança, ele conta sobre outros personagens como Willian Kidd e Stede Bonnet. Como o livro está em forma de diário, as passagens são definidas por datas (dia/mês/ano). Algumas são bem curtas, outras tomam várias páginas. Ele faz algumas colagens dentro do diário, como o mapa dos arredores de Nassau, a carta de autorização expedida pela Rainha Anne para os Corsários e até um cartaz de procurado com a foto do Barba Negra. A qualidade das ilustrações é magnífica. Fizeram um trabalho sensacional nas gravuras que tomam algumas páginas do livro. Como o escriba também era ilustrador, algumas passagens do diário são ilustradas (veja na galeria abaixo). A capa é dura e mostra o desenho do símbolo dos assassinos da época. O livro por si só é uma obra de arte, vale a pena a aquisição, mesmo que você não seja fã da série, pode começar a gostar a partir deste livro.

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Christie Golden nasceu em 21 de novembro de 1963 em Atlanta, Georgia. Aos 13 anos de idade, Golden gastava tardes inteiras assistindo A New Hope. Após completar o ensino médio, Golden estudou na Universidade da Virginia, onde se formou em Inglês e passou um semestre do curso na universidade de Cambridge, na Inglaterra. Best seller do New York Times e vencedora de vários prêmios, é autora de mais de 35 romances e diversos contos nos gêneros de ficção científica, fantasia e terror — entre eles mais de 10 romances da célebre série Star Trek e três da saga Star Wars. Jogadora contumaz da série World of Warcraft, ela já publicou dois contos em mangá e vários romances sobre esse universo.
          Caro marujo, se você quer se aventurar pelos sete mares, conhecer novos horizontes, cidades perdidas, boas tavernas com o melhor rum, meretrizes com os mais generosos decotes, viver intensamente uma vida de perigos e riquezas, este livro é para você. Se você é um fã da série Assassin’s Creed, este livro é quase que obrigatório, pois mostra a visão de um homem que deixou sua marca no universo da franquia. E se você é um colecionador de edições especiais de livros, você precisa adicionar este à sua coleção.
               Bebei, amigos yo ho!

Querem saber a opinião do Barba Negra sobre Edward Kenway? Assistam o trailer!



Bibliografia de Christie Golden:


Livros (obras publicadas no Brasil):

  • World of Warcraft: Marés da Guerra - Galera Record (2012);
  • Starcraft - Ponto Crítico - Galera Record (2013);
  • World of Warcraft - A Ruptura: Prelúdio de Cataclismo - Galera Record (2013);
  • Assassin's Creed - Barba Negra: O diário perdido - Galera Record (2014);
  • World of Warcraft: Crimes de guerra - Galera Record (2014).




Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Gente, eu adoro o jogo, mas nunca li nenhum livro. Tô tendo um mini colapso aqui com a lindeza desse livro!!!!!Que coisa mais Iindaaaa!!!!
    Adorei a sua resenha, e principalmente sua honestidade ao dizer que em alguns momentos o vocabulário dá uma dificultada (nada que o Google não resolva foi ótimo) e sua preocupação em informar que a fonte não é das melhores. Eu sou uma das que teria sérias dificuldades em ler um livro assim. Parabéns
    PS: Odiei a voz do pirata dublada, quem dublou foi o Jimmy do Matanza??? HAUHAHAUHA

    http://www.conversasdealcova.com/2014/10/resenha-rain-man-de-leonore-fleischer.html

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  2. Sério, eu ainda vou comprar esses livros, mas ando tão atolada, o que eu faço? haha
    Parece ser muito legal. APESAR de não ser histórias típicas que eu leia, mas só porque não me dão livros assim. O que eu sei da história vem do jogo e eu adoro. Nada como o livro para complementar.

    Um beijo.
    www.prettythings.com.br

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