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30/12/2014

Retrospectiva 2014

Restrospectiva da Academia sobre o ano de 2014

Olá, leitores! Falta pouco para o ano acabar e hoje estamos nostalgia pura. Vamos listar aqui para vocês, que tem acompanhado o blog, nossa retrospectiva 2014. O que aconteceu de legal que presenciamos no meio literário. Postagens, fotos, acontecimentos, tudo de divertido que vimos e fizemos. Espero que gostem e que possam se divertir conosco relembrando o que 2014 trouxe de bom para o meio literário.

Logomarca

                Depois de muito adiamento, sofrimento, testes e atualizações, mostramos aos nossos leitores nossa marca oficial. Foi um dia muito feliz para os membros da Academia, pois finalmente tínhamos a nossa identidade literária. Postagem: aqui.

Prêmio Bang

                O Prêmio Bang foi uma surpresa bem vinda para os aspirantes a escritores brasileiros. Em um mercado muitas vezes injusto e super competitivo como o nosso, nada mais justo do que aparecer de vez em quando aparecer algo que possa encorajar novos escritores a tirar seus originais da gaveta. Postagem: aqui.

Semana do Livro Nacional (notícia)

                Fiquei muito surpreso e emocionado com a notícia de que a fofa da Viviane Fair havia indicado meu nome para organizar a etapa de Brasília do SLN. Esse foi o primeiro evento que eu fui como blogueiro da academia, ainda em 2013 e depois de um ano, trocaria a plateia pela organização do evento. Postagem: aqui.

Mochila Literária DF

                Esse evento foi importante para nós por dois motivos: primeiro por ser um evento de grande porte (coisa que a Academia ainda não havia feito) que iria reunir nada mais nada menos que 20 autores em um mesmo local. E por eu ter conhecido as “Jéssicas”. Jéssica Rodrigues e Jéssica Brenda. Surgiu daí uma amizade entre blogueiros que deu tão certo que hoje trabalhamos juntos em eventos literários (esperem por novidades ano que vem). Postagem: aqui.

Um ano de Academia

                Nesse dia nosso querido blog completou um aninho de existência. Quando começamos o blog, apostamos em um formato um pouco diferente de muitos blogs literários. Ficamos um ano inteiro só divulgando autores e obras nacionais. Muitos diziam para nós que isso era um tiro no pé, que não daria certo e que o blog não sobreviveria só com nacionais. Não só sobrevivemos, como aprendemos a enxergar com outros olhos o trabalho árduo que os autores tem para conseguir se manter no mercado. Por conta dessa aposta estamos mais maduros e cientes de nosso dever como blogueiros. Se cada blog adotasse para si um autor nacional, acho que mais portas estariam abertas para esses guerreiros. E se os autores valorizassem (mais do que já valorizam) o trabalho dos blogueiros, poderíamos ter muito mais meios de ajuda-los. E fazemos niver no dia do amigo, quer coisa melhor do que comemorar com nossos amigos leitores e autores??? Postagem: aqui.

Semana do Livro Nacional (Evento)

                Primeiro grande evento que encabeço a organização. Quase morri de stress por conta desse evento, mas no final deu tudo certo. Ficamos muito felizes com o resultado e espero poder participar novamente da organização do ano que vem. A bancada de autores foi formada apenas por escritores locais. Há pouco menos de um ano atrás eu nem sabia que havia escritores locais! Hoje temos um time de feras aqui do DF e vamos trabalhar com eles sempre que pudermos, para levar seu trabalho para outros estados e afora. Postagem: aqui.

Parceria com a BookStart

                Os autores iniciantes sempre se perguntam como publicar um livro. Procurar uma editora tradicional? Procurar uma por demanda? Publicação independente? Então, surgiu uma quarta opção: o financiamento coletivo. Ficamos muito felizes de poder participar da iniciativa da empresa que visa dar uma chance aos novos escritores através de sua plataforma de financiamento coletivo para livros. Postagem: aqui.


Comic Con: A Experiência

                O que dizer sobre o maior evento da cultura pop que esse Brasil já viu? Foi Maravilhoso! Épico! Sem Igual! Só quem estava lá para compreender o que as palavras não conseguem explicar. Fomos lá e trouxemos para os nossos leitores as impressões de algumas editoras que vimos por lá. Postagem: aqui.

Primeiro Encontro Natalino de Leitores

                Essa foi a nossa primeira aposta para um projeto piloto que estamos desenvolvendo aqui em Brasília para reunir leitores, blogueiros e escritores em um só local, onde todos possam trocar experiências de diferentes pontos de vista a respeito dos livros. Teremos mais edições desse evento (no natal e em formatos diferentes que ainda vamos discutir). O projeto está sendo desenvolvido por nós e por um time fantástico de blogueiros que estão nos auxiliando nessa empreitada. Postagem: aqui.


                Então é isso pessoal. Boa parte do que fizemos esse ano está aqui e apostamos que ano que vem teremos muito mais para mostrar a vocês. Desejamos a todos um Feliz Ano Novo e que o ano de 2015 traga muito mais livros que o de 2014.


                Até o ano que vem ;)
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29/12/2014

Estudo diz: Para dormir bem, livro impresso é melhor que e-book


Olá, leitores!

Venho aqui compartilhar uma matéria que eu vi ontem a respeito de ler livros antes de dormir. Alguns de vocês já devem ter ouvido aquela frase: “Vai ler um livro que o sono vem mais rápido”. A frase, para nós, leitores não faz muito sentido, ainda mais aqueles que adoram “ler só mais um capítulo”. Porém, para os leitores de livros digitais, essa frase possa também ser prejudicial a saúde. Isso porque um grupo de pesquisadores do Brigham and Women's Hospital de Boston compararam o efeito da leitura de livros de papel e de leitores digitais (e-readers) antes de dormir. O resultado foi o seguinte: pessoas que liam livros digitais levavam mais tempo para dormir e tinham um sono de pior qualidade. Segundo os pesquisadores, a explicação estaria na luz emitida pelos e-readers, que podem interferir com o relógio biológico.
Nosso corpo se guia pela luz para diferenciar o dia e a noite e determinar seu ritmo. Mas a luz azul, faixa de onda comum em smartphones, tablets e luzes LED (presentes em alguns tipos de TV, por exemplo), é capaz de interferir com o relógio biológico. A exposição à luz azul à noite pode desacelerar ou impedir a produção de melatonina, hormônio que regula o sono.
Os pesquisadores constataram ainda que os leitores de tablets dormem uma hora mais tarde do que os outros e estão menos alertas no dia seguinte - mesmo depois de oito horas de sono. Eles acreditam também que o uso desses aparelhos, principalmente entre crianças e adolescentes, "desempenha um papel, ao perpetuar a falta de sono", tendência que se agrava há meio século. Por esse motivo, os pesquisadores pedem investigações sobre as consequências, para a saúde, de seu uso em longo prazo.

E ai, leitores de Ebooks? Será que essa pesquisa tem fundamento? Eu não tenho o costume de ler E-books, ainda sou da velha guarda, então não tenho muito argumento para comentar o assunto. Nada mais natural do que perguntar para quem usa e-readers para ler. 


Fonte: msn.com
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24/12/2014

Livros para o Natal

As cidades já começam a se vestir para o Natal. Vitrines enfeitadas, luzes e cores!

Da mesma forma que existem aquelas pessoas que se sentem felizes fazendo listas de presentes para comprar no Natal, há também os aficionados por leitura que se realizam elaborando listas de livros que pretendem “devorar” aproveitando o clima da Natal.

A diferença entre essas duas categorias de consumidores é que aqueles que compram presentes deixam para fazer isso poucos dias antes do Natal, enquanto que os amantes da literatura optam por um planejamento mais minucioso, começando a elaborar a sua lista com meses de antecedência

Mas e você meu amigo, já pensou em dar um livro de presente? Já se questionou que livro poderia presentear no Natal? Um blog fez uma seleção de 10 obras que sugere/ajude a escolher uma boa história para ler em clima de Natal. Vamos conferir!?

As Duas Faces do Destino

O Expresso Polar (Chris Van Allsburg).

Na véspera de Natal, um menino ouve um barulho que vem do lado de fora de casa. Quando ele olha pela janela, descobre que há um enorme trem parado logo em frente: é o Expresso Polar, que irá conduzi-lo numa viagem de sonho e fantasia rumo ao Pólo Norte, residência oficial do Papai Noel. Marcado pela simplicidade da história e pelas magníficas ilustrações de Chris Van Allsburg, "O Expresso Polar" é um clássico natalino que nunca sai de moda, e que, apesar de ter sido lançado originalmente em 1985 e ter vendido milhões de cópias em todo o mundo, ainda hoje, quase vinte anos depois, é o atual nº 1 na lista dos mais vendidos do jornal New York Times.


As Duas Faces do Destino

Como o Grinch roubou o Natal (Dr. Seuss)

Encarnado por Jim Carrey no cinema, o Grinch é um dos personagens mais conhecidos de Dr. Seuss. Nervoso e emburrado, esse monstrinho não quer deixar as festas de fim de ano acontecerem: "O Grinch odiava o Natal! A véspera e toda aquela função!Por favor, não pergunte por quê. Ninguém sabe a razão.Talvez porque ele tivesse um parafuso a menos.Talvez, quem sabe, seus sapatos fossem muito pequenos.Mas eu acho que o motivo mais corretoÉ que ele não tinha o coração do tamanho certo.Mas,Qualquer que fosse a razão,Os sapatos ou o coração,Ele ficava, na noite natalina, odiando a Quem-fusão,Olhando de sua caverna, com uma careta grinchenta e azeda,Lá embaixo, na aldeia, as janelas acesas.Pois ele sabia que cada Quem daquele povinhoEstava ocupado, pendurando enfeites de azevinho."



As Duas Faces do Destino

A Cabana (William P. Young)

A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana para passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta a cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá muda sua vida para sempre. Num mundo em que religião parece tornar-se irrelevante, "A Cabana" invoca a pergunta: "Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo?" As respostas encontradas por Mack surpreenderão você e, provavelmente, o transformarão tanto quanto ele.


As Duas Faces do Destino

Um Conto de Natal (Charles Dickens)

"Um Conto de Natal" do britânico Charles Dickens (1812-1870) é uma das histórias mais famosas da literatura ocidental. O enredo nos traz a figura de Ebenezer Scrooge, um avarento homem de negócios londrino, rabugento e solitário, que não demonstra um pingo de bons sentimentos e compaixão para com os outros. Scrooge não deixa que ninguém se aproxime e rompa a sua dura carapaça, preocupando-se apenas com os negócios, o dinheiro e os lucros. No anoitecer frio da véspera natalina, ele é visitado pelo fantasma de Jacob Marley (seu antigo sócio comercial, morto há sete anos) que o repreende e anuncia que Scrooge se prepare, pois será visitado por três espectros do seu próprio passado, presente e futuro... A história da redenção do velho Scrooge vêm comovendo adultos e crianças de todas as épocas. A história foi escrita entre outubro e novembro de 1843, para ser publicada em capítulos de jornal, com ilustrações de John Leech, em dezembro do mesmo ano. O enredo é familiar a todos: foi filmado várias vezes e televisionado; adaptado para o teatro e para crianças. Transformado em desenho animado e HQs. A figura e o personagem de Scrooge teve vários descendentes literários, um dos mais célebres é o Tio Patinhas de Walt Disney: "Uncle Scrooge McDuck" em inglês.


As Duas Faces do Destino

Médico de Homens e de Almas (Taylor Caldwell)


Bíblia apresenta São Lucas como o médico de coração generoso, bem instruído e autor de um dos evangelhos e do Livro de Atos. Lendas antigas o descrevem como uma pessoa fora do comum, a quem são atribuídos milagres e prodígios antes mesmo de sua conversão ao cristianismo. Em Médico de Homens e Almas, Taylor Caldwell combina estas duas imagens de São Lucas, caracterizado pela constante preocupação com o sofrimento de enfermos, oprimidos e pobres. A autora pesquisou a vida e as obras de Lucas, e as descreve de forma romanceada num livro de detalhes históricos.


As Duas Faces do Destino

Mistério de Natal (Jostein Gaarder)

Durante os 24 dias anteriores à noite de Natal, o menino Joaquim acompanha um grupo de peregrinos que voltam no tempo para chegar a Belém, onde vão homenagear um recém-nascido. Uma fábula sobre a tolerância, na qual o autor de O mundo de Sofia traça um roteiro histórico do cristianismo.








As Duas Faces do Destino

Milagre na Rua 34 (Valentine Davies)

Milagre na Rua 34 é um livro inspirador, que conta a história de uma menina que foi criada para não acreditar em milagres. Mas quando aparece em sua cidade um velhinho que afirma ser o verdadeiro papai noel, seu ponto de vista se transforma completamente.









As Duas Faces do Destino

O Homem que Inventou o Natal (Les Standiford)

Tão reconfortante quanto o conto de Scrooge, esta é a história de como um escritor e seu livro renovaram a data festiva mais importante do mundo ocidental. Pouco antes do Natal de 1843, um Charles Dickens desanimado e cheio de dívidas escreveu um pequeno livro com a esperança de acalmar seus credores. Os editores recusaram a obra e, por isso, Dickens usou o pouco dinheiro que tinha para lançar ele mesmo Um Conto de Natal, com medo que o livro representasse o fim de sua carreira como romancista. A obra imediatamente causou sensação e insuflou nova vida a uma data que caíra em desgraça, minado pelo persistente Puritanismo e pela fria modernidade da Revolução Industrial. Era uma época dura e lúgubre, em que havia uma necessidade desesperada de renovação espiritual. Uma época pronta para abraçar um livro que espalhava bênçãos para todo mundo. Les Standiford nos leva de volta à Inglaterra Vitoriana com afeto, inteligência e uma infusão de alegria natalina para revisitar o autor mais amado da época e acompanhar o nascimento do Natal como o que conhecemos hoje. O homem que inventou o Natal é uma leitura rica e proveitosa para Scrooges e afins.


As Duas Faces do Destino

Quando Chegar o Natal: Mensagens para Acolher Jesus (Padre Zeca)

Chama o leitor a refletir os salmos, tão conhecidos por conter palavras de força, coragem e consolo. O autor teve o cuidado de fazer observações sobre cada um deles.







As Duas Faces do Destino

As Crônicas de Nárnia - C.S.Lewis

Série de sete livros de romance para o público infantil, escrita pelo autor irlandês Clive Staples Lewis (conhecido simplesmente como C.S.Lewis.Livros:1º O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa;2º Príncipe Caspian; 3ºA Viagem do Peregrino da Alvorada ou A Viagem do Caminheiro da Alvorada; 4ºA Cadeira de Prata; 5ºO Cavalo e seu Menino; 6ºO Sobrinho do Mago e 7ºA Última Batalha.





Eu ainda acrescentaria nessa lista de Natal A saga Harry Potter, porque um bom natal não fica sem a magia de Hogwarts no natal ou até mesmo para quem curte o bom e revoltante As Crônicas de Gelo, pois seu natal não será o mesmo. Espero que essas sugestões lhe ajudem a escolher uma boa história para ler em clima de Natal. Deixem dicas de quais já leu ou qual indicaria para o Natal. Escolham, leiam, meditem e viajem! 



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17/12/2014

O Pecado


A Anacleta ia a caminho da igreja, muito atrapalhada, pensando no modo por que havia de dizer ao confessor os seus pecados... Teria a coragem de tudo? E a pobre Anacleta tremia só com a idéia de contar a menor daquelas cousas ao severo padre Roxo, um padre terrível, cujo olhar de coruja punha um frio na alma da gente. E a desventurada ia quase chorando de desespero, quando, já perto da igreja, encontrou a comadre Rita.
Abraços, beijos... E lá ficam as duas, no meio da praça, ao sol, conversando.
— Venho da igreja, comadre Anacleta, venho da igreja... Lá me confessei com o padre Roxo, que é um santo homem...
— Ai! comadre! — gemeu a Anacleta — também para lá vou... e se soubesse com que medo! Nem sei se terei a ousadia de dizer os meus pecados... Aquele padre é tão rigoroso...
— Histórias, comadre, histórias! — exclamou a Rita — vá com confiança e verá que o padre Roxo não é tão mau como se diz...
— Mas é que meus pecados são grandes...
— E os meus então, filha? Olhe: disse-os todos e o Sr. padre Roxo me ouviu com toda a indulgência...
— Comadre Rita, todo o meu medo é da penitência que ele me há de impor, comadre Rita...
— Qual penitência, comadre?! — diz a outra, rindo — as penitências que ele impõe são tão brandas!... Quer saber? contei-lhe que ontem o José Ferrador me deu um beijo na boca... um grande pecado, não é verdade? Pois sabe a penitência que o padre Roxo me deu?... mandou-me ficar com a boca de molho na pia de água benta durante cinco minutos...
— Ai! que estou perdida, senhora comadre, ai! que estou perdida! — desata a gritar a Anacleta, rompendo num pranto convulsivo — Ai! que estou perdida!
A comadre Rita, espantada, tenta em vão sossegar a outra:
— Vamos, comadre! que tem? então que é isso? sossegue! tenha modos! que é isso que tem?
E a Anacleta, chorando sempre:
— Ai, comadre! é que, se ele me dá a mesma penitência que deu á senhora, — não sei o que hei de fazer!
— Por que, filha? Por quê?
— Porque... porque... afinal de contas... eu não sei como é que... hei de tomar um banho de assento na pia!...

Olavo Bilac

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16/12/2014

CONSIDERAÇÕES: 1º Encontro Natalino de Leitores


Olá, leitores!

                No último sábado (13/12/2014) realizamos o nosso primeiro encontro destinado a estreitar os laços entre escritores, blogueiros e leitores da região. O evento foi realizado na Casa da Cultura, no Guará II e contamos com a presença de vários escritores brasilenses, bem como alguns blogueiros que ajudaram a Academia na organização.
               Queria primeiramente agradecer a presença de todos que puderam ir neste que é um projeto piloto para muitos outros eventos do tipo. Foi muito divertido e gratificante para nós podermos reunir autores experientes, que já estão nessa jornada há muito tempo (caso da Bárbara Morais e Viviane Vair) no mesmo ambiente que jovens promessas que ainda estão engatinhando nessa árdua, porém emocionante profissão de ser um escritor. Abordamos vários temas, desde a procura de uma editora a constante divulgação que cada autor deve fazer para promover sua obra. Viviane e Bárbara esbanjaram experiência e simpatia ao compartilhar com seus colegas os caminhos que cada uma tomou para chegar onde está hoje.
                Depois do bate-papo descontraído teve a nossa brincadeira do amigo oculto, onde os participantes trocaram ali na hora presentes. Os autores também participaram e alguns leitores sortudos conseguiram o livro e já autografaram ali mesmo! Não tem coisa melhor para um leitor do que sair de um evento com um livro autografado. Agradeço imensamente aos autores: Viviane Machado, Barbara Morais, Flávio Vieira, Rayanne Oliveira, Cristiano Vogado e Victor Gomes por terem aceito nosso convite. E aos blogueiros Paulo, Wellyson, Jéssica Rodrigues e Jéssica Brenda pela ajuda nesse e em outros projetos que virão. E claro, a equipe linda da Academia Literária DF que tem feito o possível e o quase impossível para tocar pra frente minhas ideias malucas. 

                 Fica aqui registrado que ano que vem tem mais! 
                 Quem quiser ver nossa galeria de fotos, só clicar aqui.

     A Academia Literária está reunindo blogueiros que queiram ajudar na realização de mais eventos em Brasília. Quem estiver interessado pode mandar um e-mail para academialiterariadf@gmail.com

     Obrigado a todos que nos acompanham.

     Nos vemos no próximo evento ;) 
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15/12/2014

DIVULGAÇÃO: Faro Editorial adquire nova série Novo Adulto

Olá, leitores!
Nossa parceiro Faro Editorial está a todo vapor e traz novidades para os seus leitores:


Série que foi lançada de forma independente nos EUA e adquirida pela editora brasileira, tornou-se um fenômeno de vendas e bestseller do NY Times e Usa Today, com mais de 400.000 exemplares vendidos.

New adult é mais que um gênero, identifica um nicho de mercado em que a trama é conduzida por personagens na faixa dos 20 e poucos anos. Tarryn Fisher, que possui livro em parceria com a veterana Colleen Hoover, criou uma intrincada trama, que nada se assemelha aos romances juvenis tradicionais, e já nos títulos dos livros trazem o tom do que se deve esperar: A oportunista, A perversa; o impostor ( títulos provisórios).

A trilogia conta a história de um triangulo amoroso, em que duas mulheres, disputam um homem: Drake apaixonado por Olívia, perde a memória, e depois casa-se com Leah. E ambas as mulheres veem vantagens e desvantagens em sua perda de memória, pois seus passados podem ser mais prejudiciais se vierem a tona. E fazem de tudo para manter esses segredos, mas iniciam um jogo intenso de sedução, uma para reconquistar Drake e outra para manter o casamento. E assim a trama, com alta carga de suspense e erotismo, pende a cada momento para revelações que podem por tudo a perder, deixando seus personagens em cordas bambas, arriscando sempre em termos em  que quase sempre é tudo ou nada.

No goodreads, esta série foi avaliada por mais de 70.000 leitores e recebeu uma média 4,32 pontos, do máximo de 5. No Brasil, o interesse é tanto, que circula pelas redes sociais uma versão traduzida por fãs. A Faro, ao perceber o grande interesse dos leitores, e confiando que a obra pode alcançar um público ainda maior com uma edição de qualidade, não se incomodou com a concorrente na rede ao decidir lançar a série.

A Oportunista, conta a história sobre o prisma de Olívia, o segundo livro é narrado por Leah e o terceiro por Drake. O lançamento de primeiro título será em maio de 2015.

Ansiosos por este que promete ser um sucesso aqui no Brasil???
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12/12/2014

Comic Con: A Experiência



Olá! Caros leitores da Academia!
Semana passada, foi realizado o maior e mais épico evento da cultura pop já feito aqui no Brasil. Estou falando da Comic Com Experience 2014, evento que reuniu milhares de pessoas amantes da cultura nerd/geek de todos os cantos do nosso país e além. Como diz o ditado: “Tudo que é bom, dura pouco”. Foram 4 dias de muitas atrações (tantas que era impossível uma pessoa conseguir ver todas).
Eu e minha querida amada resenhista aqui do blog estivemos por lá como representantes da Academia Literária DF e vamos contar a vocês um pouco do que vimos e fizemos. Grandes editoras, assim como grandes autores marcaram presença. Pudemos conversar, tirar fotos e pegar autógrafos com a maioria deles. Foi uma experiência única que com certeza levaremos para toda a vida.

A Experiência

                Quando saiu o primeiro anúncio de que teria uma Comic Con “nos moldes do que vemos lá fora”, fiquei empolgadíssimo com a ideia, mas não sabia o que poderia esperar do evento. Mesmo assim, apostei alto e comprei meus ingressos logo no primeiro lote. Esperei pacientemente até que o grande dia chegasse e quando chegou, meu deus, chegou com força.

Fila do primeiro dia do evento
                Na fila já podemos sentir o tamanho do que seria aquele evento: um mar de gente, alguns fantasiados (cosplays), outros vestindo alguma camisa ou acessório de algum anime, filme ou serie, vários com máquinas e celulares disparando flashs para todos os lados e claro, leitores por todos os lados. Enquanto esperavam os portões abrir, páginas e mais páginas eram devoradas pelos leitores que aproveitavam o tempo de ócio para adiantar leituras. E por falar em leitores, algumas grandes editoras confirmaram presença no evento. Interagimos com a maioria delas e vamos por aqui o que cada uma fez para a alegria dos leitores.

Editora Aleph

Brincando de Cosplay
                Confesso que não conhecia muito a respeito da editora. Voltei minha atenção a ela quando saiu o anúncio de um novo livro de uma das sagas de maior sucesso do mundo: Star Wars. Nota: Minha namorada é loucaaaaaaa pela saga. Foi a primeira editora que visitamos e de cara 2 coisas chamaram nossa atenção: Primeiro, para divulgar o livro, colocaram na entrada um R2-D2 em
tamanho real, uma (pasmem) cosplayer da escrava Leya, atrás deles uma pilha enorme de livros e um banner divulgando o horário da sessão de autógrafos do autor Timothy Zahn. Sim! Trouxeram o autor para o evento. Segundo, para divulgar a edição exclusiva do evento do livro Laranja Mecânica colocaram um cosplayer do Alex (personagem do livro) e você ainda poderia vestir uma roupa parecida e posar ao lado dele! Minha amiga aproveitou a chance, como vocês podem conferir na foto.
                Ação de Marketing sensacional que atraiu muitos olhares e flashs. Enfrentei uma senhora fila para conseguir o autografo do Timothy ainda no primeiro dia. Valeu a pena. Ainda levei para casa um caderninho de anotações do livro “2001: uma odisseia no espaço” e um pôster elegante de comemoração aos 30 anos da editora. Estão de parabéns pelas atrações, já sou fã da editora e tentarei com certeza ser parceiro deles.

Editora Novo Conceito

Foto do Stand da editora
                A Novo Conceito trouxe para o evento os autores Christian Figueiredo, Rafael Moreira e o nosso parceiro Renan Carvalho que recentemente assinou com a editora para ser o primeiro autor de literatura fantástica do Selo Novas Páginas. Encontramos com ele e conversamos um pouco a respeito da sua nova casa e ele prometeu muitas novidades em breve sobre suas obras. Encontramos por lá também o Carlos Roberto, sempre muito simpático e prestativo. Espero poder vê-lo em outros eventos da editora. Todos os livros estavam com descontos bons. O mais caro custava apenas 20 reais (e estamos falando de títulos recentes como Magisterium. Sai de lá com uma surpresa que eu prometo revelar em breve para os leitores.   

Editora Leya

                A atração de todos os eventos de grande porte que a editora participa e a mais procurada pelo público: O trono de ferro. Quem não queria sentir o gostinho de poder sentar no trono (mesmo que seja uma réplica) de reis da aclamada série do autor George Martin? Eu já havia registrado meu “Like a Boss” no trono de ferro da Bienal do livro do Rio no ano passado e mais uma vez eu estava lá para registrar o momento. Além disso, tivemos o lançamento de um projeto super legal chamado “Marmor”, onde o autor Marcelo Moreira lançou o livro “Alma Celta”. Mais informações aqui. Affonso Solano também marcou presença com seu livro “Espadachim de Carvão” e trouxe uma atração vinda diretamente das páginas dos livros: O Adapak! Sensação do estande da editora. A Leya ainda trouxe para o evento o estreante Enéias Tavares com sua obra “A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison”. A obra foi vencedora do concurso “A Fantasy quer o seu mundo”. O autor é pura simpatia e foi ao evento caracterizado com as vestimentas que são retratadas nas páginas de seus livros. Foi muito legal. Esperem novidades sobre ele em breve aqui no blog.

Da esq. para a dir.: Eu, Enéias, Cosplayer da obra, Helkem e Vader :)

Grupo Editoral Record

                Famosa por suas publicações voltadas para o publico Gamer, a editora trouxe para os fãs a aclamada escritora Christie Golden, famosa por suas adaptações dos universos de World of Warcraft, Star Trek, Star Wars e muitas outras. Destaque para o brilhante trabalho desenvolvido em "Barba Negra - O Diário Perdido" (resenha aqui) Claro que eu peguei meu autográfo (imagem acima). As series Assassin’s Creed e The Walking Dead também foram destaques no estande da editora. De lá eu sai com o mais novo título Assassin’s Creed: Unity, juntamente com um pôster do livro.

Além dos livros do W.O.W, teve espaço para o "Diário do Barba Negra"
Jambô Editora

                Poucos devem saber, mas foi por conta de um cenário de RPG chamado Tormenta que eu comecei a me interessar por livros. Os primeiros que eu li por vontade própria foram os manuais básicos do cenário (o livro de regras e o livro do jogador). A partir daí, fui consumindo muitos outros livros até chegar aos dias atuais. Então, se eu tenho a quem agradecer por eu ser um leitor assíduo, é ao cenário e aos seus criadores. Na Comic Con, depois de mais de 10 anos, finalmente conheci o trio original que criou toda a base para o cenário. Foi uma gratificação a parte poder falar com cada um deles e dizer o quanto eu agradeço por ter criado algo tão grandioso do qual eu faço parte há tantos anos (atualmente, estou jogando em uma campanha que já dura 5 anos e escrevo Fan Fics sobre o cenário). Tive também a honra de ser um dos primeiros fãs a por as mãos no primeiro jogo de computador do cenário totalmente feito no Brasil. Foi demais! O diretor do jogo, Edh Muller estava lá e passou para mim os primeiros macetes do jogo (derrotei um boss demônio da Tormeta). Sai de lá com muitos títulos que faltavam na minha coleção. Apesar de pequeno, o stand da editora foi um dos que eu mais visitei. Obrigado Jambô, por acolher esse time de feras. Por Arton!!!

Em primeira mão, o jogo "Desafio dos Deuses"
Maurício de Sousa Produções
O bom velinho

                Antes dos livros, eu já me aventurava nos gibis da Turma da Mônica. Meu personagem preferido é o Cebolinha com seus planos infalíveis para dominar a Lua (Nota: quando eu era criança, eu sempre achei que ele realmente queria dominar a LUA e não que ele trocava o R pelo L). O stand, obviamente estava vendendo produtos da Turma, mas a coisa ficou realmente “Meu Deus” quando o próprio Maurício aparecia por lá. Dezenas de seguranças, centenas de fãs e mais algumas centenas de
flashs para capturar a imagem de um dos maiores gênios da literatura brasileira. Infelizmente, não consegui uma foto ao lado dele como na Bienal do Livro, mas ao menos consegui essa foto que vocês estão vendo ai do lado. Que ele possa fazer a alegria das crianças (pequenas e grandes) por muitos anos ainda!







                Nem preciso dizer que havia muito mais atrações do que citamos aqui, mas como eu disse no começo deste post, foi impossível vermos tudo com segurança para narrarmos aqui. Fiquem ligados no nosso blog, pois trouxemos coisas interessantes de lá para os nossos leitores! Aguardem por novas aqui na Academia.
                
                Fotos, fotos e mais fotos você encontra aqui.
                Você foi na Comic Con? Conte-nos como foi sua experiência ;)

                
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11/12/2014

Amazon: Kindle Unlimited chega ao Brasil


Olá, leitores!

Depois de muita espera, finalmente chega ao Brasil hoje o Kindle Unlimited, um serviço de assinaturas que funciona de forma semelhante ao Netflix. "Com ele, os clientes podem ler quantos livros desejarem, pelo tempo que quiserem e por uma taxa de assinatura mensal", diz a empresa.  Você pega por uma mensalidade de R$ 20 (sendo que os primeiros 30 dias são gratuitos) e garante acesso a um acervo de mais de 700 mil obras, que inclui as séries como Harry Potter e As Crônicas de Gelo e fogo.

O Kindle Unlimited é compatível com o Kindle, leitor eletrônico de E-books Amazon, PCs e Mac, e com aplicativos para  tablets e smartphones que usam os sistemas iOS, Android, Windows Phone e BlackBerry.

"A Amazon está ajudando a tornar a leitura mais acessível para consumidores brasileiros com o lançamento do 'Kindle Unlimited'", diz Alex Szapiro, gerente da divisão nacional da varejista online, em comunicado. "Oferecemos mais de 700 mil livros digitais, incluindo mais de 10 mil títulos em português".

Para mais informações, acessem o site da empresa.

O que acham da novidade leitores? Há algum tempo atrás falamos aqui sobre a mudança que as plataformas digitais tem trazido ao mercado literário (link) e dicas para escritores iniciantes publicarem seus próprios livros de forma independente (link). A discussão do momento é: será esse o começo do fim para os livros físicos? Afinal, se você pode baixar e ler pagando "apenas" 20 reais todo mês, sendo está uma atividade totalmente legal, porque gastar dinheiro com livros físicos? Ou essa é apenas mais uma ferramenta para cativar e incentivar o público a procurar pelos mesmos? 

Fonte: G1
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Como J.R.R. Tolkien criou todo um gênero literário




               Olá, queridos leitores.
               É hoje. Hoje estreia nas telonas de todos os cinemas dos Brasil o tão esperado "O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos", terceira e última parte da trilogia cinematográfica de Peter Jackson baseada no livro do escritor inglês J.R.R. Tolkien. 
               Como todos sabem, essa trinca de filmes que narram a participação de Bilbo Bolseiro na luta dos anões contra o poderoso Smaug, também descrevem o momento em que o pequeno hobbit do título encontra o Um Anel, o poderoso e maligno objeto que desencadeia os eventos da trilogia "O Senhor dos Anéis".
                Mas muitos expectadores, cinefilos e mesmo leitores não conhecem a origem das histórias da Terra Média, nem a mente que a criou. Também não sabem que este criativo homem foi responsável por inventar todo um gênero literário, um gênero que fez tanto sucesso que hoje, passados 77 anos do lançamento de "O Hobbit", continua influenciando todas as mídias e as formas de se contar histórias.
             Ficou curioso? Então desfrute essa transcrição da matéria publicada pela revista Super Interessante.


***

                À primeira vista, a ideia parecia estúpida. John Ronald, um inglês de 24 anos que tinha acabado de se formar em letras na tradicional Universidade de Oxford, decidira inventar uma nova mitologia para seu país, inspirando-se nas lendas e línguas da Idade Média que o fascinavam desde a adolescência. Mitologias não costumam ser criações de uma só mente, mas histórias que correm de boca a ouvido por eras, até que um autor particularmente talentoso consiga cristalizá-las para sempre.
                O irônico é que, quando ele resolveu colocar o projeto em prática, na ressaca da Primeira Guerra Mundial, pouca gente na Europa tinha estômago para histórias épicas sobre espadas e cavaleiros, ou qualquer coisa relacionada a combate e glória militar. O próprio John Ronald tinha participado da batalha mais sanguinolenta da história inglesa. Em junho de 1916, o aspirante a criador de mitos desembarcou na França, usando o uniforme de segundo-tenente de Sua Majestade. Em pouco tempo, ele seria mais um combatente na Batalha de Somme, uma das mais horrendas da Primeira Guerra Mundial, na qual tanques de guerra forma usados pela primeira vez e morreram mais de um milhão de soldados de ambos os lados.
                John Ronald provavelmente só sobreviveu à guerra porque teve a sorte de ficar doente e ser mandado para casa. Acabaria por tornar-se conhecido décadas mais tarde, como J.R.R. (de John Ronald Ruel) Tolkien, o autor dos livros fundadores da fantasia medieval: “O Hobbit” e O senhor dos anéis”.

A aclamada trilogia trouxe o anel encontrado por Bilbo, até então apenas um item mágico sem muitas pretensões (principal diferença entro o livro e os filmes de"O Hobbit), ao centro de uma guerra e um épica jornada para destruir o mais perigoso dos itens criados por Sauron.

               Talvez não fosse a intenção do modesto professor de inglês medieval, mas ele acabaria por criar todo um novo gênero não só de literatura – que continua a revelar grandes talentos, como George R.R. Martin, de “Game of Thrones” – como de filmes e mídias que nem existiam ainda, videogames e RPGs. Veja como isso aconteceu.



MITOS MODERNOS

                Tolkien foi original ao tentar reinventar a mitologia europeia, um projeto colossal que ninguém havia tentado (ou achado razões para tentar) realizar antes dele. Mas Tolkien não surgiu do nada. O trauma das Grandes Guerras talvez seja o melhor jeito de explicar o renascimento pelo interesse pelas mitologias medievais que tomaria o planeta de assalto com seu trabalho.
                É preciso recuar um pouco mais no tempo para entender o porquê de tudo isso. No século 19, a Idade Média estava na moda entre os intelectuais europeus, que a usavam para tentar descobrir a suposta “essência” de seus países e de sua história. Poetas ingleses reinventaram o Rei Arthur, compositores de ópera na Alemanha resolveram se inspirar nas sagas da Escandinávia viking, escritores portugueses só queriam saber de cruzados matando mouros, e por aí vai.
                Não por acaso, essa paixonite medieval coincidiu tanto com movimentos nacionalistas quanto com a expansão colonial europeia na África e na Ásia. É claro que, no longo prazo, isso de todo mundo se achar o máximo acabaria dando em caca – e deu, levando à carnificina da Primeira Guerra Mundial, na qual muito moleque com a cabeça cheia de ideias sobre “cavalheirismo” e “glória” bateu as botas. A natural reação da maioria dos escritores e artistas que viveram nessa época foi considerar que esses sonhos românticos medievais tinham sido perniciosos, ajudando a levar a Europa pro abismo. Em outras palavras, chega de Rei Arthur e de Thor.
                Só que uma minoria de intelectuais – e os mais influentes foram, disparado, Tolkien e seu amigo C.S. Lewis, o criador de “As crônicas de Nárnia” – chegou justamente à conclusão oposta. O século 20 estava virando um pesadelo, segundo eles, não por mitologia de mais, mas por mitologia de menos. Sim, a guerra era um troço horrendo, e devia ser evitada a todo custo, mas só tinha virando um massacre industrializado sem precedentes porque muita gente não acreditava mais nos padrões eternos de certo e errado que podiam ser encontrados, por exemplo, no cerne das antigas mitologias. Era preciso recontá-las antes que fosse tarde.
                Partindo de uma matéria-prima confusa e desorganizada – na mitologia escandinava, por exemplo, a diferença entre elfos e anões não é muito clara – Tolkien fez questão de criar um universo consistente, sistematizado e lógico. Outro ponto importante é a maneira como ele decidiu “limpar” sua matéria-prima – nas palavras do próprio Tolkien, “purificando-a de seu lado grosseiro”. Embora seja possível reconhecer as figuras de Odin e Thor nos “deuses” do universo do autor, os chamados Valar, essas figuras divinas, na verdade, estão mais para anjos um pouco mais poderosos. Em Tolkien, só existe um único Deus verdadeiro. Não por acaso, o autor era um fervoroso (e conservador) católico apostólico romano.
                “O Hobbit”, primeiro livro da fantasia de Tolkien, saiu em 1937. Fez sucesso, mas era destinado ao público infanto-juvenil. “O senhor dos anéis” foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial, e acabou publicado só em 1954. Só virou um fenômeno de público em meados dos anos 60, graças ao lançamento de uma edição pirata nos EUA. O timing não poderia ter sido melhor, porque o livro acabou sendo “adotado” pelos hippies e por muitos outros membros da juventude que, assim como Tolkien, achavam que o mundo tinha entrado numa espiral de destruição no século 20. Nesse ponto, de fato, o professor antiquado de Oxford e muitos fãs dos Beatles tinham algo em comum: a visão negativa, contestadora, a respeito do mundo moderno.
                As semelhanças paravam por aí. Ao ver as referências (relativamente raras, na verdade) à magia nos livros, a rapaziada de 1968 logo pensava em tradições místicas pagãs ou orientais, que certamente levariam Tolkien a fazer o sinal-da-cruz e sair correndo; liam sobre a celebre erva de cachimbo hobbit e logo pensavam em maconha (embora Tolkien tivesse usado até o nome científico do tabaco, Nicotiana, para deixar claro que o troço era simplesmente fumo mesmo).
                Pouco importava: o gênio já tinha saído da garrafa. Junto com as bandas de rock e o sinal de paz e amor, o gênero da fantasia medieval virou parte inseparável do “pacote” dos anos 60 (tanto que até os Beatles pensaram em produzir e estrelar sua própria versão cinematográfica de “O senhor dos anéis”).
                Para atender essa demanda, imitações bastante deslavadas da obra tolkieniana começaram a ser publicadas, vendendo feito pãozinho quente (um dos principais exemplos é “A espada de Shanara”, do americano Terry Brooks, lançada em 1977). E um novo tipo de jogo, baseado na interpretação de personagens, fez da fantasia medieval seu principal filão. Eram os RPGs (do inglês role playing game, “jogo de interpretar papel”), que tem como um de seus primeiros e mais famosos exemplos o célebre “Dungeons and Dragons” (Calabouços e Dragões), lançado originalmente em 1974.
                Em 1976, a fantasia chegou aos computadores com “Colossal Cave Adventure”, dando origem ao RPG em videogame. E o gênero continua a gerar fenômenos da cultura pop, como “World or Warcraft” e “The Elder Scrolls: Skyrim”.
                Colocando nesses termos, pode ser que você fique com a impressão de que, após os anos de ouro de Tolkien e Lewis, as recriações da mitologia medieval acabaram lentamente virando um mistura de mercantilismo deslavado e escapismo barato. Na verdade, tudo indica que não, ao menos não totalmente – e um dos melhores contra-exemplos recentes é justamente “As crônicas de gelo e fogo” ou “Game of Thrones”, como decidiram batizar a versão televisiva do universo do romancista George R.R. Martin.
                Sim, a série é uma máquina de fazer dinheiro, e o mundo de Martin é muito mais cínico que o de Tolkien. Mas o autor continua fazendo o que o mestre fez tão bem na metade do século 20: usar elementos mitológicos para refletir sobre a natureza do poder, do certo e do errado. E isso nunca deixará de ser relevante.

Escrito e publicado depois do sucesso de "O Senhor dos Anéis", este é o livro onde Tolkien narra a criação da Terra Média e todas as raças que a habitam, Qualquer semelhança com o livros de Gênesis da Bíblia  NÃO é mera coincidência.

***

             Então é isso, queridos leitores. Essa é a história por trás da história da Terra Média e seus incríveis habitantes. Essa é a história de como um simples professor, sem muitas pretensões, revolucionou a literatura mundial. De como um homem legou ao mundo uma das histórias mais fascinantes que a humanidade já inventou.
                Gostaram? Então aproveitem para ver o último filme da trilogia e, claro, leiam o livro para saber as diferenças (sempre há) entre filme e livro.
                  Ah, em breve publicaremos aqui na Academia Literária-DF as diferenças entre os seres tolkienianos e os seres mitológicos nos quais Tolkien se inspirou. Aguardem!!!
                  No mais, divirtam-se. E até a próxima. 




Referência do texto:

- JOSÉ, Reinaldo. Tolkien & Cia: a mitologia medieval renascida para o mundo atual. Publicado em “Dossiê Super Interessante: Lendas Medievais”, edição 338-A, outubro de 2014. Páginas 60 a 63.
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10/12/2014

A "Não-me-toques!"


I

Passavam-se os anos, e Antonieta ia ficando para a tia, - não que lhe faltassem candidatos, mas – infeliz moça! – naquela capital de província não havia um homem, um só, que ela considerasse digno de ser seu marido.

Ao Comendador Costa começavam a inquietar seriamente as exigências da filha, que repelira, já, com desdenhosos muxoxos, uma boa dúzia de pretendentes cobiçados pelas principais donzelas da cidade. Nenhuma destas se casou com rapaz que não fosse primeiramente enjeitado pela altiva Antonieta.

- Que diabo! Dizia o comendador à sua mulher, D. Guilhermina, - estou vendo que será preciso encomendar-lhe um príncipe!

- Ou então, acrescentava D. Guilhermina, esperar que algum estrangeiro ilustre, de passagem nesta cidade...

- Está você bem aviada! Em quarenta anos que aqui estou, só dois estrangeiros ilustres cá têm vindo: o Agassiz e o Herman.

Entretanto, eram os pais os culpados daquele orgulho indomável. Suficientemente ricos tinham dado à filha uma educação de fidalga, habituando-a desde pequenina a ver imediatamente satisfeitos os seus mais custosos e extravagantes caprichos.

Bonita, rica, elegante, vestindo-se pelo último figurino, falando correntemente o francês e o inglês, tocando muito bem o piano, cantando que nem uma prima-dona, tinha Antonieta razões sobejas para se julgar uma avis rara na sociedade em que vivia, e não encontrar em nenhuma classe homem que merecesse a honra insigne de acompanhá-la ao altar.

Uma grande viagem à Europa, empreendida pelo comendador em companhia da esposa e da filha, completara a obra. Ter estado em Paris constituía, naquela boa terra, um título de superioridade.

Ao cabo de algum tempo, ninguém mais se atrevia a erguer os olhos para a filha do Comendador Costa, contra a qual se estabeleceu pouco a pouco certa corrente de animadversão.

Começaram todos a notar-lhe defeitos parecidos com o das uvas de La Fontaine, e, como a qualquer indivíduo, macho ou fêmea, que estivesse em tal ou qual evidência, era difícil escapar ali a uma alcunha, em breve Antonieta se tornou conhecida pela “Não-me-toques”.

II

Teria sido realmente amada? Não, mas apenas desejada, - tanto assim que todos os seus namorados se esqueceram dela...

Todos, menos o mais discreto, o mais humilde, o único talvez, que jamais se atrevera a revelar os seus sentimentos.

Chamava-se José Fernandes, e era o primeiro empregado da casa do Comendador Costa, onde entrara aos dez anos de idade, no mesmo dia em que chegara de Portugal.

Por esse tempo veio ao mundo Antonieta. Ele vira-a nascer, crescer, instruir-se, fazer-se altiva e bela. Quantas vezes a trouxera ao colo, quantas vezes a acalentara nos braços ou a embalara no berço! E, alguns anos depois, era ainda ele quem todas as manhãs a levava e todas as tardes ia buscá-la no colégio.

Quando Antonieta chegou aos quinze anos e ele aos vinte e cinco, “Seu José” (era assim que lhe chamavam) notou que a sua afeição por aquela menina se transformava, tomando um caráter estranho e indefinível; mas calou-se, e começou de então por diante a viver do seu sonho e do seu tormento. Mais tarde, todas as vezes que aparecia um novo pretendente à mão da moça, ele assustava-se, tremia, tinha acessos de ciúmes, que lhe causavam febre, mas o pretendente era, como todos os outros, repelido, e ele exultava na solidão e no silêncio do seu platonismo.

Materialmente, Seu José sacrificara-se pelo seu amor. Era ele, como se costuma dizer (não sei com que propriedade) o “tombo” da casa comercial do Comendador Costa; entretanto, depois de tantos anos de dedicação e amizade, a sua situação era ainda a de um simples empregado; o patrão, ingrato e egoísta, pagava-lhe em consideração e elogios o que lhe devia em fortuna. Mais de uma vez apareceram a Seu José ocasiões de trocar aquele emprego por uma situação mais vantajosa; ele, porém, não tinha ânimo de deixar a casa onde ao seu lado Antonieta nascera e crescera.

III

Um dia, tudo mudou de repente.

Sem dar ouvidos a Seu José, que lhe aconselhava o contrário, o Comendador Costa empenhou a sua casa numa grande especulação, cujos efeitos foram desastrosos, e, para não fechar a porta, viu-se obrigado a fazer uma concordata com os credores. Foi este o primeiro golpe atirado pelo destino contra a altivez da “Não-me-toques”.

A casa ia de novo se levantando, e já estava quase livre dos seus compromissos de honra, quando o Comendador Costa, adoecendo gravemente, faleceu, deixando a família numa situação embaraçosa.

Um verdadeiro deus ex machina apareceu então na figura de Seu José que, reunindo as suadas economias que ajuntara durante trinta anos, e associando-se a D. Guilhermina, fundou a firma Viúva Costa & Fernandes, e salvou de uma ruína iminente a casa do seu finado patrão.

IV

O estabelecimento prosperava a olhos vistos e era apontado como uma prova eloqüente de quanto podem a inteligência, a boa fé e a força de vontade, quando o falecimento da viúva D. Guilhermina veio colocar a filha numa situação difícil...

Sozinha, sem pai nem mãe, nem amigos, aos trinta e dois anos de idade, sempre bela e arrogante em que pesasse a todos os seus dissabores, aonde iria a “Não-me-toques”?

Antonieta foi a primeira a pensar que o seu casamento com José Fernandes era um ato que as circunstâncias impunham...

Antes da sua orfandade, jamais semelhante coisa lhe passaria pela cabeça. Não que Seu José lhe repugnasse: bem sabia quanto esse homem era digno e honrado; estimava-o, porém, como a um tio, ou a um irmão mais velho, - e ela, que recusara a mão de tantos doutores, não podia afazer-se à idéia de se casar com ele.

Entretanto, esse casamento era necessário, era fatal. Demais, a “Não-me-toques” lembrava-se de que o pai, irritado contra os seus contínuos e impertinentes muxoxos, um dia lhe dissera:

- Não sei o que supões que tu és, ou o que nós somos! Culpa tive eu em dar-te a educação que te dei! Sabes qual é o marido que te convinha? Seu José! Seria um continuador da minha casa e da minha raça!

Tratava-se por conseguinte, de homologar uma sentença paterna. A continuação da casa já estava confiada a Seu José: era preciso confiar-lhe também a continuação da raça.

Assim, pois, uma noite ela chamou-o e, com muita gravidade, pesando as palavras, mas friamente, como se se tratasse de uma simples operação comercial, lhe deu a entender que desejava ser sua mulher, e ele, que secretamente alimentava a esperança desse desenlace, confessou-lhe trêmulo, e com os olhos inundados de pranto, que esse tinha sido o sonho de toda a sua vida.

V

Casaram-se.

Nunca um marido amou tão apaixonadamente a sua esposa. Seu José levou à Antonieta um coração virgem de outra mulher que não fosse ela; fora das suas obrigações materiais, amá-la, adorá-la, idolatrá-la, tinha sempre sido e continuava a ser a única preocupação do seu espírito...

Entretanto, não era feliz; sentia que ela o não amava, que se entregara a ele apenas para satisfazer a uma conveniência doméstica: era apática; sem querer, fazia-lhe sentir a cada instante a superioridade terrível das suas prendas. Ninguém melhor que ele, tendo sido, aliás, até então, o único homem que lhe tocara, se convenceu de quanto era bem aplicada aquela ridícula alcunha de “Não-me-toques”.

O pobre diabo tinha agora saudades do tempo em que a amava em silêncio, sem que ninguém o soubesse, sem que ela própria o suspeitasse.

VI

Antonieta aborrecia-se mortalmente naquele casarão onde nascera, e onde ninguém a visitava, porque o seu caráter a incompatibilizara com toda a gente.

O marido, avisado e solícito, bem o percebeu. Admitiu um bom sócio na sua casa comercial, que prosperava sempre, e levou Antonieta à Europa, atordoando-a com o bulício das primeiras capitais do Velho Mundo.

De volta, ao cabo de um ano, construiu uma bela casa no bairro mais elegante da cidade, encheu-a de mobílias e adornos trazidos de Paris, e inaugurou-a com um baile para o qual convidou as famílias mais distintas.

Começou então uma nova existência para Antonieta, que, não obstante aproximar-se da medonha casa dos quarenta, era sempre formosa, com o seu porte de rainha e o seu colo opulento, de uma brandura de cisne.

As suas salas, profundamente iluminadas, abriam-se quase todas as noites para grandes e pequenas recepções: eram festas sobre festas.

Agora já lhe não chamavam a “Não-me-toques”; ela tornara-se acessível, amável, insinuante, com um sorriso sempre novo e espontâneo para cada visita.

Fizeram-lhe a corte, e ela, outrora impassível diante dos galanteios, escutava-os agora com prazer.

Um galã, mais atrevido que os outros, aproveitou o momento psicológico e conseguiu uma entrevista – esse primeiro amante foi prontamente substituído. Seguiu-se outro, mais outro, seguiram-se muitos...

VII

E quando seu José, desesperado, fez saltar os miolos com uma bala, deixou esta frase escrita num pedaço de papel:

“Enquanto foi solteira, achava minha mulher que nenhum homem era digno de ser seu marido; depois de casada (por conveniência) achou que todos eles eram dignos de ser seus amantes. Mato-me.”

Artur Azevedo

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03/12/2014

A Causa Secreta


Garcia, em pé, mirava e estalava as unhas; Fortunato, na cadeira de balanço, olhava para o tecto; Maria Luísa, perto da janela, concluía um trabalho de agulha. Havia já cinco minutos que nenhum deles dizia nada. Tinham falado do dia, que estivera excelente, — de Catumbi, onde morava o casal Fortunato, e de uma casa de saúde, que adiante se explicará. Como os três personagens aqui presentes estão agora mortos e enterrados, tempo é de contar a história sem rebuço.
Tinham falado também de outra cousa, além daquelas três, cousa tão feia e grave, que não lhes deixou muito gosto para tratar do dia, do bairro e da casa de saúde. Toda a conversação a este respeito foi constrangida. Agora mesmo, os dedos de Maria Luísa parecem ainda trêmulos, ao passo que há no rosto de Garcia uma expressão de severidade, que lhe não é habitual. Em verdade, o que se passou foi de tal natureza, que para fazê-lo entender é preciso remontar à origem da situação.
Garcia tinha-se formado em medicina, no ano anterior, 1861. No de 1860, estando ainda na Escola, encontrou-se com Fortunato, pela primeira vez, à porta da Santa Casa; entrava, quando o outro saía. Fez-lhe impressão a figura; mas, ainda assim, tê-la-ia esquecido, se não fosse o segundo encontro, poucos dias depois. Morava na rua de D. Manoel. Uma de suas raras distrações era ir ao teatro de S. Januário, que ficava perto, entre essa rua e a praia; ia uma ou duas vezes por mês, e nunca achava acima de quarenta pessoas. Só os mais intrépidos ousavam estender os passos até aquele recanto da cidade. Uma noite, estando nas cadeiras, apareceu ali Fortunato, e sentou-se ao pé dele.
A peça era um dramalhão, cosido a facadas, ouriçado de imprecações e
remorsos; mas Fortunato ouvia-a com singular interesse. Nos lances dolorosos, a atenção dele redobrava, os olhos iam avidamente de um personagem a outro, a tal ponto que o estudante suspeitou haver na peça reminiscências pessoais do vizinho. No fim do drama, veio uma farsa; mas Fortunato não esperou por ela e saiu; Garcia saiu atrás dele. Fortunato foi pelo beco do Cotovelo, rua de S. José, até o largo da Carioca. Ia devagar, cabisbaixo, parando às vezes, para dar uma bengalada em algum cão que dormia; o cão ficava ganindo e ele ia andando. No largo da Carioca entrou num tílburi, e seguiu para os lados da praça da Constituição. Garcia voltou para casa sem saber mais nada.
Decorreram algumas semanas. Uma noite, eram nove horas, estava em casa, quando ouviu rumor de vozes na escada; desceu logo do sótão, onde morava, ao primeiro andar, onde vivia um empregado do arsenal de guerra. Era este que alguns homens conduziam, escada acima, ensangüentado. O preto que o servia acudiu a abrir a porta; o homem gemia, as vozes eram confusas, a luz pouca. Deposto o ferido na cama, Garcia disse que era preciso chamar um médico.
— Já aí vem um, acudiu alguém.
Garcia olhou: era o próprio homem da Santa Casa e do teatro. Imaginou que seria parente ou amigo do ferido; mas rejeitou a suposição, desde que lhe ouvira perguntar se este tinha família ou pessoa próxima. Disse-lhe o preto que não, e ele assumiu a direção do serviço, pediu às pessoas estranhas que se retirassem, pagou aos carregadores, e deu as primeiras ordens. Sabendo que o Garcia era vizinho e estudante de medicina pediu-lhe que ficasse para ajudar o médico. Em seguida contou o que se passara.
— Foi uma malta de capoeiras. Eu vinha do quartel de Moura, onde fui visitar um primo, quando ouvi um barulho muito grande, e logo depois um ajuntamento. Parece que eles feriram também a um sujeito que passava, e que entrou por um daqueles becos; mas eu só vi a este senhor, que atravessava a rua no momento em que um dos capoeiras, roçando por ele, meteu-lhe o punhal. Não caiu logo; disse onde morava e, como era a dois passos, achei melhor trazê-lo.
— Conhecia-o antes? perguntou Garcia.
— Não, nunca o vi. Quem é?
— É um bom homem, empregado no arsenal de guerra. Chama-se Gouveia.
— Não sei quem é.
Médico e subdelegado vieram daí a pouco; fez-se o curativo, e tomaram-se as informações. O desconhecido declarou chamar-se Fortunato Gomes da Silveira, ser capitalista, solteiro, morador em Catumbi. A ferida foi reconhecida grave. Durante o curativo ajudado pelo estudante, Fortunato serviu de criado, segurando a bacia, a vela, os panos, sem perturbar nada, olhando friamente para o ferido, que gemia muito. No fim, entendeu-se particularmente com o médico, acompanhou-o até o patamar da escada, e reiterou ao subdelegado a declaração de estar pronto a auxiliar as pesquisas da polícia. Os dous saíram, ele e o estudante ficaram no quarto.
Garcia estava atônito. Olhou para ele, viu-o sentar-se tranqüilamente, estirar as pernas, meter as mãos nas algibeiras das calças, e fitar os olhos no ferido. Os olhos eram claros, cor de chumbo, moviam-se devagar, e tinham a expressão dura, seca e fria. Cara magra e pálida; uma tira estreita de barba, por baixo do queixo, e de uma têmpora a outra, curta, ruiva e rara. Teria quarenta anos. De quando em quando, voltava-se para o estudante, e perguntava alguma coisa acerca do ferido; mas tornava logo a olhar para ele, enquanto o rapaz lhe dava a resposta. A sensação que o estudante recebia era de repulsa ao mesmo tempo que de curiosidade; não podia negar que estava assistindo a um ato de rara dedicação, e se era desinteressado como parecia, não havia mais que aceitar o coração humano como um poço de mistérios.
Fortunato saiu pouco antes de uma hora; voltou nos dias seguintes, mas a cura fez-se depressa, e, antes de concluída, desapareceu sem dizer ao obsequiado onde morava. Foi o estudante que lhe deu as indicações do nome, rua e número.
— Vou agradecer-lhe a esmola que me fez, logo que possa sair, disse o
convalescente.
Correu a Catumbi daí a seis dias. Fortunato recebeu-o constrangido, ouviu impaciente as palavras de agradecimento, deu-lhe uma resposta enfastiada e acabou batendo com as borlas do chambre no joelho. Gouveia, defronte dele, sentado e calado, alisava o chapéu com os dedos, levantando os olhos de quando em quando, sem achar mais nada que dizer. No fim de dez minutos, pediu licença para sair, e saiu.
— Cuidado com os capoeiras! disse-lhe o dono da casa, rindo-se.
O pobre-diabo saiu de lá mortificado, humilhado, mastigando a custo o
desdém, forcejando por esquecê-lo, explicá-lo ou perdoá-lo, para que no coração só ficasse a memória do benefício; mas o esforço era vão. O ressentimento, hóspede novo e exclusivo, entrou e pôs fora o benefício, de tal modo que o desgraçado não teve mais que trepar à cabeça e refugiar-se ali como uma simples idéia. Foi assim que o próprio benfeitor insinuou a este homem o sentimento da ingratidão.
Tudo isso assombrou o Garcia. Este moço possuía, em gérmen, a faculdade de decifrar os homens, de decompor os caracteres, tinha o amor da análise, e sentia o regalo, que dizia ser supremo, de penetrar muitas camadas morais, até apalpar o segredo de um organismo. Picado de curiosidade, lembrou-se de ir ter com o homem de Catumbi, mas advertiu que nem recebera dele o oferecimento formal da casa. Quando menos, era-lhe preciso um pretexto, e não achou nenhum.
Tempos depois, estando já formado e morando na rua de Matacavalos, perto da do Conde, encontrou Fortunato em uma gôndola, encontrou-o ainda outras vezes, e a freqüência trouxe a familiaridade. Um dia Fortunato convidou-o a ir visitálo ali perto, em Catumbi.
— Sabe que estou casado?
— Não sabia.
— Casei-me há quatro meses, podia dizer quatro dias. Vá jantar conosco domingo.
— Domingo?
— Não esteja forjando desculpas; não admito desculpas. Vá domingo.
Garcia foi lá domingo. Fortunato deu-lhe um bom jantar, bons charutos e boa palestra, em companhia da senhora, que era interessante. A figura dele não mudara; os olhos eram as mesmas chapas de estanho, duras e frias; as outras feições não eram mais atraentes que dantes. Os obséquios, porém, se não resgatavam a natureza, davam alguma compensação, e não era pouco. Maria Luísa é que possuía ambos os feitiços, pessoa e modos. Era esbelta, airosa, olhos meigos e submissos; tinha vinte e cinco anos e parecia não passar de dezenove. Garcia, à segunda vez que lá foi, percebeu que entre eles havia alguma dissonância de caracteres, pouca ou nenhuma afinidade moral, e da parte da mulher para com o marido uns modos que transcendiam o respeito e confinavam na resignação e no temor. Um dia, estando os três juntos, perguntou Garcia a Maria Luísa se tivera notícia das circunstâncias em que ele conhecera o marido.
— Não, respondeu a moça.
— Vai ouvir uma ação bonita.
— Não vale a pena, interrompeu Fortunato.
— A senhora vai ver se vale a pena, insistiu o médico.
Contou o caso da rua de D. Manoel. A moça ouviu-o espantada.
Insensivelmente estendeu a mão e apertou o pulso ao marido, risonha e agradecida, como se acabasse de descobrir-lhe o coração. Fortunato sacudia os ombros, mas não ouvia com indiferença. No fim contou ele próprio a visita que o ferido lhe fez, com todos os pormenores da figura, dos gestos, das palavras atadas, dos silêncios, em suma, um estúrdio. E ria muito ao contá-la. Não era o riso da dobrez. A dobrez é evasiva e oblíqua; o riso dele era jovial e franco.
"Singular homem!" pensou Garcia.
Maria Luísa ficou desconsolada com a zombaria do marido; mas o médico restituiu-lhe a satisfação anterior, voltando a referir a dedicação deste e as suas raras qualidades de enfermeiro; tão bom enfermeiro, concluiu ele, que, se algum dia fundar uma casa de saúde, irei convidá-lo.
— Valeu? perguntou Fortunato.
— Valeu o quê?
— Vamos fundar uma casa de saúde?
— Não valeu nada; estou brincando.
— Podia-se fazer alguma cousa; e para o senhor, que começa a clínica, acho que seria bem bom. Tenho justamente uma casa que vai vagar, e serve.
Garcia recusou nesse e no dia seguinte; mas a idéia tinha-se metido na
cabeça ao outro, e não foi possível recuar mais. Na verdade, era uma boa estreia para ele, e podia vir a ser um bom negócio para ambos. Aceitou finalmente, daí a dias, e foi uma desilusão para Maria Luísa. Criatura nervosa e frágil, padecia só com a idéia de que o marido tivesse de viver em contato com enfermidades humanas, mas não ousou opor-se-lhe, e curvou a cabeça. O plano fez-se e cumpriu-se depressa. Verdade é que Fortunato não curou de mais nada, nem então, nem depois. Aberta a casa, foi ele o próprio administrador e chefe de enfermeiros, examinava tudo, ordenava tudo, compras e caldos, drogas e contas.
Garcia pôde então observar que a dedicação ao ferido da rua D. Manoel não era um caso fortuito, mas assentava na própria natureza deste homem. Via-o servir como nenhum dos fâmulos. Não recuava diante de nada, não conhecia moléstia aflitiva ou repelente, e estava sempre pronto para tudo, a qualquer hora do dia ou da noite. Toda a gente pasmava e aplaudia. Fortunato estudava, acompanhava as operações, e nenhum outro curava os cáusticos.
— Tenho muita fé nos cáusticos, dizia ele.
A comunhão dos interesses apertou os laços da intimidade. Garcia tornou-se familiar na casa; ali jantava quase todos os dias, ali observava a pessoa e a vida de Maria Luísa, cuja solidão moral era evidente. E a solidão como que lhe duplicava o encanto. Garcia começou a sentir que alguma coisa o agitava, quando ela aparecia, quando falava, quando trabalhava, calada, ao canto da janela, ou tocava ao piano umas músicas tristes. Manso e manso, entrou-lhe o amor no coração. Quando deu por ele, quis expeli-lo para que entre ele e Fortunato não houvesse outro laço que o da amizade; mas não pôde. Pôde apenas trancá-lo; Maria Luísa compreendeu ambas as coisas, a afeição e o silêncio, mas não se deu por achada.
No começo de outubro deu-se um incidente que desvendou ainda mais aos olhos do médico a situação da moça. Fortunato metera-se a estudar anatomia e fisiologia, e ocupava-se nas horas vagas em rasgar e envenenar gatos e cães. Como os guinchos dos animais atordoavam os doentes, mudou o laboratório para casa, e a mulher, compleição nervosa, teve de os sofrer. Um dia, porém, não podendo mais, foi ter com o médico e pediu-lhe que, como cousa sua, alcançasse do marido a cessação de tais experiências.
— Mas a senhora mesma...
Maria Luísa acudiu, sorrindo:
— Ele naturalmente achará que sou criança. O que eu queria é que o senhor, como médico, lhe dissesse que isso me faz mal; e creia que faz...
Garcia alcançou prontamente que o outro acabasse com tais estudos. Se os foi fazer em outra parte, ninguém o soube, mas pode ser que sim. Maria Luísa agradeceu ao médico, tanto por ela como pelos animais, que não podia ver padecer. Tossia de quando em quando; Garcia perguntou-lhe se tinha alguma coisa, ela respondeu que nada.
— Deixe ver o pulso.
— Não tenho nada.
Não deu o pulso, e retirou-se. Garcia ficou apreensivo. Cuidava, ao contrário, que ela podia ter alguma coisa, que era preciso observá-la e avisar o marido em tempo.
Dois dias depois, — exatamente o dia em que os vemos agora, — Garcia foi lá jantar. Na sala disseram-lhe que Fortunato estava no gabinete, e ele caminhou para ali; ia chegando à porta, no momento em que Maria Luísa saía aflita.
— Que é? perguntou-lhe.
— O rato! O rato! exclamou a moça sufocada e afastando-se.
Garcia lembrou-se que na véspera ouvira ao Fortunado queixar-se de um rato, que lhe levara um papel importante; mas estava longe de esperar o que viu. Viu Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda. Na direita tinha uma tesoura. No momento em que o Garcia entrou, Fortunato cortava ao rato uma das patas; em seguida desceu o infeliz até a chama, rápido, para não matá-lo, e dispôs-se a fazer o mesmo à terceira, pois já lhe havia cortado a primeira. Garcia estacou horrorizado.
— Mate-o logo! disse-lhe.
— Já vai.
E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado, chamuscado, e não acabava de morrer. Garcia desviou os olhos, depois voltou-os novamente, e estendeu a mão para impedir que o suplício continuasse, mas não chegou a fazê-lo, porque o diabo do homem impunha medo, com toda aquela serenidade radiosa da fisionomia. Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida.
Garcia, defronte, conseguia dominar a repugnância do espetáculo para fixar a cara do homem. Nem raiva, nem ódio; tão-somente um vasto prazer, quieto e profundo, como daria a outro a audição de uma bela sonata ou a vista de uma estátua divina, alguma coisa parecida com a pura sensação estética. Pareceu-lhe, e era verdade, que Fortunato havia-o inteiramente esquecido. Isto posto, não estaria fingindo, e devia ser aquilo mesmo. A chama ia morrendo, o rato podia ser que tivesse ainda um resíduo de vida, sombra de sombra; Fortunato aproveitou-o para cortar-lhe o focinho e pela última vez chegar a carne ao fogo. Afinal deixou cair o cadáver no prato, e arredou de si toda essa mistura de chamusco e sangue.
Ao levantar-se deu com o médico e teve um sobressalto. Então, mostrou-se enraivecido contra o animal, que lhe comera o papel; mas a cólera evidentemente era fingida.
"Castiga sem raiva", pensou o médico, "pela necessidade de achar uma sensação de prazer, que só a dor alheia lhe pode dar: é o segredo deste homem".
Fortunato encareceu a importância do papel, a perda que lhe trazia, perda de tempo, é certo, mas o tempo agora era-lhe preciosíssimo. Garcia ouvia só, sem dizer nada, nem lhe dar crédito. Relembrava os atos dele, graves e leves, achava a mesma explicação para todos. Era a mesma troca das teclas da sensibilidade, um diletantismo sui generis, uma redução de Calígula.
Quando Maria Luísa voltou ao gabinete, daí a pouco, o marido foi ter com ela, rindo, pegou-lhe nas mãos e falou-lhe mansamente:
— Fracalhona!
E voltando-se para o médico:
— Há de crer que quase desmaiou?
Maria Luísa defendeu-se a medo, disse que era nervosa e mulher; depois foi sentar-se à janela com as suas lãs e agulhas, e os dedos ainda trêmulos, tal qual a vimos no começo desta história. Hão de lembrar-se que, depois de terem falado de outras coisas, ficaram calados os três, o marido sentado e olhando para o teto, o médico estalando as unhas. Pouco depois foram jantar; mas o jantar não foi alegre. Maria Luísa cismava e tossia; o médico indagava de si mesmo se ela não estaria exposta a algum excesso na companhia de tal homem. Era apenas possível; mas o amor trocou-lhe a possibilidade em certeza; tremeu por ela e cuidou de os vigiar.
Ela tossia, tossia, e não se passou muito tempo que a moléstia não tirasse a máscara. Era a tísica, velha dama insaciável, que chupa a vida toda, até deixar um bagaço de ossos. Fortunato recebeu a notícia como um golpe; amava deveras a mulher, a seu modo, estava acostumado com ela, custava-lhe perdê-la. Não poupou esforços, médicos, remédios, ares, todos os recursos e todos os paliativos. Mas foi tudo vão. A doença era mortal.
Nos últimos dias, em presença dos tormentos supremos da moça, a índole do marido subjugou qualquer outra afeição. Não a deixou mais; fitou o olho baço e frio naquela decomposição lenta e dolorosa da vida, bebeu uma a uma as aflições da bela criatura, agora magra e transparente, devorada de febre e minada de morte. Egoísmo aspérrimo, faminto de sensações, não lhe perdoou um só minuto de agonia, nem lhos pagou com uma só lágrima, pública ou íntima. Só quando ela expirou, é que ele ficou aturdido. Voltando a si, viu que estava outra vez só.
De noite, indo repousar uma parenta de Maria Luísa, que a ajudara a morrer, ficaram na sala Fortunato e Garcia, velando o cadáver, ambos pensativos; mas o próprio marido estava fatigado, o médico disse-lhe que repousasse um pouco.
— Vá descansar, passe pelo sono uma hora ou duas: eu irei depois.
Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se levantou e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento.
Olhou assombrado, mordendo os beiços.
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranqüilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.


Machado de Assis

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