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02/12/2014

RESENHA - Não Faz Sentido: Por trás da Câmera (Felipe Neto)

         Aviso: Esta é uma resenha de uma biografia escrita pelo autor Felipe Neto. A Academia não resenha livros que não sejam de ficção, sendo esta uma rara exceção, provinda de uma escolha pessoal de nossa resenhista. Aproveitem a leitura ;)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica:  Neto, Felipe. Não Faz Sentido – Por trás da câmera/ Felipe Neto.  – 1. Ed. – Rio de Janeiro, Casa da Palavra, 2003. 272 páginas. 23cm.
Gênero: Biografia e Memórias
Temas: Humor, sátira e etc.
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento:  2013








“Algumas pessoas irão dizer que eu subi no salto, que devo me achar muito estrela pra escrever um livro. Bem, talvez seja verdade. Afinal de contas, foi exatamente no que eu pensei quando vi que Justin Bieber, Fiuk e Restart haviam feito a mesma coisa. De qualquer jeito, queria entender quando foi que ocorreu essa supervalorização dos livros. Até onde eu sei, até poucos anos atrás, era somente através dos livros que as pessoas conseguiam passar informações. Depois vieram o rádio, a TV e, olha só, a internet, que é onde tudo isso começou. Se você tem raiva deste livro, coloque a culpa na internet, tá na moda.”
                                     *Não Faz Sentido (pág. 14)


Se você tinha acesso à internet e era um adolescente no ano de 2010, provavelmente se lembra do "Não faz sentido" ou do “PC Siqueira”. Ou talvez não, que assim como eu que assistia a seus primeiros vídeos, e ajudava a viralizar, questionava aos amigos se os conheciam e a resposta era sempre a mesma: “Quem é esse?”. Eles eram simples vlogueiros que se expressavam da forma que todos desejavam, mas que nunca o fizeram. As pessoas começavam a conhecê-los e classificar seus vídeos em “gostei” e “não gostei” e o único preocupado a fazer com que o “gostei” ficasse maior que o “não gostei” era o Felipe Neto. Mas com o tempo percebeu que não é possível agradar a todos, mas conquistava seu espaço e principalmente seu público. Eu mesmo acompanhei esse crescimento, ou melhor, essa viralização onde todo mundo falava dele, nas redes sociais, no curso de inglês, no colégio, chegando à famosa modinha.

Mas quem é esse tal de Felipe Neto? Não me venha dizer que é o carinha de óculos escuros que só fala palavrões e faz vídeos. Questiono quem é o Felipe Neto? O que o fez trilhar esse caminho? Quem é esse cara por trás de vídeos polêmicos? E o que acontecia por trás de todas aquelas críticas, aquela zoação e aqueles palavrões? E porque esse cara conseguiu se tornar uma das mentes revolucionárias? No livro “Não Faz Sentido - por trás da câmera”, Felipe nos conta sua trajetória de sucesso e narra sua história ao estilo “self-made man”. Iniciando-se por um pré-prefácio assinado pelo empresário brasileiro 
e palestrante Flávio Augusto da Silva e descrito como “Felipe, porque você não arruma um emprego decente?”, um prefácio do humorista e apresentador Rafinha Bastos confirmando que a internet vai mudar o mundo do entretenimento e uma breve apresentação do autor. O livro é dividido em 22 capítulos, e ao final de temos acesso aos vídeos citados ao longo do livro através da tecnologia – e não magia –, ou seja, por meio de códigos QR que podem ser lidos e acessados via celular. Uma ideia genial e fundamental. “A noite que tudo começou” nos mostra o início de tudo, desde o “Controle Remoto” (blog) até o início de “Não Faz Sentido” e um pouco do seu lado fofo ou viado aos 13 anos com a paixão pelas Chiquititas, Pokémon e dança/música do Latino. Mas também nos mostra o outro lado de Felipe, noivo aos 20 anos, sonhando ser ator e de quebra uma receita de macarrão. Porém, o que o moveu mesmo foi um “F*da-se! Deixa eu pegar essa câmera e filmar QUALQUER BESTEIRA”. Sim, essa foi a iniciativa. E assim passamos para o próximo capítulo, que nos conta “O Nascimento do Não Faz Sentido”. Como tudo na vida, os primeiros vídeos mostraram a falta de amadurecimento e de preparação, mas com isso Felipe foi percebendo que tal formato não daria certo e que precisaria de mudanças. Mas como realizar essas mudanças sem dinheiro? Felipe investiu na criatividade e cara de pau. Percebendo que o vídeo funcionava muito mais quando escrevia o que ia dizer, em vez de simplesmente ligar a câmera e sair falando qualquer coisa, então criou roteiros e temas. Sem contar que estaria atuando como sempre quis. O vídeo contava com palavrões, comentários politicamente incorretos, verdades ditas e mostradas em situações e temas com os quais nós conseguimos nos identificar.

“Quando você vive de produzir conteúdo, seja esse conteúdo escrito, narrado 
ou interpretado, existe uma coisa fundamental: referência." - Pág. 27

Ao longo do livro Felipe mostra as modificações, as iniciativas, as quedas e principalmente o desejo de um vlogueiro ou blogueiro, que é checar as estatísticas de acesso de seus vídeos e ver aquele número subindo. O autor entrega que para tanto fez várias análises de quais vídeos o público gostava, como as críticas deviam ser e, é claro, mostrou o principal: que o público que odiava suas críticas foram os que fizeram com que seu sucesso viesse mais rápido, comprovado em vídeos como Justin Bieber, colírios, Crepúsculo e os temas adolescentes. 

Fazer Sucesso no Youtube não é tão difícil!” – Pág. 40

E após a polêmica, o que Felipe mais temia aconteceu: ele virou modinha e o livro explica como o Felipe Neto, filho da Rosa, lidou com essa situação e não o Felipe Neto, o personagem. Frases se tornaram eternas entre fãs e não fãs, com direito a xingamentos e socos e até mesmo de meus parabéns e abraços.

Mesmo através de muitos argumentos óbvios, os vídeos possuíam 
muito mais que xingamentos, e as pessoas estavam sendo capazes de enxergar 
isso e apreciar meu trabalho mesmo que fosse falando mal de algo de que 
gostavam” - Pág. 82

Mas apesar disso temos o lado bom, o desejo ultra-secreto de quase todos blogueiros/vlogueiros de fazer sucesso na internet e ganhar dinheiro. Felipe nos mostra como é ganhar dinheiro com o entretenimento e como é fazer parte deste mundo. Convites aceitáveis, outros tentadores e recusáveis e qual a importância de uma agente. E mostrando o problema de se ficar famoso e lidar com temas que envolvem outros famosos, como por exemplo, no vídeo Fiukar.

“O seu ídolo NÃO te ama. Exatamente, ele não te ama, sabe por quê? 
(...) Se você ama alguém porque essa pessoa te segue (...) 
você tem probleminha!” – Pág. 101

Conflitos, dúvidas, incertezas e, claro, o êxtase com cada vitória, começavam a mostrar outro lado que Felipe desconhecia: a amargura, críticas negativas e até mesmo as mentiras. Ataques pessoais, diretos e sem direito à defesa. E foi aí que Felipe viu a importância de diferenciar o “Felipe Neto do Não faz sentido” do “ Felipe Neto da vida real”.  O medo de falar besteira ou de ser julgado durante uma entrevista e a esbórnia de ser conhecido e entrar em qualquer festa ou ter qualquer pessoa ao seu lado. Mas em quem confiar? E a autoestima?

“Muitos pensam que é fácil. Muitos buscam por algo sem fazer ideia exatamente 
do que vão encontrar (...) Do medo vem a angústia, a insegurança, o pânico do 
fracasso. Mas dentro do pacote também posso notar a vontade de provar 
a mim mesmo de que sou capaz (...)”.  – Pág. 142 e 143.

Felipe liga para seu pai e escuta a seguinte frase:  “– Felipe, não tem ninguém que 
atinge o sucesso sem carregar um monte de gente tentando derrubá-lo. 
Muito sábio.” – Pág. 111

Daí em diante Felipe mostra como venceu seus medos e conseguiu seus prêmios, seu amadurecimento e crescimento profissional. E surgiam novos desafios, como a censura, algo que não existe em seus vídeos, mas que muitos exigiam (pais e emissoras). Segundo Felipe, uma palavra só é suja de acordo com o valor que você atribui a ela. Mas não só isso o preocupava, mas também o uso de mensagem subliminar, ou melhor, de como encaixar tal produto em seu vídeo e a aceitação de seu público.

Com grandes mudanças é necessário arriscar-se também. E foi em 2011 que decidiu que era hora de começar a publicar menos vídeos e dar início a novos projetos. Felipe arriscou-se mesmo não estando pronto para isso e deu início ao seu projeto mais conhecido atualmente, a Parafernalha. E aos poucos, se dividindo entre como ser um empresário e lidar com ramos diferentes. Mas no fundo Felipe sentia e sabia que esse era um dos momentos de transição mais importantes da historia da indústria do entretenimento no Brasil e que tinha que aproveitar. A Paramaker surgiu e só fez Felipe ter mais orgulho de ter aquela câmera empoeirada no armário, a compra dos adesivos e o uso daqueles óculos escuros.

A linguagem do livro é de fácil compreensão e, considerando o conjunto, seus objetivos e público alvo, o livro é bem escrito. O editor de seu livro, não é nada mais e nada menos que Raphael Draccon, escritor, romancista e roteirista. A dicção é muito próxima de sua já bastante conhecida expressão falada, o que torna a identificação imediata. Seja como for, lemos ouvindo a voz de Felipe Neto. Um dos temas principais do livro é seu amadurecimento pessoal a partir do desenvolvimento dos critérios que moldariam sua integridade artística, e é difícil definir qual seu público alvo, assim como seu gênero. Na introdução, o autor brinca: “quero ver como as livrarias vão classificá-lo”. O livro se revela reflexivo em diversos momentos, mas acredito que dificilmente alguém que não conheça e admire previamente vai se interessar pela leitura. Mas arrisco-me a dizer que se o leitor tiver mente aberta e pensar como ele chegou ali e tiver a curiosidade pode até se divertir.

Dos mais famosos livros da atualidade, “Não Faz Sentido – Por trás da câmera/ Felipe Neto” é um livro interessante para que se entenda como foi essa revolução da história da indústria do entretenimento no Brasil. O livro instiga a curiosidade e incentiva a ter uma iniciativa, a ter dúvidas e medos, mas principalmente a ser crítico, aceitar as críticas e crescer. O livro é indicado a várias gerações, seja criança, adolescente, adulto ou idoso. Pois o incentivo a buscar ser alguém é algo necessário em todas as fases. Aliás, você nasce em busca disso. Recomendo com orgulho e parabenizo o Felipe Neto pelo amadurecimento, por tamanha criatividade e pelas batalhas vencidas.

Não Faz Sentido – Por trás da câmera/ Felipe Neto” é um dos maiores sucessos na carreira de Felipe Neto, com grande público, assim como seus vídeos. Mas voltemos à pergunta inicial: quem é Felipe Neto? Felipe Neto Rodrigues Vieira para uns, filho de Rosa Esmeralda Pimenta Neto, nascido em uma família de classe média baixa no subúrbio carioca de Engenho Novo, com déficit de atenção, autodidata e ex-viciado em Chiquititas, Pokémon e viciado em Hogwarts. Para outros, Felipe Neto, o personagem raivoso, carregado de auto-ironia, sarcasmo, referências pop e piadas para quase todos os gostos, com óculos escuros e pôsteres no fundo. E para alguns, um não-autor. Sim, nem tudo são flores. Há quem goste e quem não goste de sua arrogância e/ou de suas críticas. Mas atualmente Felipe é aquele cara casado com a Madu (Maria Eduarda Magalhães), fazendo curso para executivos em Harvard, dono do Canal Não Faz Sentido, vencedor do VMA na categoria Webstar, com programa “Até que faz Sentido” na Multishow, com quadro de humor no programa Esporte Espetacular, da Rede Globo e fundador e atual CEO da Paramaker, que é dona de canais como Parafernalha. Diante disso posso descrevê-lo como empresário, vlogger, ator, comediante e escritor brasileiro.

Frase dita pelo autor: “Julgamo-nos tão espertos, tão analíticos, tão maduros e, no final das contas, somos todos formados por medos, inseguranças e sonhos. Criticamos e condenamos aquilo que não somos, mas que nos incomoda e, se por fato tomamos a premissa, não podemos dizer que somos indiferentes. Já dizia Dona Maria: “nenhum dos pregos misturados na caixinha toma martelada, apenas o que sai dela”. Virar alvo de críticas me ensinou, principalmente, que mesmo na pior das análises não há indiferença. Isso, por si só é razão para sorri.”




Obras
Não Faz Sentido! - Por Trás da Câmera



Pessoal da Academia com o autor :)

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