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30/06/2015

RESENHA - O Exterminador do Futuro (J. Cameron, R. Frakes e B Wisher)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: CAMERON, James. FRAKES, Randall. WISHER, W.H. O Exterminador do Futuro. 1ª edição. Rio de Janeiro, DarkSide Books, 2015. Tradução de Dalton Caldas, 331 páginas.
Gênero: Ficção Científica;
Temas: Apocalipse, máquinas, viagem no tempo;
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Norte-Americana.
Ano de lançamento: 2015.














“Mas ele sabia que tinha de ver o que iria matá-lo. Não havia dúvida na mente de Del Ray Goines de que aquilo era algo sobrenatural e estava ali por sua causa, e, já que ele era basicamente um escroto fodido, a coisa estava ali para matá-lo. E sempre se deve olhar seu algoz nos olhos. Del então virou a cabeça e viu a forma branca na névoa que se dissipava.
Aquilo havia saído do nada e agora estava diante dele.”
*Exterminador do Futuro (pág. 20 e 21).


Ano de 2029.
As máquinas se ergueram das cinzas do fogo nuclear. A guerra das máquinas para exterminar a humanidade já dura décadas, mas a batalha final não será travada no futuro. Será travada aqui, no nosso presente.
Uma missão de ódio e destruição vinda do futuro sombrio.
Uma mulher inocente em meio a forças além de seu controle.
Um homem em busca de justiça atravessando as barreiras do tempo.
E uma criatura fria, cruel e desumana chamada de “Exterminador”.
 “O Exterminador do Futuro” conta a história de Sarah Connor, uma jovem comum que, de um dia para o outro, tem sua vida completamente transformada com a vinda de dois viajantes do tempo: Kyle Reese, um sargento enviado ao passado para protegê-la; e o Exterminador, uma máquina de combate programada para exterminar Sarah e qualquer outro que fique em seu caminho.
Ao longo da história somos levados pelo narrador a conhecer a história de Sarah Connor. De como a mulher delicada e inocente, que só queria se formar e dar um rumo na vida acabou por se envolver diretamente em uma trama que poderia definir o destino da humanidade. Ao passo que conhecemos mais sobre o que o futuro aguarda, acompanhamos os passos de Reese em sua missão e sentimos um gostinho do terror que os sobreviventes do holocausto irão viver sob o domínio das máquinas, ao conhecermos o antagonista da obra – o ciborgue de infiltração T-800 – vivido nos cinemas pelo astro Arnold Schwarzenegger.

Uma foto vale mais que mil palavras
  O livro é uma novelização de um filme clássico dos anos 80. E quando se trata de adaptações, tento olhar com mais cautela e não ir seco ao pote para não criar grandes expectativas. Não foi tão diferente com essa obra (com exceção da capa, porque com a capa não tem como não se empolgar). Sou fã de ficção científica e fã de obras apocalípticas, então “Exterminador do Futuro” foi uma obra muito bem-vinda na minha estante. O negócio era saber o que a obra tinha a oferecer a mais que o filme. E sabemos que os livros são, em maioria esmagadora, melhores que os filmes. Porém, o que eu li nesse livro superou até as minhas mais altas expectativas. Os três autores fizeram um trabalho magnífico. O livro entrou para as minhas leituras favoritas do ano.
A obra, logicamente por ter mais espaço, aprofundou certas coisas que ficaram de fora do filme ou que passaram rápido demais. Tivemos mais tempo de ver como Reese se virou quando chegou ao passado, mais tempo para conhecer a amizade entre Sarah, Ginger e Matt, mais tempo para mergulhar de ponta cabeça nas descrições sobre o mundo Pós-Apocalíptico e conhecer um pouco mais sobre alguns personagens secundários que aparecem na trama. Quem diria, por exemplo, que o nome do lixeiro do começo do filme é Del Ray Goines ou que o nome do mendigo do beco que o Reese aterrissou é Benjamin Schantz. Esses personagens ganharam mais vivacidade com o livro.
 Posso tomar como claro exemplo as “Sarinhas”, que eram as vozes da razão da Sarah, pois ficavam “observando e reprovando toda vez que ela começava a ter uma emoção que desconfiava ser inadequada”. Ou os pensamentos de Reese sobre aquele mundo pré-guerra. Diversas vezes ele analisou o quanto certas coisas corriqueiras da nossa vida, certos materiais que jogamos fora por qualquer motivo eram tão preciosos em seu tempo pós-apocalíptico. Ou coisas que ele apenas ouviu falar (como dinheiro e baladas) e coisas que ele nem ao menos sabia que um dia existiram (como pizza) e que não existiam mais no seu tempo. Mesmo os cinéfilos que já assistiram ao filme mais de 500 vezes e já até sabem as falas de cabeça vão se surpreender, pois o psicológico dos personagens (até mesmo os secundários) é aprofundado a um nível muito superior ao mostrado no filme.  
       Outro ponto que curti muito: os autores souberam descrever com muita eficiência a visão computadorizada do exterminador. Algo que foi sendo aperfeiçoado de um filme para o outro, foi amplamente usada na obra para que os leitores pudessem sentir o quão poderoso e letal era aquela máquina de combate.


Visão infravermelha do Exterminador

“A visão computadorizada do Exterminador rastreou o policial quando ele correu para o outro lado da parede. Por trás de seus olhos infravermelhos, o microprocessador do Exterminador ainda via o alvo como um contorno animado – um cálculo probabilístico do movimento do policial baseado em sua trajetória e velocidade.
O exterminador Alinhou o cano da AR-180 com um ponto na parede a dois metros da porta e atirou. As balas de 5,56 mm atravessaram a divisória e fizeram buracos grandes no peito e pulmões do policial. O jovem morreu bastante surpreso”. 
Pág 223


E por fim, no roteiro original do filme, o Exterminador matava suas vítimas (as mulheres) e fazia uma incisão em suas pernas a fim de procurar a identificação do alvo, pois Sarah teria um pino de metal implantado cirurgicamente na perna e esse era o único registro que a máquina tinha para confirmar a identidade do alvo. No filme, esse detalhe da trama foi deixado de lado, mas como o livro é baseado no roteiro original, podemos conferir o trabalho de açougueiro do ciborgue em detalhes.
O livro é narrado em terceira pessoa, com um narrador onisciente que divide os acontecimentos entre Sarah Connor, Kyle Reese e o Exterminador. A fluidez da narrativa é tranquila, mas em alguns momentos, leitores não acostumados com histórias de ficção científica podem dar umas “travadas” na leitura. Vamos conhecendo o trio de personagens principais à medida que a obra avança, conhecendo o passado (ou futuro, dependendo de quem o narrador está falando). A relação temporal é linear, com alguns poucos flashbacks dos acontecimentos de Reese no futuro. A obra é divida em quartro partes: dia 1, 2, 3 e 126 (pois é rs), com pausas textuais sempre que o foco da narrativa muda. Cada uma dessas pausas é identificada por um texto que mostra a localização do personagem e a hora em que acontece a narrativa. A revisão só peca um pouquinho na coerência da tradução, mas é quase nada comparado ao que a editora fez na diagramação que está impecável. A DarkSide da um show quando o assunto é diagramação. A capa é a imagem do crânio metálico de um T-800 e só (não que precise mais que isso para identificá-lo) e o verso a parte de trás da cabeça do ciborgue. Por dentro, a contracapa simula a visão do exterminador (o modo de busca). Podemos conferir em algumas partes do livro cenas em preto e branco do filme. Por fim, a formatação está ótima. Folhas amareladas e fonte boa para ler. Um detalhe muito curioso: o livro é de capa dura, mas ao contrário do que se espera, ele é incrivelmente LEVE! Só segurando um para saber o que eu estou falando.

Contracapa da obra, simulando a visão infravermelha do Exterminador
O livro é uma adaptação do roteiro original de James Cameron e Gale Ann Hurd, transportado para a linguagem literária por Randall Frakes e Bill Wisher.
James Cameron (1954) é um premiado cineasta, produtor, roteirista e editor canadense. Bacharel em Física pela Universidade da Califórnia e também explorador dos fundos oceânicos, é considerado um dos maiores cineastas a trabalhar com efeitos especiais e dirigiu clássicos da ficção científica como Aliens (1986), O Segredo do Abismo (1989) e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), primeiro filme a ultrapassar o orçamento de US$ 100 milhões. É dele a direção das duas maiores bilheteiras da história do cinema: Avatar (2009) e Titanic (1997).
Randall Frakes é autor de livros e filmes de ficção científica. Escreveu O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Seu primeiro trabalho no cinema foi como cameraman de efeitos especiais para Roger Corman.
Bill Wisher é o roteirista que trabalhou com Cameron nos dois primeiros filmes da franquia, O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Fez pequenas participações em ambos: um policial que tem a cabeça esmagada pelo T-800 no filme de 1984, e um fotógrafo arremessado pela janela, na sequência de 1991. Bill escreveu ainda os roteiros de Judge Dredd e das duas versões do prequel de O Exorcista.
O Exterminador do Futuro é uma viagem no tempo em muitos sentidos. Nesse livro, os fãs que acompanham a saga desde o seu primeiro filme vão sentir uma boa dose de nostalgia ao ler e também poderão se aprofundar ainda mais nas questões sentimentais e psicológicas que envolvem Reese e Sarah. Para os fãs de ficção científica, esse livro é mais que obrigatório, já que a obra inspirou vários outros títulos baseados em viagens no tempo e batalhas entre humanos e máquinas. Para os leitores de primeira viagem, recomendo a leitura como porta de entrada para o universo da franquia. E finalmente, para os leitores que, assim como eu, apostam no escuro.








Bibliografia de JAMES CAMERON (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil):
  • O Exterminador do Futuro – DarkSide Books (2015).


Bibliografia de RANDALL FRAKES (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil):
  • O Exterminador do Futuro – DarkSide Books (2015).


Bibliografia de BILL WISHER (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil):
  • O Exterminador do Futuro – DarkSide Books (2015).





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29/06/2015

SLN 2015: Autores convidados (Parte 2)

Olá, Leitores da Academia!


Como já dito neste post, esse ano vai ter a terceira edição do evento Semana do Livro Nacional DF! E como já dito neste post, anunciamos cinco autores convidados! Está na hora de conhecerem os outros cinco. É com muito orgulho que hoje vou falar um pouco de cada um deles. Confiram abaixo:

Enéias Tavares
Enéias Tavares é professor de Literatura Clássica da UFSM e especialista nos Livros Iluminados de William Blake. Como escritor, é o criador da série de literatura fantástica Brasiliana Steampunk, série que reinterpreta os heróis da literatura brasileira num cenário retrofuturista. O primeiro volume, A lição de anatomia do temível dr. Louison (2014), venceu o prêmio do selo Fantasy, da editora Casa da Palavras/LeYa

Obras Publicadas:
  • A Lição de anatomia do temível dr. Louison - Skoob


Flávio Vieira
Flávio Vieira nasceu em 1993, em Brasília – Distrito Federal. Formado em Sistemas de Informação pela Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central. Desde sua infância é amante de mitologias, do universo RPG, de filmes e obras de fantasia. Aos 17 anos, a literatura somou a sua essência assim como os elementos fazem parte de um mago e a espada torna-se um com o guerreiro. Quando, em 2012 publicou a primeira edição de seu primeiro romance “A Rebelião das Almas”. Atuou em escolas públicas de ensino fundamental e médio da cidade em que reside, contribuindo com palestras e oficinas a cerca da leitura e escrita”. – Fernando Freire – Poeta e Coordenador da Coordenação Regional de Ensino do Gama

Obras:
  • A Rebelião das Almas - Skoob
  • O Legado de True Constantine - Ainda a ser publicado 


Nestablo Ramos
Nascido no Rio de Janeiro, Nestablo é aficionado pela arte do desenho desde criança. Sua carreira como ilustrador e animador começou em 1993, no mercado publicitário. Publicou seu primeiro trabalho autoral em 1998, de forma independente, e não parou mais. Desde então ganhou prêmios e teve obras publicadas por diferentes editoras. Ilustrou histórias em quadrinhos da Luluzinha Teen, do mascote da banda Iron Maiden – Eddie, e de personagens da Disney, como Vovó Donald, Panchito e Professor Pardal. Atualmente trabalha em projetos sobre conscientização ambiental por meio dos quadrinhos, apresenta o programa de webrádio Enerdizando e atua como designer e ilustrador profissional. Prolífico criador de personagens, Nestablo é acima de tudo apaixonado pela vida animal e crítico da violência, temas sempre abordados em suas obras, em meio a muita aventura e humor.

Obras:
  • Marcos, o Menino Vermelho de Marte - Site
  • Carcereiros - Skoob


Silvia Fernanda
Silvia Fernanda é uma escritora baiana. Leitora ávida, sempre criou suas próprias histórias e às vezes encontrou pessoas que gostavam delas. Começou a postar suas histórias em diversos websites, surpreendendo a todos ao alcançar rapidamente popularidade e tornar-se uma referencia na escrita de romances adultos. Seu primeiro livro publicado foi 30 dias com Camila. “Você arranjou um Problema", seu segundo livro foi lançado na Bienal do Livro que ocorreu no Rio de Janeiro em 2013. 

Obras:
  • 30 Dias com Camila - Skoob
  • A Inacreditável Arte de ser um Capacho - Skoob
  • Mais que 30 Dias com Camila - Skoob
  • Você Arranjou um Problema - Skoob
  • Gabi e o Pop Star - Skoob
  • O Vizinho - Skoob
  • Como Minha Família Descobriu que eu não era mais Virgem - Skoob



Viviane Machado
Vivianne Fair (conhecida também por chefa) é autora da trilogia a Caçadora publicada pela editora Draco, a nova trilogia em lançamento O caçado e Quem precisa de heróis. Também possui ebooks como Steph, a super-hiperativa e Poderes Encrenqueiros. Trabalha também com ilustrações, inclusive internacionais e ilustrou todas as capas dos seus livros, incluindo outras capas para outros autores. É professora de desenho e inglês, sendo formada em arts plásticas. É carioca, mas mora atualmente em Brasília com seu filho, um crítico ferrenho de suas obras, mas que ela ama com toda certeza.


Obras:
  • A Caçadora (Volume 1) - Skoob
  • A Caçadora (Volume 2) - Skoob
  • A Caçadora (Volume 3) - Skoob
  • Caçado (Volume 1) - Skoob
  • Caçado (Volume 2) - Skoob
  • Contos da Caçadora - Skoob
  • Quem precisa de Heróis? - Skoob
  • Poderes Encrenqueiros - Skoob



E isso, leitores! Esses são nossos 10 queridos autores que irão participar dessa edição da Semana do Livro Nacional DF! Vamos apoiar nossa literatura nacional!


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25/06/2015

Divulgação: Máfia dos Marcadores

Olá, leitores!


Hoje trago a vocês uma história um tanto curiosa. 
Não faz muito tempo, fui para um evento um pouco diferente dos quais estava acostumado a ir. O evento era sobre marcadores. De pessoas que colecionavam e trocavam marcadores com outros apaixonados pela mania. Sabe aquelas figurinhas que vinham nos chicletes? Ai quando vinha alguma repetida, você as trocava com outras pessoas. Foi a mesma coisa lá. Eu tenho um monte de marcadores na minha casa, mas nunca pensei na ideia de ficar trocando. Nem de ficar de livraria em livraria procurando novos. Pegava quando tinha evento e só.
 Isso mudou um pouco quando eu conheci a galera da troca. Bom, fiz boas amizades nesse evento e conheci o universo das trocas. E eu achando que tinha muitos marcadores (hahaha). Conheci gente que tem caixas cheias de marcadores. Caixas que facilmente caberiam 3 ou 4 livros. Então você já pode imaginar a quantidade de marcadores. A galera organizou um grupo e fazemos várias trocas, até mesmo doamos repetidos que temos demais para os que não tem. Quando aparece um marcador raro então... a algazarra e o desespero começam. Todo mundo perguntando aonde conseguiu, como conseguiu e se faz troca. É muito engraçado.
Bom, certa vez em uma das idas nas livrarias, algumas das meninas do grupo foram acusadas pela livraria de “troca ilegal de marcadores”. Oi?????? Troca ilegal? Isso existe? Depois de muitas risadas e indignação por parte das “acusadas”, a Thallyta Viana (responsável pelo primeiro evento de trocas do grupo) criou a “Máfia dos Marcadores”. Uma página que organiza e divulga as trocas de modo que incidentes como esse não ocorram. A página também faz sorteios de marcadores. Existe até uma carteirinha oficial da Máfia!
Recentemente fui convidado a ser um dos administradores da página! Fiquei contente com o convite e venho divulgar a página para vocês, leitores.
Quem quiser conhecer a página, basta clicar “aqui”.

Você gosta de trocas? Então não deixe de conhecer a Máfia dos Marcadores!

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24/06/2015

SLN 2015: Autores convidados (Parte 1)

Olá, Leitores da Academia!


Como já dito neste post, esse ano vai ter a terceira edição do evento Semana do Livro Nacional DF. E podem esperar um evento muito legal, cheio de brindes, sorteios, surpresas e é claro: autores nacionais! É com muito orgulho que hoje vamos anunciar a presença de cinco deles. São escritores de nossa amada capital e estarão no evento para contar a vocês suas experiências nesse concorrido universo dos livros! Confiram abaixo os convidados:

Bárbara Morais

Nasceu e mora em Brasília e está se graduando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB). É membro da Aiesec, organização internacional voltada ao intercâmbio cultural e desenvolvimento de lideranças entre jovens, e uma leitora voraz. Faz parte do Clube do Livro de Brasília e adora organizar eventos literários. Além de sua vasta experiência em trocar bilhetes em sala de aula, derrubar objetos por acidente e consumir cultura pop, ela escreve em seu blog, o Nem Um Pouco Épico. Já teve contos publicados em coletâneas, e sua trilogia "Anômalos" está sendo publicada pela editora Gutenberg. 

Obras Publicadas:

  • A Ilha dos Dissidentes - Skoob
  • A Ameaça Invisível - Skoob


Laís Rodrigues

Nascida em Salvador, Laís Rodrigues, também conhecida como LRDO, é escritora e advogada. É colaboradora do blog Mulheres Ventaneras e colunista do site Sempre Romântica. Começou a escrever em 2013, mesma época em que desenvolveu o blog de cinema LRDO. No ano passado, publicou o livro Primeiras Impressões, uma adaptação contemporânea de Orgulho e Preconceito, da autora inglesa Jane Austen. Laís ainda pretende adaptar as demais obras de sua autora favorita. Agora em 2015, a autora teve o conto O Armário selecionado pelo Prêmio SESC Machado de Assis para fazer parte de um livro que será lançado pela editora Record até o final do ano. Outro conto seu, O Reencontro, fará parte da antologia De Repente, Nós, da Andross. 

Obras Publicadas:

  • Primeiras Impressões - Skoob
  • O Reencontro 
  • O Armário - Ainda a ser publicado


Patrícia Baikal

Patrícia Baikal nasceu em Campo Grande, MS, e com um mês de idade mudou-se para Uberlândia, MG, onde passou a infância e o início da vida adulta. Bacharel em Direito, veio morar em Brasília depois de ser aprovada em um concurso público. Em 2013 criou o blog literário Palavras de Bandeja, onde semanalmente apresenta contos inéditos. Atualmente, faz parte do Grupo de Literatura de Autoria Feminina e do Clube do Livro de Autores Brasilienses. Em 2015, lançou seu primeiro livro, o romance político "Mariposa - asas que mudaram a direção do vento

Obras Publicadas:



Dérik Reis

Dérik Reis nasceu em 1991 na cidade de Parnaguá/PI, formou-se em pedagogia em 2013 e está se especializando em gestão e Orientação Educacional. Descobriu os dos de escrever quando ainda estava na alfabetização. No decorrer dos anos escreveu várias histórias, tendo como público amigos e colegas de escola. Porém, apenas em 2012 decidiu escrever com o objetivo de publicar suas obras e alcalçar mais leitores. Assinou contrato com uma editora americana que traduzira "Glaumour entre o amor e a vingança" para o inglês e publicará nos E.U.A, livro este que deseja ser a sua grande estreia no mundo literário.Mora com seus país em Águas Lindas de Goiás, cidade do entorno do Distrito Federal.

Obras Publicadas:

  • Glamour - Entre o Amor e a Vingança - Link



Victor Gomes

Victor Gomes nasceu em março de 1994, em Brasília, onde reside atualmente. É estudante de filosofia e autor. Desde cedo apaixonado por literatura, decidiu contar suas próprias histórias, na esperança de causar em seus leitores o deslumbramento que tantos livros lhe causaram. “Eu destruí aquela vida” é seu romance de estréia.


Obras Publicadas:

  • Eu destruí aquela vida - Skoob



Pensam que acabou? Claro que não! Nosso evento vai contar com 10 autores talentosos! Isso mesmo! 10! Em breve vamos divulgá-los! Aposto que estão curiosos para saber quem são. Façam suas apostas e fiquem de olho no blog!


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23/06/2015

RESENHA - O Sangue do Cordeiro (Sam Cabot)

Sam Cabot
Ficha técnica:
Referência bibliográfica: CABOT, Sam. O sangue do cordeiro. 1ª edição. São Paulo, Editora Arqueiro, 2015. Tradução de Claúdio Carina. 366 páginas.
Gênero: Suspense.
Temas: Segredos do Vaticano; vampiros.
Categoria: Literatura estrangeira; Literatura americana.
Ano de lançamento: 2013 nos Estados Unidos; 2015 no Brasil.














“– Livia nem se mexeu – prosseguiu Thomas. – Continuou tomando o café. Como se nada tivesse acontecido. Depois ele fez de novo. Cortou o outro pulso. A mesma coisa, mais sangue na água, e quando o pulso começou a cicatrizar ele me mostrou. Parecia só um arranhão. ‘Muito bem, padre’, ele falou, ‘podemos parar com o drama agora?’ Eu não respondi e ele disse: ‘Livia, acho que ele ainda não se convenceu’. Em seguida, sorriu e me deu a faca. Estava cheia de sangue. Ele abriu a camisa e bateu no próprio peito. Na altura do coração.
– E oque você fez?
– Larguei a faca e saí correndo.
Esse era o momento em que Thomas esperava que Lorenzo sorrisse, depois começasse a gargalhar tanto quanto Thomas tinha gargalhado e explicasse o que a Concordata era na verdade, quem era o outro signatário e quais eram as verdadeiras intenções da quadrilha de ladrões/terroristas/enganadores/lunáticos que conhecera.
Mas Lorenzo não riu.
Muito pelo contrário. Pediu desculpas por ter escondido aquela informação de Thomas por tanto tempo. Explicou que a reação de Thomas provava que Lorenzo tinha agido corretamente, que de todos os segredos da Igreja, de todas as suas verdades ocultas, a que se referia à Concordata era a mais difícil para qualquer devoto compreender. Que os noantri, crias de Satã, nascidos do inferno, andavam pela Terra. Que tinham como propósito a degradação dos corpos dos homens e a destruição de suas almas. Que a promessa de vida eterna daquele povo, na forma de uma interminável existência terrena e não de um renascimento diante do Senhor, era uma promessa proibida e fútil.
E que a Igreja tinha feito um acordo com eles. E que o mantinha, para benefício mútuo de ambas as partes, havia seiscentos anos.”
*O sangue do cordeiro (pág. 118 e 119).



                “Este documento, minha querida, vai abalar a Igreja.”
Quando Thomas Kelly, padre jesuíta e historiador, encontrou a carta de Mario Damiani endereçada à Margaret Fuller, creditou a frase ao extremismo exacerbado do poeta assumidamente antipapista e julgou improvável qualquer documento, por mais chocante que fosse, ser capaz de tal feito. Entretanto, sua certeza é posta em cheque quando o Cardeal Lorenzo, seu tutor e amigo, o convoca ao Vaticano com uma missão: encontrar um perigoso documento, desaparecido na época de Damiani (por volta do ano de 1850), cujo teor seria sim capaz de abalar a Igreja. Simultaneamente, Livia Pietro, noantri e professora de História da Arte, recebe dos lideres de seu povo a incumbência de unir-se ao padre jesuíta, que ela ainda não conhece, para ajuda-lo em sua busca e evitar que o homem que diz conhecer a localização do perigoso documento cumpra sua ameaça de revelá-lo ao mundo. Uma revelação que exporia a existência dos noantri. Uma revelação que chocaria a cristandade. Mas há quem acredite que é chegado o tempo de a verdade ser conhecida. E não será fácil detê-los.
Um padre e uma noantri. Dois representantes dos signatários de um acordo há muito estabelecido conhecido como Concordata. Dois lados opostos de uma mesma história, unidos em uma busca alucinante para encontrar a prova desaparecida de um dos maiores segredos da humanidade.
Quando um segredo tão perturbador é capaz de mudar algumas das verdades tidas como absolutas no mundo, e com isso alterar os rumos da história, haverá sempre dois posicionamentos possíveis: mantê-lo oculto a fim de evitar que sua descoberta acarrete grandes prejuízos; ou revelá-lo na esperança de que propicie algum benefício. Entretanto, como em qualquer situação, há sempre dois lados da moeda e, ainda que haja algum benefício para uns, outros podem ser extremamente prejudicados. Ou todos, de maneiras diferentes, podem ser prejudicados. E há sempre um duelo entre anseios egocêntricos e crenças filosóficas e ideológicas envolvidos na tentativa de ocultação ou revelação de algo dessa magnitude. É disso que essa obra trata. “O sangue do cordeiro” segue a mesma premissa do aclamado “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, mas sua trama não é nem de longe tão rebuscada e intrincada quanto a obra em que claramente se inspira. Há um segredo a ser desvendado; há um quebra-cabeça a ser montado por meio de mensagens cifradas; há uma jornada pelas belíssimas e milenares igrejas e basílicas e templos de Roma e do Vaticano (meu coração de arquiteta ficava aos pulos e meus suspiros de emoção eram provavelmente muito audíveis, tamanha minha paixão por essas obras inigualáveis); há uma aula de História da Arte entrelaçada nas páginas do livro (olha meu coração saltitando outra vez); há muitas conspirações previsíveis e outras totalmente inesperadas; há muitas revelações bombásticas que mexem com a cabeça do leitor; e há uma decisão a ser tomada, uma escolha entre revelar ou não ao mundo o grande segredo. Todos elementos presentes em “O Código Da Vinci” e que também se fazem presentes em “O sangue do cordeiro”, de maneira bem mais modesta mas não menos empolgante. Entretanto, o ápice dessa história não está no conteúdo desse documento perdido e no segredo que ele guarda – já que, em linhas gerais, o teor desse conteúdo é esclarecido logo no início da caçada – e sim na busca pelo seu esconderijo.
Uma coisa que “O sangue do cordeiro” utiliza com louvor é a inserção de um elemento sobrenatural: vampiros. Não, isso não é um spoiler. Os noantri são vampiros. E a Concordata é um acordo entre eles e o papado (os termos desse acordo sim é um spoiler). O que vale ressaltar aqui é que a concepção de vampiros abordada na obra foge bastante da figura tradicional dessas criaturas. E isso é um dos maiores acertos desse livro.  O autor conseguiu imprimir seu toque pessoal aos seus vampiros de modo a melhor encaixá-los na sua trama sem desvirtua-los do mito clássico. Aliás, ao final do livro, o autor propõe uma explicação bastante interessante para esse chamado “mito clássico”. Outro detalhe digno de nota é a reação do padre Thomas em relação à natureza de sua companheira de buscas. Sua reação inicial e a gradativa evolução dos seus sentimentos para com a “cria de Satã” são totalmente plausíveis. Também são bem colocados os trechos em que essa natureza vampírica – ou noantri, como denominado na obra – são explicadas. Com exceção do primeiro (quando ela se revela a ele) que é um tanto longo demais, os demais são inseridos na trama e nos diálogos de maneira muito natural, se mesclando perfeitamente ao contexto.
Com narrativa em 3ª pessoa, dividido em capítulos sem títulos, “O sangue do cordeiro” possui um texto fluído e bem escrito. Embora seja obra de dois autores (Sam Cabot é o pseudônimo utilizado por Carlos Dews e S. J. Rozan), não é possível perceber diferenças no texto que evidenciem essa autoria dupla, sinal de uma parceria afiada e bem sucedida. Com diagramação simples e revisão impecável, a capa (que é a mesma da edição americana original) é o elemento de maior destaque. A ideia de uma composição que une um céu vermelho – remetendo ao sangue –, os templos e um faixa logo abaixo que lembra um pergaminho não é muito rebuscada mas cumpre seu papel. E o resultado visual é muito bonito e harmonioso.
O sangue do cordeiro” é o primeiro livro da parceria de Carlos Dews e S. J. Rozan sob o pseudônimo de Sam Cabot. Juntos, eles já escreveram mais um livro chamado “Skin of the Wolf” (“Pele do lobo” em tradução livre), ainda não publicado no Brasil. Nascido em Nacogdoches, Texas , Carlos Dews é professor-associado e titular do Departamento de Língua e Literatura Inglesa na Universidade John Cabot, na Itália, onde dirige o Instituto de Escrita Criativa e Tradução Literária. Residente em Roma, suas obras são de cunho acadêmico. A nova-iorquina S. J. Rozan é autora de muitos romances aclamados pela crítica e de contos policiais agraciados com os maiores prêmios da literatura do gênero, incluindo o Edgar Allan Poe, o Shamus, o Anthony, o Macavity e o Nero. Arquiteta por formação, Rozan vive atualmente em Manhattan.
Especialmente indicado para leitores que amam um bom mistério e uma caçada a um segredo oculto, “O sangue do cordeiro” é um livro delirante, no bom sentido, com sua corrida pelos arrebatadores monumentos de Roma e sua visão incomum da sociedade e natureza vampírica. Se você é uma pessoa sensível a narrativas que bulem com assuntos religiosos, principalmente com dogmas cristãos, é bom pensar bem antes de iniciar a leitura. É aconselhável que o leitor se atenha ao fato de que se trata de uma história fictícia. Dito isso, é um livro com uma história repleta de reviravoltas, com uma trama fascinante e com revelações finais de tirar o fôlego.

Carlos Dews
Carlos Dews
S. J. Rozan
S.J. Rozan


Bibliografia de SAM CABOT (ordem cronológica):

Livros:

  • O Sangue do Cordeiro – Editora Arqueiro (2015).


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22/06/2015

EVENTO: Semana do Livro Nacional 2015



APRESENTAÇÃO

           O projeto Semana do Livro Nacional (SLN) surgiu de uma iniciativa de autores nacionais como forma de pleitear espaço e maior visibilidade no mercado literário brasileiro. Em um cenário onde várias obras estrangeiras são fenômenos de vendas e de popularidade, comprovando que o Brasil é também um país de leitores, o SLN é uma oportunidade de apresentar a esse público leitor às obras de brasileiros e brasileiras talentosos, criativos e apaixonados pela arte de contar histórias. Trata-se, portanto, de um movimento de valorização da produção literária nacional.
         Desse modo, uma semana inteira será dedicada às publicações nacionais. Em sua terceira edição, várias cidades do território nacional sediarão eventos ao longo da semana compreendida entre os dias 18 a 26 de julho, com a participação de muitos escritores representantes de variados gêneros literários.
           A Etapa Brasília da Semana do Livro Nacional, que ocorrerá no dia 25 de julho, será organizada por uma equipe de blogueiros da região. A união dos blogs Academia Literária-DF, Leitora Sempre, Sete Coisas, Ponto para Ler, Segredos entre Amigas e Mundo B, todos incentivadores da leitura como hábito. Com a participação especialíssima de escritores residentes na própria Capital Federal e alguns convidados residentes de outros estados, a Etapa Brasília promete uma tarde de bate papo animado, sorteio de brindes e sessão de autógrafos. Assim sendo, é uma oportunidade ímpar de se deixar inebriar por novos mundos, novas aventuras, histórias apaixonantes, amores e sonhos.

OBJETIVO

          Expor a qualidade e a diversidade da produção literária nacional e incentivar os leitores brasileiros a prestigiar as obras da pátria mãe.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Estimular o hábito da leitura;
  • Apresentar aos jovens obras com temáticas e linguagem que possa despertar seu interesse;
  • Estimular a valorização da produção nacional nos leitores veteranos;
  • Abrir espaço para o autor nacional no mercado editorial;
  • Divulgar talentos da literatura brasileira;
  • Fomentar a cultura nacional e local;
  • Proporcionar a proximidade entre autor e leitor.


PÚBLICO ALVO

           O evento é destinado a toda e qualquer pessoa que cultive o hábito da leitura. É principalmente também destinado aqueles que ainda não conhecem ou não deram um chance às obras nacionais, quaisquer que sejam os motivos.
          Ou seja, o evento é destinado a você leitor!

DATA E LOCAL

Livraria Cultura Casa Park, 25 de julho de 2015, a partir das 14h00.

Link do evento: aqui.

Vamos apoiar a literatura nacional!

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19/06/2015

10 Formas inusitadas de ler livros

Olá, leitores da Academia!

Todo leitor possui suas particularidades ao ler seu livro predileto. Algumas são simples, outras um tanto estranhas. Nesta lista 10 formas inusitadas de ler um livro, algumas já colocadas em prática, outras quem sabe não encontramos algum voluntário.


1 - Ler pelado: Não é digamos um cúmulo, e a liberdade que compõe a cena até pode auxiliar na escolha dessa opção, que inclusive tem ganho adeptos pelo mundo com clubes de leitoras que preferem ler nuas seus livros prediletos. 





2 - Plantando Bananeira: Ler em pé é fácil, por isso que tal um desafio? Infle seu cérebro com sangue e mostre a força que tem nos braços, equilibrando-se com um, e com o outro segurando seu livro predileto enquanto lê. 







3 - De trás para frente: Há leitores que o maior mistério de um livro não está na resolução da trama, mas sim como começa, e justamente por isso preferem ler o livro do fim para seu início. 






4 - Sem as mãos: Há leitores que como um ciclista adora soltar as mãos, ou para que estas fiquem livres, ou se ocupem sei lá com que, e por isso preferem segurar o livro pelos dedões do pé.







5 - Dá uma cheiradinha: Talvez este hábito não seja tão inusitado assim, mas há leitores que não basta apenas ler a história, mas também de tempo em tempo é fundamental dar uma bela cheirada nas páginas do livro, embriagando-se com o cheiro de papel e literatura. 



6 - Durante o sexo: Não sei o quanto isto é inusitado, mas a atriz pornô Stoya viveu a experiência gravada pelo fotógrafo Clayton Cubittt onde era estimulada sexualmente por um vibrador enquanto lia trechos de um romance erótico. "No mínimo foi curioso e diferente" teria dito ela.




7 - Ler em voz alta: Essa além de ser uma forma inusitada, é uma maneira que pode irritar bastante quem estiver ao seu lado, principalmente conforme for seu gosto literário.




8 - Ler em partes: Esta é uma forma utilizada por grupos de leitores, especialmente fora do Brasil, onde a leitura é socializada em grupo, onde cada um dos integrantes lê em voz alta partes do livro escolhido para a leitura. 





9 - Saltando de pára-quedas: Pense na adrenalina de estar caindo em pleno ar lendo seu livro predileto. Só não vale entreter-se demais no capítulo e se esquecer de puxar a cordinha.







10 - De cabeça para baixo: Cansou de ler o livro da forma tradicional, então aceite o novo desafio e comece a ler de cabeça para baixo. Ao menos use isto como desculpa se for flagrado num fail deste tipo.




Gostaram das formas inusitadas? Já fez alguma ou outra que não está na lista, cite então nos comentários. Eu mesma já fiz mais de 3 na lista. O importante mesmo é ler!






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18/06/2015

Doação de revistas

Olá, queridos leitores
Algumas semanas atrás (sim, já faz um tempinho, mas a correria não permitiu fazer a postagem antes, sorry...) fomos agraciados com um lindo gesto: recebemos a doação de vários exemplares da revista Conhecimento Prático Literatura, da editora Escala Educacional. O benfeitor? Meu ex-professor de inglês, William Magalhães.
Foram nada mais, nada menos que 20 edições da revista, algumas ainda lacradas. Como professor, compartilhar conhecimento faz parte da vida do William. Com esse gesto, ele nos forneceu material para que possamos nos aperfeiçoar e melhorar a qualidade das informações que transmitimos a vocês, queridos leitores. Em breve, assim que concluirmos a leitura das revistas, postaremos aqui as melhores matérias encontradas naquelas páginas.





Dear William, thank you for your affection. We’ll make good use of the magazines, I promise you. (Querido William, obrigada pelo carinho. Faremos um bom uso das revistas, prometo.)


Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a revista, visite o site clicando aqui.



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17/06/2015

Blog Parceiro: Brooke Bells


Olá, leitores!
A Academia está aberta a parcerias!
Firmamos parceria com o blog “Brooke Bells” da blogueira Bruna Soares! Vamos conhecer um pouco sobre o trabalho dela:

"Duas amigas unidas por uma paixão. Em nosso blog você encontra dicas de livros, principalmente nacionais que não tem muito reconhecimento, novidades do mundo geek e dicas de séries e filmes! Nosso objetivo é fazer com que cada vez mais pessoas se unam a nós nesse maravilhoso universo!"

Quem quiser acompanhar de perto as postagens, basta acessar o blog e a fanpage!

Esperem muita coisa legal dessa parceria, leitores \0/


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16/06/2015

RESENHA - Dias Perfeitos (Raphael Montes)

Raphael Montes
Ficha técnica:
Referência bibliográfica: MONTES, Raphael. Dias perfeitos. 1ª edição. São Paulo, Companhia das Letras, 2014. 274 páginas.
Gênero: Romance policial.
Temas: Psicopatia, paixão doentia, sequestro.
Categoria: Literatura Nacional.
Ano de lançamento: 2014.
















“Clarice continuava com os insultos. A voz rouca e doce era a mesma, os trejeitos também, mas aquela era outra mulher. Não era sua Clarice. Ele avançou, precisando calá-la. Ergueu o livro e bateu violentamente na cabeça dela. Clarice contra Clarice. Bateu várias vezes, até que ela ficasse quieta.
O corpo magricelo tombou sobre a mesa de centro. Sangue escorreu pela nuca, tingindo um par de blusas no chão. A capa do livro, antes uma figura amorfa de cores claras, também se manchou de vermelho-escuro. Clarice não se movia. Ele testou a pulsação: viva, ainda.
O alívio não foi o suficiente para vencer o tremor das pernas. Olhou para a porta, pressentindo a chegada de alguém. Passos no assoalho. Sua imaginação o impedia de se mover. Ninguém apareceu. Ele era coerente, racional, inabalável; acabaria descobrindo o que fazer. A paz imóvel de Clarice incitava seus nervos numa brincadeira sádica.
Abriu as duas Samsonite cor-de-rosa, transferindo as peças da maior para a menor. Espremeu as roupas na mala pequena, fazendo correr o zíper com alguma dificuldade. Espremeu Clarice na mala grande, deixando uma fresta para que ela respirasse. Arrumou as roupas que sobraram no sofá. Guardou o celular dela no bolso.”
*Dias Perfeitos (pág. 43 e 44).


                Um rapaz e uma moça se encontram casualmente em um churrasco de um conhecido em comum. Entre conversas banais, um selinho ocorre por iniciativa dela. Assim começa a história de Téo e Clarice. Ele, um estudante de Medicina, careta, vegetariano, metódico, frio, até então incapaz de sentir qualquer traço de afeição por qualquer pessoa. Filho único de um desembargador corrupto e suicida e de uma mãe presa a uma cadeira de rodas. Ela, uma estudante de História da Arte, descolada, extrovertida e impulsiva, aspirante a roteirista de cinema que está escrevendo o roteiro de um road movie . Filha única de um engenheiro e de uma advogada, ambos com carreiras de sucesso. Um casal bastante comum não fosse um detalhe: Téo é um psicopata e Clarice já tinha um namorado. Mas a súbita e inédita atração de Téo por Clarice faz com que ele arquitete um plano para se aproximar dela. Diante da recusa da moça e em meio a uma acalorada discussão, ele acaba por sequestra-la e leva-la inconsciente para sua casa. Decidido a provar seu amor para Clarice e mostrar-lhe que ela poderia ser feliz a seu lado, Téo decide sair do Rio de Janeiro com a garota (literalmente) na mala para irem juntos a Teresópolis. E então uma viagem alucinante se inicia, começando pela pousada predileta da moça, seu recanto de paz e inspiração, e seguindo pelos cenários de seu road movie ainda não concluído. Uma viagem em que Téo mergulha cada vez mais fundo em sua obsessão por Clarice, levando até as últimas consequências sua doentia “paixão”. Uma viagem em que Clarice se vê subjugada, forçada a concluir seu roteiro, forçada a conviver com um completo estranho que diz amá-la e que lhe causa pavor, refém do “amor”, da loucura e das ameaças de Téo.
                Há um antigo ditado que diz que no amor e na guerra vale tudo. Será mesmo? Imagine alguém irreverente, que não reprime seus instintos e que, num impulso passageiro e descompromissado, beija um desconhecido em um entediante churrasco vespertino no aniversário de alguém. Agora imagine que, numa dessas ironias da vida, desafortunadamente e sem intenção, essa pessoa acabe por despertar nesse estranho um lado desconhecido mesmo a ele, um “amor” doentio e obsessivo. A história de Clarice e Téo caminha por essa perspectiva e embarca numa jornada verdadeiramente alucinante. Ele, que sempre ostentara uma máscara de bom moço, educado e amoroso, mas que sempre se sentira diferente, um monstro desprovido de sentimentos e qualquer tipo de apego, desprezando as pessoas, preso a uma vida rotineira e monótona, vê seu mundo interior ser virado do avesso ao ser confrontado pela impulsividade de uma garota um tanto excêntrica. E quando esse ato descompromissado dela desperta nele uma louca obsessão, ele ignora todos os limites e convenções sociais, éticas e morais para tentar conquista-la. Um sequestro, uma viagem; presentes, pequenos agrados, gestos de carinho e de cuidado se misturam e se somam a algemas, sedativos, acessos de fúria e violência. Téo subjuga Clarice e verdadeiramente acredita que assim a fará perceber que ele é o homem certo para ela. Somente então, isolados do mundo – contra a vontade dela –, que a verdadeira face de Téo se revela. Um homem perturbado, rigoroso, controlador, simultaneamente delicado e perverso, com uma visão muito distorcida do que é o amor e do que constitui uma relação amorosa e um relacionamento. E capaz dos atos mais extremos.
                A construção gradual do caráter psicológico e patológico de Téo é excepcional. A narrativa em terceira pessoa, com foco total no protagonista, se desenvolve de forma a transmitir as várias nuances da personalidade do jovem estudante de medicina. Desde seus hábitos rotineiros e seu estilo de vida até suas reações ao comportamento de Clarice, que obviamente não aceita passivamente sua condição de prisioneira. A psicopatia dele transparece em cada detalhe revelado. Ele é um homem frio e calculista e, sobretudo, extremamente racional. Seu encontro com Clarice desperta nele algo que ele não conhecia e com qual não sabia lidar e esse é o estopim para todas as suas ações futuras. É interessante observar o raciocínio de Téo. Todo o livro é narrado pela ótica dele, então seu pensamento é transparente ao leitor e toda a sua lógica distorcida é esmiuçada ao logo da obra. Já Clarice, como segunda personagem central nessa trama, recebeu atenção especial do autor, tendo sua personalidade bem trabalhada (ainda que apresentada e analisada pelos olhos de Téo). Há três viradas importantes na história de tirar o folego. A segunda é a mais impactante, onde Téo toma uma atitude que vai deixar muita gente chocada (sou uma dessas pessoas: cheguei a fechar o livro e larga-lo por algumas horas para processar a informação). A terceira e última é a que concluí o livro e, possivelmente, vai pegar muito leitor de surpresa, conduzindo a um desfecho curioso e instigante, para dizer o mínimo.
                “Dias perfeitos” é um livro que desperta muitas sensações e emoções contraditórias no leitor. É difícil não ficar curioso acerca dos pensamentos e das ações de Téo. É difícil não se compadecer da situação de Clarice em seu cárcere físico e psicológico.  É difícil segurar a ansiedade em cada reviravolta da história. Como uma aranha que habilmente constrói uma teia para capturar a presa, o autor construiu sua trama de modo a prender atenção do leitor cada vez mais e mais. O ritmo da narrativa em muito contribui para isso: começa mais lenta e vai se acelerando gradativamente, transmitindo certa urgência à leitura à medida que a situação de Téo e Clarice vai ganhando contornos mais dramáticos e irreversíveis. Entretanto, os capítulos finais do livro são nitidamente mais corridos que os demais, com eventos decisivos acontecendo aos montes em poucas páginas, algo que, felizmente, não chega a comprometer a história. O texto é fluido e linear, a linguagem é bem empregada, sem coloquialismos exagerados nem rebuscamentos desnecessários. O autor abdicou de travessões indicativos das falas dos personagens, substituindo-os por aspas. A revisão está impecável e a formatação, simples e coerente com a proposta do livro. Um detalhe interessante: no trecho onde há uma transcrição do roteiro incompleto de Clarice, a fonte usada é diferente e o texto está todo marcado por anotações manuscritas, como se aquele fosse realmente o rascunho dela. Outro detalhe digno de nota: “Dias perfeitos” é também o nome do roteiro em que Clarice estava trabalhando e, em um dado momento, Téo chega a se divertir com a ironia da situação:

“Ele estava confiante: viajaria com Clarice para Teresópolis, iria conquistá-la aos poucos e – riu do trocadilho – juntos viveriam dias perfeitos.”
*pág. 68

                Este livro tão arrebatador é a segunda obra de Raphael Montes, um advogado carioca nascido em 1990. Seu romance de estreia, “Suicidas”, foi vencedor do Prêmio Benvirá de Literatura em 2010 e também finalista dos Prêmio Machado de Assis (2012) e Prêmio São Paulo de Literatura (2013). Desde então, Montes vem se descantando como um promissor talento no cenário da literatura policial nacional, sendo, inclusive, elogiado pelo renomado escritor americano Scott Turow.  “Dias perfeitos” está fazendo tanto sucesso quanto seu predecessor e já teve seus direitos de publicação vendidos para nove países, entre eles Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e Portugal. Ambos os livros tiveram seus direitos vendidos ao cinema.
                “Dias perfeitos” é um daqueles livros que o leitor não consegue largar até chegar, esbaforido, à ultima página. Com uma história claustrofóbica, tensa e angustiante, é aposta certa para leitores que cultivam o gosto por personagens profundos, de mente complexa e perturbada. Altamente recomendado.





Bibliografia de Raphael Montes (ordem cronológica):

Livros:
  • Suicidas – Editora Saraiva (2012);
  • Dias perfeitos – Companhia das Letras (2014).


Participações:
  • Assassinos S/A – Editora Multifoco (2009) com o conto “A professora”;
  • Beco do crime – Editora Multifoco (2009) com o conto “O amor por Esther”;
  • Demônios VII: Gula – Editora Estronho (2011) com o conto “Banquete”;
  • Demônios VII: Inveja – Editora Estronho (2011) com o conto “As irmãs Valia, Velma e Vonda”;
  • Demônios VII: Luxúria – Editora Estronho (2011) com o conto “A doce Jekaterina”;
  • Clube da Leitura – Editora Flanêur (2012) com os contos “Café” e “Depoimento nº 220.919.20”;
  • Ellery Queen Mystery Magazine – Editora November (2012) com o conto “Statement nº 060.719-67”;
  • Para Copacabana com amor – Editora Oito e Meio (2013) com o conto “Balas de tamarindo”. 

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