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30/06/2015

RESENHA - O Exterminador do Futuro (J. Cameron, R. Frakes e B Wisher)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: CAMERON, James. FRAKES, Randall. WISHER, W.H. O Exterminador do Futuro. 1ª edição. Rio de Janeiro, DarkSide Books, 2015. Tradução de Dalton Caldas, 331 páginas.
Gênero: Ficção Científica;
Temas: Apocalipse, máquinas, viagem no tempo;
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Norte-Americana.
Ano de lançamento: 2015.














“Mas ele sabia que tinha de ver o que iria matá-lo. Não havia dúvida na mente de Del Ray Goines de que aquilo era algo sobrenatural e estava ali por sua causa, e, já que ele era basicamente um escroto fodido, a coisa estava ali para matá-lo. E sempre se deve olhar seu algoz nos olhos. Del então virou a cabeça e viu a forma branca na névoa que se dissipava.
Aquilo havia saído do nada e agora estava diante dele.”
*Exterminador do Futuro (pág. 20 e 21).


Ano de 2029.
As máquinas se ergueram das cinzas do fogo nuclear. A guerra das máquinas para exterminar a humanidade já dura décadas, mas a batalha final não será travada no futuro. Será travada aqui, no nosso presente.
Uma missão de ódio e destruição vinda do futuro sombrio.
Uma mulher inocente em meio a forças além de seu controle.
Um homem em busca de justiça atravessando as barreiras do tempo.
E uma criatura fria, cruel e desumana chamada de “Exterminador”.
 “O Exterminador do Futuro” conta a história de Sarah Connor, uma jovem comum que, de um dia para o outro, tem sua vida completamente transformada com a vinda de dois viajantes do tempo: Kyle Reese, um sargento enviado ao passado para protegê-la; e o Exterminador, uma máquina de combate programada para exterminar Sarah e qualquer outro que fique em seu caminho.
Ao longo da história somos levados pelo narrador a conhecer a história de Sarah Connor. De como a mulher delicada e inocente, que só queria se formar e dar um rumo na vida acabou por se envolver diretamente em uma trama que poderia definir o destino da humanidade. Ao passo que conhecemos mais sobre o que o futuro aguarda, acompanhamos os passos de Reese em sua missão e sentimos um gostinho do terror que os sobreviventes do holocausto irão viver sob o domínio das máquinas, ao conhecermos o antagonista da obra – o ciborgue de infiltração T-800 – vivido nos cinemas pelo astro Arnold Schwarzenegger.

Uma foto vale mais que mil palavras
  O livro é uma novelização de um filme clássico dos anos 80. E quando se trata de adaptações, tento olhar com mais cautela e não ir seco ao pote para não criar grandes expectativas. Não foi tão diferente com essa obra (com exceção da capa, porque com a capa não tem como não se empolgar). Sou fã de ficção científica e fã de obras apocalípticas, então “Exterminador do Futuro” foi uma obra muito bem-vinda na minha estante. O negócio era saber o que a obra tinha a oferecer a mais que o filme. E sabemos que os livros são, em maioria esmagadora, melhores que os filmes. Porém, o que eu li nesse livro superou até as minhas mais altas expectativas. Os três autores fizeram um trabalho magnífico. O livro entrou para as minhas leituras favoritas do ano.
A obra, logicamente por ter mais espaço, aprofundou certas coisas que ficaram de fora do filme ou que passaram rápido demais. Tivemos mais tempo de ver como Reese se virou quando chegou ao passado, mais tempo para conhecer a amizade entre Sarah, Ginger e Matt, mais tempo para mergulhar de ponta cabeça nas descrições sobre o mundo Pós-Apocalíptico e conhecer um pouco mais sobre alguns personagens secundários que aparecem na trama. Quem diria, por exemplo, que o nome do lixeiro do começo do filme é Del Ray Goines ou que o nome do mendigo do beco que o Reese aterrissou é Benjamin Schantz. Esses personagens ganharam mais vivacidade com o livro.
 Posso tomar como claro exemplo as “Sarinhas”, que eram as vozes da razão da Sarah, pois ficavam “observando e reprovando toda vez que ela começava a ter uma emoção que desconfiava ser inadequada”. Ou os pensamentos de Reese sobre aquele mundo pré-guerra. Diversas vezes ele analisou o quanto certas coisas corriqueiras da nossa vida, certos materiais que jogamos fora por qualquer motivo eram tão preciosos em seu tempo pós-apocalíptico. Ou coisas que ele apenas ouviu falar (como dinheiro e baladas) e coisas que ele nem ao menos sabia que um dia existiram (como pizza) e que não existiam mais no seu tempo. Mesmo os cinéfilos que já assistiram ao filme mais de 500 vezes e já até sabem as falas de cabeça vão se surpreender, pois o psicológico dos personagens (até mesmo os secundários) é aprofundado a um nível muito superior ao mostrado no filme.  
       Outro ponto que curti muito: os autores souberam descrever com muita eficiência a visão computadorizada do exterminador. Algo que foi sendo aperfeiçoado de um filme para o outro, foi amplamente usada na obra para que os leitores pudessem sentir o quão poderoso e letal era aquela máquina de combate.


Visão infravermelha do Exterminador

“A visão computadorizada do Exterminador rastreou o policial quando ele correu para o outro lado da parede. Por trás de seus olhos infravermelhos, o microprocessador do Exterminador ainda via o alvo como um contorno animado – um cálculo probabilístico do movimento do policial baseado em sua trajetória e velocidade.
O exterminador Alinhou o cano da AR-180 com um ponto na parede a dois metros da porta e atirou. As balas de 5,56 mm atravessaram a divisória e fizeram buracos grandes no peito e pulmões do policial. O jovem morreu bastante surpreso”. 
Pág 223


E por fim, no roteiro original do filme, o Exterminador matava suas vítimas (as mulheres) e fazia uma incisão em suas pernas a fim de procurar a identificação do alvo, pois Sarah teria um pino de metal implantado cirurgicamente na perna e esse era o único registro que a máquina tinha para confirmar a identidade do alvo. No filme, esse detalhe da trama foi deixado de lado, mas como o livro é baseado no roteiro original, podemos conferir o trabalho de açougueiro do ciborgue em detalhes.
O livro é narrado em terceira pessoa, com um narrador onisciente que divide os acontecimentos entre Sarah Connor, Kyle Reese e o Exterminador. A fluidez da narrativa é tranquila, mas em alguns momentos, leitores não acostumados com histórias de ficção científica podem dar umas “travadas” na leitura. Vamos conhecendo o trio de personagens principais à medida que a obra avança, conhecendo o passado (ou futuro, dependendo de quem o narrador está falando). A relação temporal é linear, com alguns poucos flashbacks dos acontecimentos de Reese no futuro. A obra é divida em quartro partes: dia 1, 2, 3 e 126 (pois é rs), com pausas textuais sempre que o foco da narrativa muda. Cada uma dessas pausas é identificada por um texto que mostra a localização do personagem e a hora em que acontece a narrativa. A revisão só peca um pouquinho na coerência da tradução, mas é quase nada comparado ao que a editora fez na diagramação que está impecável. A DarkSide da um show quando o assunto é diagramação. A capa é a imagem do crânio metálico de um T-800 e só (não que precise mais que isso para identificá-lo) e o verso a parte de trás da cabeça do ciborgue. Por dentro, a contracapa simula a visão do exterminador (o modo de busca). Podemos conferir em algumas partes do livro cenas em preto e branco do filme. Por fim, a formatação está ótima. Folhas amareladas e fonte boa para ler. Um detalhe muito curioso: o livro é de capa dura, mas ao contrário do que se espera, ele é incrivelmente LEVE! Só segurando um para saber o que eu estou falando.

Contracapa da obra, simulando a visão infravermelha do Exterminador
O livro é uma adaptação do roteiro original de James Cameron e Gale Ann Hurd, transportado para a linguagem literária por Randall Frakes e Bill Wisher.
James Cameron (1954) é um premiado cineasta, produtor, roteirista e editor canadense. Bacharel em Física pela Universidade da Califórnia e também explorador dos fundos oceânicos, é considerado um dos maiores cineastas a trabalhar com efeitos especiais e dirigiu clássicos da ficção científica como Aliens (1986), O Segredo do Abismo (1989) e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), primeiro filme a ultrapassar o orçamento de US$ 100 milhões. É dele a direção das duas maiores bilheteiras da história do cinema: Avatar (2009) e Titanic (1997).
Randall Frakes é autor de livros e filmes de ficção científica. Escreveu O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Seu primeiro trabalho no cinema foi como cameraman de efeitos especiais para Roger Corman.
Bill Wisher é o roteirista que trabalhou com Cameron nos dois primeiros filmes da franquia, O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Fez pequenas participações em ambos: um policial que tem a cabeça esmagada pelo T-800 no filme de 1984, e um fotógrafo arremessado pela janela, na sequência de 1991. Bill escreveu ainda os roteiros de Judge Dredd e das duas versões do prequel de O Exorcista.
O Exterminador do Futuro é uma viagem no tempo em muitos sentidos. Nesse livro, os fãs que acompanham a saga desde o seu primeiro filme vão sentir uma boa dose de nostalgia ao ler e também poderão se aprofundar ainda mais nas questões sentimentais e psicológicas que envolvem Reese e Sarah. Para os fãs de ficção científica, esse livro é mais que obrigatório, já que a obra inspirou vários outros títulos baseados em viagens no tempo e batalhas entre humanos e máquinas. Para os leitores de primeira viagem, recomendo a leitura como porta de entrada para o universo da franquia. E finalmente, para os leitores que, assim como eu, apostam no escuro.








Bibliografia de JAMES CAMERON (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil):
  • O Exterminador do Futuro – DarkSide Books (2015).


Bibliografia de RANDALL FRAKES (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil):
  • O Exterminador do Futuro – DarkSide Books (2015).


Bibliografia de BILL WISHER (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil):
  • O Exterminador do Futuro – DarkSide Books (2015).





Comentários
11 Comentários

11 comentários:

  1. Oi Luciano!
    Eu confesso que não sou muito fã de ficção científica, mas achei muito legal o fato de o livro ser uma adaptação do filme! Normalmente acontece o contrário, né? Acho isso muito legal, mostra como a literatura enriquece o cinema, assim como o cinema enriquece a literatura.

    Beijos,
    Fernanda
    www.oprazerdaliteratura.com.br

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  2. Oi Luciano, tudo bem?

    Gostei bastante da sua resenha, e que bom, que mesmo sendo uma adaptação do filme, o livro conseguiu surpreender e trazer algumas novas visões dos personagens, tramas e efeitos do filme. E realmente, o livro tem mais espaço para desenvolver, então a leitura acaba sendo um complemento do filme.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  3. Oi Lu, tudo bem?

    Você já leu e resenhou? Super rápido. Não sabia que o livro era uma adaptação do filme, mas achei super legal e é como um complemento para o filme, né? Não sou muito fã de ficção científica, mas já li alguns livros desse gênero. Vão sortear esse livro lá no evento? Se sim, vou torcer para ganhar...rsrsrs. Parabéns pela resenha.

    Beijos,
    Leitora Sempre

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  4. Luciano adoro os filmes, e para os fãs o livro é perfeito, ainda mais com todo capricho que a Editora tem com a edição, destaque sempre. Esse já está em minha lista de desejados. abraços

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  5. Olá, tudo bem?

    Acredita que nunca vi os filmes de Exterminador? Esse é aquele tipo de clássico do cinema que você nunca viu, mas que sabe a história toda pois tem amigos que só falam disso HAHAHA. Gostei de saber mais da história envolvendo esse universo, pois amo temas como viagem no tempo e toda essa revolução envolvendo as máquinas tomando o poder, mas não curti muito esse lance das "Sarinhas", não gosto muito de personagens com esse tipo de "voz da razão", sabe?! Essas edições da DS são perfeitas, né?!

    Abraços,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

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  6. E depois dessa resenha maravilhosa, fiquei super ansiosa pela leitura da obra.

    Dolores

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  7. Luciano!
    Agora virou moda transformar os filmes em livros e para quem é fã, é muito bom porque assim pode aumentar o acervo.
    Me parece que foi bem feita, principalmente porque o filme é dos anos 80... deve estar atualizado.
    Boa resenha,
    “A imaginação é mais importante que o conhecimento.”(Albert Einstein)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  8. O Exterminador do Futuro é uma viagem no tempo em muitos sentidos. Nesse livro, os fãs que acompanham a saga desde o seu primeiro filme vão sentir uma boa dose de nostalgia ao ler e também poderão se aprofundar ainda mais nas questões sentimentais e psicológicas que envolvem Reese e Sarah. Para os fãs de ficção científica, esse livro é mais que obrigatório, já que a obra inspirou vários outros títulos baseados em viagens no tempo e batalhas entre humanos e máquinas. Para os leitores de primeira viagem, recomendo a leitura como porta de entrada para o universo da franquia. E finalmente, para os leitores que, assim como eu, apostam no escuro.

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  9. Sou fã de ficção científica. Confesso que nunca li uma adaptação do cinema para literatura. Fiquei bastante curiosa.

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  10. A saga dos filmes ja é ótima, pela resenha (super bem feita) o livro parece ir pelo mesmo caminho. Fiquei com muita vontade de ler!

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  11. já que a obra inspirou vários outros títulos baseados em viagens no tempo e batalhas entre humanos e máquinas deve ser interessante quero ganhar e vou ler...

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