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22/04/2014

RESENHA - Os mistérios de Warthia - A Profecia de Mídria (Denise Flaibam)


Ficha técnica:
Referência bibliográfica: FLAIBAM, Denise. Os mistérios de Warthia: a profecia de Mídria. 1ª edição. São Paulo, Novos Talentos, 2013. 391 páginas.
Gênero: Aventura, Fantasia.
Temas: magia, profecia, salvação do mundo.
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2013.
Série: Os mistérios de Warthia – A Profecia de Mídria (Livro 1).










“Barulhos de passos ecoaram até ela, fazendo-a estacar. O chão recoberto por poças de água e galhos caídos das árvores a ajudava a identificar se estivesse sendo acompanhada, assim como também revelaria o paradeiro de quem a estava seguindo.
Virou-se na direção do som, mas tudo o que encontrou foram sombras. O aspecto sinistro da floresta começava a perturba-lhe e infelizmente não havia como voltar. Estava completamente perdida, largada à própria sorte, que, se dependesse dos últimos acontecimentos, acabaria em morte.
Não avistou nada, mas sentia a presença de alguém.
Ou de alguma coisa.”
*Os mistérios de Warthia – A Profecia de Mídria (pág. 60).


                Serafine era uma garota comum. Filha de fazendeiros — Alanor e Mégara —, a garota levava uma vida tranquila na pacata Vila do Sol. Na noite de sua décima oitava primavera, porém, um ataque inesperado de monstros impiedosos e sanguinários mudou para sempre sua vida. O objetivo das bestas era sequestrá-la e para isso, eles usavam de força bruta e carnificina gratuita para atingir seu objetivo. Então, dois forasteiros de capas escuras apareceram e salvaram a jovem das garras dos monstros, mas o preço havia sido alto: a vila em que crescera estava desprotegida e muitos morreram no ataque. Enquanto corria por sua própria vida, a jovem Serafine aos poucos começou a entender a ligação de suas marcas – tatuagens em espirais – com a história do mundo de Warthia. De garota comum a profetizada salvadora do mundo, Serafine, ao lado de seus companheiros de viagem, desbrava os mistérios que cercam Warthia em uma aventura cheia de segredos, traições, batalhas épicas e descobertas surpreendentes com o único propósito de derrotar àquela que vem das trevas para tudo devastar.
                Na obra “Os Mistérios de Warthia”, Denise Flaibam nos apresenta Serafine, garota simples (à sua maneira) que se descobre envolvida em uma trama capaz de mudar para sempre o destino de Warthia. Depois de eventos que a fizeram fugir de sua amada vila, a jovem embarca em uma viagem para descobrir sobre sua própria origem, mesmo relutando com a ideia de ter de deixar para trás toda a sua vida. Acompanhada de seus salvadores — Jarek (leia-se Jerec), o espadachim petulante, metido e mestre em deixar Serafine irritada, e Ývela (leia-se Ívela), habilidosa Arqueira que tem sempre palavras de afeto na ponta da língua —, Serafine vai descobrindo aos poucos sobre os mistérios que cercam o mundo Warthia. O livro tem um começo um tanto quanto veloz, explicando rapidamente sobre alguns elementos do mundo criado pela autora e sobre a vida de Serafine até seus 18 anos de idade. A autora acertou na criação de sua protagonista. A imprudência, a vontade de querer fazer alguma coisa, o anseio pela liberdade, o desejo pelo desconhecido, a sede de conhecimento que tanto distingue o jovem em sua fase que antecede a vida adulta. Podemos ver tudo isso em Serafine. A maioria das situações de risco em que a garota se envolve está ligada a sua imprudência e falta de juízo. Sorte dela que Jarek está lá sempre pronto para salvá-la... de novo.
                A maneira como a autora faz questão de esconder de Serafine seu passado e seu destino faz com que o leitor se sinta na pele da jovem. Assim, devoramos as páginas para descobrir junto com a protagonista por que seu destino é tão importante para Warthia.
                Um ponto importante na obra é a descrição dos cenários (existe um mapa no final do livro). São muito ricos em detalhes e ao mesmo tempo dão asas à imaginação dos leitores para que eles próprios tentem recriar em suas mentes os lugares por onde Serafine está passando. Porém, o uso excessivo da palavra “gigantesco” incomodou um pouco. Tudo é gigantesco, dando a impressão de que a jovem é uma pequenina em uma terra de gigantes. Claro que ela que vivia em uma vila sem nada de muito fantástico e, portanto, não tem qualquer base para comparações, mas o uso do adjetivo é demasiado. O mesmo vale para a palavra “afiada” ou “afiadíssima”. Quase todas as armas vistas por Serafine carregam essas palavras em suas descrições, como se cada um ali tivesse um ferreiro pessoal à disposição. Isso não chega a ser um ponto negativo na trama, apenas um pequeno vício de linguagem que poderia ser facilmente contornado com o uso de sinônimos ou adjetivos diferentes.

Alerta de Spoiler, clique para ver!
              Serafine foi destinada a derrotar o mal encarnado conhecida como Sharowfox e uma de suas tarefas como Escolhida é aprender a dominar os quatro elementos da natureza: Água, Ar, Fogo e Terra. Imediatamente pensei em “Avatar – a lenda de Aang”. Vejo alguns compartilhamentos da autora a respeito da série nas redes sociais. Não sei se foi intencional essa característica da trama, mas achei interessante a maneira como a autora insere os conceitos de dominação dos elementos da natureza na obra. Estou curioso para saber como ela irá descrever a dominação dos próximos elementos.  
                Algo que eu não entendi e talvez tenha passado despercebido por mim: o por que da raça de Guillian, os Atyubru (leia-se Atiubru) não terem condenado a ele e o pai dele à traição máxima, depois que descobriram que Guillian ainda estava vivo após a encenação de sua sentença de morte. A única medida tomada pela raça foi que Guillian não participaria da batalha contra os Amaldiçoados. Pode ser que a explicação esteja no próprio livro ou venha nos próximos volumes da série, não sei, fica aqui registrada minha dúvida.
                O que se destacou na trama foi o fato de Serafine ser completamente inexperiente em tudo. Uma característica comum a alguns livros e filmes que trazem a ideia de profecias e escolhidos são personagens que num dia são apenas pessoas “comuns”, sem expectativa de grandeza ou de mudança de vida, e no outro dia já são salvadores do universo, com técnicas e poderes que eles nem sonhavam que tinham. Geralmente, esses personagens se tornam rapidamente capazes de controlar os poderes ou habilidades que adquirem com tanta perfeição que fica parecendo que transplantaram as informações para seus cérebros. É o caso de Neo na trilogia de filmes “Matrix”. Não é o caso de Serafine. Ela é destinada a salvar o mundo, mas nada disso acontecerá da noite para o dia. Mesmo com os espíritos a seu lado, a garota leva semanas para aprender uma única lição e mesmo assim em raras ocasiões a executa com perfeição. Ela está em quase todas as ocasiões sendo auxiliada por seus guardiões e mesmo confrontando inimigos aos quais só ela pode fazer frente, necessita da ajuda de forças externas para vencer. Isso mostra a evolução da personagem como heroína e podemos conferir na narrativa passo a passo como ela tenta aprender a controlar seus poderes e habilidades.
                A obra é narrada em terceira pessoa, com foco na personagem Serafine. Em pouquíssimos momentos não vemos a jovem sendo o centro das atenções. A autora usa de linguagem simples e de fácil compreensão, deixando as palavras difíceis, por assim dizer, a cargo do nome dos personagens. Ela usa e abusa de acentos e da letra “Y” para dar um toque mais medieval aos habitantes de Warthia (leia-se Vártia). A construção dos outros personagens se entrelaça com a construção da própria Serafine. À medida que a jovem descobre sobre seu destino, sua curiosidade característica a faz querer saber sobre o passado dos demais personagens da trama. Com exceção do prólogo, toda a narrativa é linear, apresentando em ordem cronológica a evolução da trama. A revisão é excelente, tirando um erro ou dois, o livro está bem revisado. Faltaram alguns pausas textuais para que o leitor identifique quando a narrativa avançou ou mudou o foco, principalmente no que diz respeito à mudança de tempo na trama. A diagramação é excelente. Cada capítulo apresenta no canto superior direito o desenho de um Sol, ilustração importante na trama. Na capa, o desenho de uma Fênix faz conexão direta com o que se passa na obra. A narrativa é bem fluida, em algumas poucas ocasiões ela fica rápida demais, como se a autora quisesse chegar logo na parte que interessa na passagem do capítulo. Há um Glossário no final do livro para orientar os leitores com a pronúncia dos nomes (um item muito bem-vindo, diga-se de passagem) e um pequeno dicionário com o significado de algumas palavras antigas do mundo de Warthia.
                Denise Flaibam, jovem nome da literatura nacional, se apaixonou por histórias de fantasia quando foi apresentada a “Harry Potter”. Quis lutar em batalhas medievais quando conheceu “O Senhor dos Anéis” e sonhou viajar para terras místicas ao ler “As Crônicas de Narnia”. Nascida em 1995, mora em Morungaba, cidade no interior de São Paulo. Sonhava se tornar escritora e ver suas obras enfeitando dezenas de estantes. Inspirada principalmente por histórias épicas como as de Rowling, Tolkien e Lewis, onde a magia a arrastou para tantos universos fantásticos, decidiu inventar o seu próprio mundo de aventura e fantasia. Mergulhou fundo na construção de Warthia aos onze anos de idade. Aos dezessete lançou o primeiro livro de sua criação: “A Profecia de Mídria”, da quadrilogia “Os Mistérios de Warthia”.
              A autora tem um futuro promissor como escritora. “Os Mistérios de Warthia”, seu livro de estreia, é uma preparação para algo grandioso que ainda está por vir.  Assim como Serafine, Denise é uma boa aprendiz dos grandes mestres da fantasia.
                Esta obra é para os leitores que, assim como ela, se aventuram em mundos medievais e mágicos.


Bibliografia de Denise Flaibam (ordem cronológica):

Livros
  • Os mistérios de Warthia: A Profecia de Mídria – Novo Século (2013).


Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Eu já conhecia o livro, ele sempre estava por 9,90 na Saraiva Online *-*
    Vou participar do sorteio do livro, sou um amante da literatura nacional. ;-)

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  2. Netinho, desejamos a vc boa sorte no sorteio ^_^

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