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10/02/2015

RESENHA - Assassin's Creed: Unity (Oliver Bowden)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: BOWDEN, Oliver. Assassin’s Creed – Unity. Rio de Janeiro, Galera Record, 2014. Tradução: Ryta Vinagre. 1ª edição, 362 páginas.
Gênero: Ficção, Aventura, Fantasia Histórica.
Temas: Ordem dos Templários; Revolução Francesa.
Categoria: Literatura estrangeira; Literatura Inglesa.
Ano de lançamento: 2014 na Grã-Bretanha; 2014 no Brasil.
Série: Assassin’s Creed – Renascença (Livro 1); Assassin’s Creed – Irmandade (Livro 2); Assassin’s Creed – A cruzada secreta (Livro 3); Assassin’s Creed – Revelações (Livro 4); Assassin’s Creed – Renegado (Livro 5); Assassin’s Creed – Bandeira negra (Livro6); Assassin’s Creed – Unity (Livro 7).










“Ele emitiu um som, algo parecido com boac,e senti seu braço descer, depois vi o lampejo de uma lâmina enquanto minha mãe aproveitava a vantagem e impelia bem fundo a faca de bota na barriga do homem, empurrando-o contra a parede da viela e, com um leve grunhido de esforço, impulsionando a lâmina para cima, e em seguida agastando-se rapidamente enquanto a frente da camisa do homem escurecia com o sangue e se avolumava devido às entranhas derramadas, o homem escorregando ao chão.
Ela aprumou o corpo para enfrentar um segundo ataque do médico, mas só o que vimos foi a capa dele enquanto dava meia-volta e corria, abandonando a viela e fugindo para a rua.
Minha mãe segurou meu braço.
- Venha, Élise, antes que você suje os sapatos de sangue.”
*Assassin’s Creed Unity (pág. 34-35).


Paris.
O Caos tomou conta da cidade que outrora era conhecida como Cidade Luz. Mergulhada numa era de escuridão e terror, em uma época que no futuro seria conhecida nos livros de história como a Revolução Francesa.
Em um período que a divisão entre ricos e pobres se transforma em um abismo praticamente intransponível e uma nação inteira cai de joelhos sob os desmandos de seus líderes, dois jovens, irmãos de coração – Arno Dorian e Élise de La Serre –, se unem na luta para trazer à justiça os assassinos do pai da moça. Em meio a isso, Élise tem de lidar com a responsabilidade de ser a próxima Grã Mestra Templária, além de tentar “converter” seu grande amigo e amor secreto Arno a sua causa, pois ela logo descobre que ele é filho de um Assassino.
Muitas intrigas permeiam a vida da jovem que logo se vê lançada no jogo de maquinações e batalhas envolvendo não só a guerra entre Templários e Assassinos, mas também conspirações internas, batalhas por poder dentro da própria ordem.
E no meio de tudo isso a pergunta: será que um dia existirá trégua entre as duas ordens?
Oliver Bowden traz para as páginas dos livros mais uma adaptação da saga Assassin's Creed. O livro começa com um trecho do diário de Arno, onde ele relata que está em posse do diário de Élise. A obra em si é um retorno ao passado da jovem, onde ela relata toda a sua vida em seu diário, desde pequena. E essa foi a minha primeira “decepção” no livro. Isso porque eu esperava encontrar uma história focada em Arno, como no jogo. (fiquei sabendo que em Assassin's Creed - Renegado e A Cruzada secreta são narrados por terceiros, mas ainda não pude avaliar as obras). A mudança foi significativa e dei um voto de confiança, afinal, estava para conhecer o outro lado da moeda: o lado dos Templários.  
Élise descobre sobre seu destino aos oito anos de idade, após ela e sua mãe, Julia de la Serre, serem alvos de uma tentativa de assassinato. Ambas escapam e a partir daí Élise é treinada por Freddie Weatherall, Templário amigo de Julie, para um dia suceder seu pai, François de la Serre, Grão-Mestre Templário e pai da jovem.
Até aí tudo bem. Esperava que os pais da garota e seu tutor ensinassem a ela (e aos leitores) a filosofia dos Templários e seus dogmas. Essa foi minha segunda decepção. Julie é acometida por uma doença misteriosa e acaba por falecer pouco tempo depois, seu pai se afunda em reuniões com outros membros da ordem e no treinamento de Arno (este que por eventos narrados rapidamente no livro, acaba virando parte da família dos de la Serre na infância) para transformá-lo em um Templário. Élise é meio que esquecida e enviada a uma escola para meninas, a fim de completar seus estudos (sem a parte em que ela será um dia a líder dos Templários Franceses).
                Anos se passaram e uma Élise mais velha surge para continuar narrando a história e agora ela parte em busca do homem que tentou matá-la há tantos anos. A partir desse ponto o livro começa a se arrastar em uma perseguição ferrenha de Élise a seu antigo algoz em busca de respostas. O que poderia ser um ponto forte do livro, acabou por fazer a leitura ficar cansativa, pois o único objetivo dela é encontrar o homem e nada mais. Nada de ensinamentos Templários e muito menos inimigos Assassinos pelo caminho.
                Ao passo que finalmente Élise começa a entender o que está acontecendo a sua volta (depois de cair em uma armadilha), outras perguntas sem respostas surgem na obra e esse talvez seja o ponto mais forte da mesma. Os Templários, em todos os jogos/livros são retratados como homens e mulheres que buscam Status. Enquanto os Assassinos se mesclam na multidão, os Templários ocupam cargos de muito poder e prestigio. E em Unity não é diferente. Grande parte dos altos cargos da corte de Paris era ocupada por um membro da Ordem dos Templários e isso facilitava o uso da maior arma da Ordem: intrigas. Os Templários são mestres no uso de intrigas, maquinações, chantagens e mais uma porção de outros meios para chegar em seus objetivos sem sujar as mãos.
                Élise compreende isso da pior maneira possível ao ser traída pela própria Ordem que deveria governar. O que antes era um desejo de descobrir respostas, acabou transformando-se em puro desejo de vingança e nada mais. Disposta a morrer por isso, Élise abandona todo o seu destino como Templária, fazendo com que a obra seja mais uma caçada de gato e rato do que uma batalha secular entre Assassinos e Templários. E isso faz com que Élise perca o pouco de carisma que ela tinha. Ezio e Edward, por exemplo, tinham seus próprios desejos de vingança, mas isso de forma alguma os tornou obsessivos a ponto de abandonar tudo o que construíram por isso. Por só pensar em vingança, a personagem ficava cada vez mais enfadonha e sem graça. Apenas quando Arno aparecia era que a garota recuperava um pouco do seu passado e do seu desejo de um dia ter uma vida normal.
                Vale lembrar que a serie é uma verdadeira aula de história. Personagens baseados em pessoas reais tomam partido na luta entre Templários e Assassinos, cada qual escolhendo um lado para lugar. Personalidades tais como Maximilien de Robespierre, Honoré Gabriel Riqueti e François Thomas Germain. Outros como Napoleão e o Marquês de Sade aparecem apenas para Arno. Além disso, o livro traz uma conexão com alguns fatos narrados em Assassin's Creed - Renegado e Bandeira negra (resenha aqui), trazendo à tona algumas respostas para questões anteriormente não respondidas. Porém o autor em alguns pontos falha em conectar as duas histórias e alguns fatos são quase que jogados de qualquer jeito na trama, fazendo com que o livro acabe por se tornar mais um complemento do jogo do que um ponto de vista completamente novo ou um olhar escrito do que foi inserido no jogo (como em Bandeira Negra).
A obra é toda narrada em primeira pessoa, em forma de diário. Ela é vista sob o olhar de Élise, mas há trechos do diário de Arno, que faz alguns comentários sobre o que está escrito nas páginas da moça usando seu próprio diário. A fluidez infelizmente não é tranquila, pois há muitos sinônimos no livro e algumas palavras em Francês (sem tradução para o português), fazendo com que leitores mais curiosos tenham de parar a leitura para descobrir o que foi escrito. Como dito antes, o livro é em forma de diário, indo e vindo entre o passado (diário de Élise) e algum momento futuro (diário de Arno). Como o livro é em primeira pessoa, personagens secundários são apresentados e descritos pela ótica de Élise e isso faz alguns deles “surgirem e desaparecerem” de uma hora para outra, pois como visto em outros títulos, os acontecimentos se passam acelerados, com eventos que ocorrem de um dia para o outro ou perduram por vários meses ou anos. Há uma lista dos personagens no final do livro, que pode ajudar o leitor a se lembrar de pessoas que ficam esquecidas no decorrer da obra. A revisão está ótima, quase não vi erros de ortografia. Cada capítulo é separado por datas de registro, sendo essas essenciais para que o leitor não se perca na linha cronológica que Élise escreve seus relatos. A capa é uma das mais bonitas da série (em minha opinião, só perde para a capa de Assassin’s Creed – Bandeira Negra), e mostra Élise com sua arma pessoal, dada por sua mãe, e uma pistola, logo atrás dela está Arno com uma espécie de mini- besta, arma muito usada pelos Assassinos da época (além, claro, da eterna lâmina oculta). Ao fundo, nublado por fumaça, vemos uma Paris tomada pelo caos e destruição.
A série  “Assassin’s Creed” foi transportada para as páginas por Oliver Bowden, um dos pseudônimos utilizado pelo historiador, escritor e gamer Anton Gill, que também adota o pseudônimo Ray Evans. Filho de mãe inglesa e pai alemão, este inglês nasceu em Ilford, Essex  no ano de 1948. Especialista na História Renascentista, Gill já escreveu muitos títulos entre ficção e não-ficção. Antes de dedicar-se à literatura e a história, Anton Gill trabalhou no Royal Court Theatre, em Londres, no Conselho de Artes e também na TV BBC. Casado, vive em Paris, França, com a mulher.
O livro traz uma nova perspectiva dos acontecimentos narrados no game de mesmo nome lançado pela Ubisoft (empresa de jogos eletrônicos). Então, para os que puderam jogar, recomendo este livro como um complemento da história do envolvimento de Arno e Élise. Para aqueles que acompanham a série desde o início, essa é uma leitura quase que obrigatória, por continuar a história da batalha de Assassinos e Templários depois dos eventos de Assassin’s Creed – Renegado. Para os novatos, recomendo que procurem ler primeiro outros títulos da saga, pois não há no livro explicações detalhadas sobre a rixa de Assassinos e Templários. Com certeza os amantes de história vão adorar passear pelos eventos históricos narrados no livro, como a queda da Bastilha e a condenação do Rei à guilhotina.
Mesmo com alguns pontos negativos (tanto no livro quanto no jogo), Assassin’s Creed - Unity ainda é uma grande obra e merece ser lida e apreciada por todos os entusiastas do gênero.




Bibliografia de Oliver Bowden (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil pelo pseudônimo Oliver Bowden):


  • Assassin s Creed: Renascença - Editora Record (2011);
  • Assassin s Creed: Irmandade - Editora Record (2012);
  • Assassin s Creed: A cruzada secreta - Editora Record (2012);
  • Assassin s Creed: Renegado - Editora Record (2013);
  • Assassin s Creed: Revelações - Editora Record (2013);
  • Assassin`s Creed: Bandeira negra - Editora Record (2013);
  • Assassin’s Creed: Unity - Editora Record (2014).


Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Eu aceito o livro e o game de presente! ^^

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  2. kkkkkkkkkkkk eu to aceitando o game, junto com um X-box One rsrs

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  3. Sou curiosa com essa série... quem sabe um dia eu leia

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  4. Cara, se pelo o que eu li de sua resenha, o livro na verdade "complementa" o jogo, então deve ser parecido com o Renegado, que complementa o jogo.

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