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05/05/2015

RESENHA - Silo (Hugh Howey)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: HOWEY, Hugh. Silo. 1ª edição. Rio de Janeiro, Intrínseca, 2014. 512 páginas.
Gênero: Distopia.
Temas: Apocalipse, mistério, sobrevivência.
Categoria: Literatura Estrangeira, Literatura Norte-Americana.
Ano de lançamento: 2013 nos Estados Unidos; 2014 no Brasil.
Série: Silo (Livro 1); Ordem (Livro 2).














“Holston olhou para seus arquivos. Fazia cinco anos desde que a última pessoa tinha sido mandada para a limpeza. A vista do exterior estava ficando pior a cada dia, e ele, como xerife, sentia-se pressionado a encontrar alguém. A pressão aumentava, como vapor se acumulando no silo, pronta para explodir. As pessoas ficavam nervosas quando achavam que o momento estava chegando. Era como um ciclo vicioso: o nervosismo finalmente levava a melhor sobre alguém e então a pessoa dizia ou fazia algo errado, e aí acabava em uma cela, assistindo a seu último pôr do sol embaçado.
Holston examinou as pastas ao redor, desejando que houvesse algo nelas. Ele condenaria um homem à morte no dia seguinte se isso fosse significar o fim daquela tensão. Sua esposa estava se aproximando de alguma coisa explosiva, e Holston queria evitar o estouro antes que ela fosse longe demais.”
*Silo (pág. 23 e 24).


O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo?
Se sua vida dependesse de seguir regras rígidas, quase tirânicas, onde o simples fato de desejar a liberdade pode te condenar à morte?
          E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade?
            Essa é a história de Juliette.
Esse é o mundo do Silo.
Silo, obra escrita pelo autor Hugh Howey narra a história de Juliette, uma mecânica residente dos níveis mais inferiores do Silo. O mundo criado por Hugh mostra um cenário futurista pós-apocalíptico: a terra é um mundo dominado por toxinas mortais. Um ambiente hostil onde nenhum tipo de vida sobrevive. Os humanos, sobreviventes da catástrofe, foram abrigados em um gigantesco complexo chamado Silo, onde uma grande comunidade vive sob regras rígidas. A construção é basicamente um enorme prédio, só que enterrado no chão, com 144 níveis de profundidade, dividido em 3 seções de 48 andares com escadas estreitas ligando os andares. Os cidadãos são divididos em camadas e cada um exerce uma função especifica por toda a vida. Temos desde o representante máximo – o prefeito –, os técnicos intermediários da tecnologia e os mecânicos dos níveis inferiores.
No início somos apresentados a Holston, o Xerife do Silo. Sua história é marcada por perdas e dúvidas que o fazem tomar uma decisão que o sentenciaria à morte: ele pediu para sair.
No Silo, quando uma pessoa expressa seu desejo de liberdade, é condenada à limpeza, que nada mais é do que uma sentença de morte. O procedimento é realizado da seguinte forma: a pessoa condenada veste uma roupa especial, própria para que ela consiga sobreviver do lado de fora do Silo. Uma vez lá fora, a pessoa limpa as câmeras que mostram do lado de dentro como está o ambiente lá fora. Minutos depois o traje não suporta a pressão e se rompe, matando a pessoa.  
Sempre que uma pessoa é enviada para fazer a limpeza, os residentes do Silo vão até o primeiro andar para conferir com seus próprios olhos se o mundo lá fora mudou, nem que fosse só um pouco. Essa checagem é uma espécie de ritual, uma forma de evitar que enlouqueçam e uma forma de mostrar que existe algo além do sufocante confinamento que é o Silo, para então voltarem às suas casas cientes de que tudo permanece igual. Então surge a pergunta que todos fazem a si mesmos, mas ninguém jamais obteve a resposta: porque todos fazem a limpeza, mesmo quando afirmam que não o farão?
Com a morte de Holston, a prefeita Jahns precisa de um novo Xerife. Aí que a história de Juliette começa.


Impressionante, é o que eu tenho a dizer sobre essa obra. O autor criou todo um universo dentro de um prédio subterrâneo. Suas descrições são riquíssimas em detalhes, proporcionando uma imersão tão completa que às vezes parece que você se sente confinado no mesmo mundo que os personagens. A sensação de claustrofobia é constante e quase palpável.
Imaginem nascer, viver e morrer confinado, sem nunca, jamais poder sair dos limites que o Silo impõe. Para nós é algo assustador, mas para quem não sabe o que é o mar, o que é uma floresta, um lago ou mesmo uma cidade, o Silo é tudo o que as pessoas podem chamar de lar e todo o resto é apenas morte certa. Imaginem viver em um mundo onde uma criança só nasce se alguém morre e pior ainda, casais só podem ter filhos se conseguirem ganhar na loteria (sim, do mesmo modo que a Mega-Sena). Imaginem viver em um complexo tão enorme que para que uma pessoa vá do primeiro andar até o último sejam necessários de dois a três dias para fazer o percurso. Imaginem viver em um lugar onde não existem livros e o papel é um item caríssimo. Onde você precisa pagar para enviar uma simples mensagem em computador e o valor sobe a cada letra inserida. E imaginem viver num mundo onde o simples fato de desejar a liberdade pode te condenar a morte. Tudo isso é Silo.
Curioso notar o quanto o ser humano pode estar próximo dessa realidade. Vivemos uma época em que se fala muito em aquecimento global, destruição do meio ambiente, falta de água. O universo criado pelo autor não está tão distante assim da nossa realidade e isso faz com que o leitor veja e perceba que por mais que a história se trate de uma ficção, ela pode sim num futuro ser a realidade da raça humana.


A trama da obra é muito bem construída. Os personagens são cativantes, as intrigas são muito bem elaboradas, as mentiras são bem exploradas, as verdades são cruéis ao ponto de pensarmos “e se fosse comigo”, as reviravoltas então, são de cair o queixo. O leitor, à medida que a história avança, fica tenso e aflito com tudo que está acontecendo e acaba por sofrer junto aos personagens, muito pelo fato de que a história pode sim vir a se tornar uma realidade para nós.
 A obra é narrada em terceira pessoa. A fluidez da narrativa é tranquila no que diz respeito às palavras usadas. O que pega mesmo são as descrições usadas pelo autor. Imaginar um mundo como o Silo é um trabalho desafiador para algumas mentes. Isso não é um ponto fraco na obra, de forma alguma! Só que o leitor pode perder muitos minutos imaginando certas estruturas descritas pelo autor. Acredito que vale a pena a viagem. A narrativa é truncada, apresentando pontos de vista de mais de um personagem, embora a personagem central da história seja Juliette. Os personagens são muito bem construídos e apesar de serem muitos, cada um desempenha um papel que se encaixa dentro da trama perfeitamente. Agora, o ponto negativo vai para a revisão. Há alguns erros de ortografia e formatação na obra. O pior mesmo são os erros de concordância. O pessoal responsável pela tradução não tomou o devido cuidado em certos trechos, porém nada disso desmerece o quão épico é essa publicação. A arte na capa é bem trabalhada, passando a ideia (ao menos para mim) de que foi corroída pelo tempo e precisa de uma limpeza. O livro é dividido em 5 partes, contendo vários capítulos, alguns bem curtos, proporcionando uma leitura mais ágil e menos desgastante aos leitores que adoram “ler só mais um capítulo”.
Hugh Howey nasceu em 1975 na Carolina do Norte, passou alguns anos vivendo em um barco e, mais tarde, trabalhando como capitão de iate. Foi durante uma viagem que conheceu a esposa, que o convenceu a baixar âncora e comprar uma casa. Ele escreveu “Silo” enquanto trabalhava em uma livraria, dedicando ao manuscrito suas manhãs e as horas de almoço ao longo de quase três anos. Originalmente publicado em e-book de forma independente, “Silo”  teve sucesso repentino, e foi após ouvir pedidos dos leitores que Howey resolveu desenvolver e aprofundar a narrativa. O livro entrou na lista de best-sellers da Amazon e do The New York Times, e a história de seu sucesso foi destaque em veículos como Entertainment Weekly, Variety e Deadline Hollywood. Atualmente, Howey mora em Jupiter, na Flórida, com a esposa, Amber, e a cadela, Bella.
Como já afirmei antes, “Silo” é uma das mais impressionantes obras que retratam o mundo pós-apocalíptico que eu já li. É leitura obrigatória para os fãs do gênero. Recomendo também para os curiosos que desejam saber como poderia ser um mundo pós-apocalíptico. Às leitoras de plantão, Juliette é uma personagem forte, decidida, carismática e inteligente e, provavelmente, irá agradá-las. E claro, aos que gostam de perder o fôlego com descrições detalhadas e uma trama envolvente. “Silo” é para todos vocês.
Hugh Howey criou um universo riquíssimo em detalhes que não deixa a desejar em momento algum. O autor ainda deixou muitas perguntas em aberto que certamente farão os leitores irem atrás do segundo volume da série: “Ordem”.
Já considero Silo uma das melhores obras que eu li esse ano. Aproveitem a leitura e muito cuidado com o que pensam; vocês podem ser os próximos a realizarem a limpeza.


Bibliografia de HUGH HOWEY (ordem cronológica):

Livros:

  • Silo – Editora Intrínseca (2014).
  • Ordem – Editora Intrínseca (2015).

Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Oi Luciano, tudo bem?
    Tenho muuuuita vontade de ler esta distopia que todos falam tão bem!
    Gosto quando o autor sabe conduzir bem a trama e o Hugh soube fazer isso com maestria né?
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

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    1. Oi Angelica. Tudo ótimo.
      Faz demais. Tinha horas que eu não conseguia parar de ler, tamanha era a tensão imposta na obra pelo autor. Vale apena ;)

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  2. poxa, ganhei esse livro numa promoção e até agora não li. fiquei com vergonha de mim agora xD
    Pelo jeito, a história é maravilhosa, assim que puder vou ler.
    Deve ser tenso viver num prédio assim, só pelas questões que tu levantou já fiquei aflita em me colocar no lugar dos personagens do livro xD
    Como assim viver num mundo sem livros? que ORROOR

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    1. Viver num mundo sem livros seria muito complexo viu rsrs
      Vale muito a pena. Se você curte distopia, vai adorar.

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