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15/03/2016

RESENHA - Hellraiser (Clive Barker)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: BARKER, Clive. Hellraiser: Renascido do Inferno. 1ª edição. Rio de Janeiro, DarkSide Books, 2015. Tradução: Alexandre Callari. 160 páginas.
Gênero: Terror
Temas: Morte, sexo, traição, violência.
Categoria: Literatura Estrangeira; literatura norte-americana
Ano de lançamento: 2015










“Kircher tinha mentido – ou isso ou ele também fora horrivelmente enganado. Não via prazer no ar; ou pelo menos, não como a humanidade o entendia.
Ele cometera um erro ao abrir a caixa de Lemarchand. Um erro terrível.
- Oh, então você parou de sonhar? – perguntou a Cenobita, estudando-o, ao que ele permanecia ofegante sobre as tábuas nuas. – Bom.
Ela se levantou. As línguas caíram no chão como uma chuva de vermes.
- Agora podemos começar – ela disse”
*Hellraiser - Renascido do Inferno (pág. 26).

                 
Até onde a curiosidade pode levar o ser humano? Quais são os limites dos desejos carnais, dos amores proibidos, das dores físicas e mentais? O que nos motiva a buscar o desconhecido, mesmo sabendo que, muitas vezes, a ignorância é uma bênção? Às vezes, nossos maiores desejos e anseios são capazes de destruir vidas.
                Um simples clique poderia mudar o destino das pessoas.
Os Sinos tocam.
Os Cenobitas estão a caminho.
Não sou um entusiasta ferrenho de histórias de terror. Daqueles que fazem coleções enormes de filmes, livros, HQs e coisas assim. Gosto do gênero. Já vi muitos filmes, li alguns livros. Jason, Chuck e Freddy Krueger são os personagens que mais marcaram minhas noites (leia-se pesadelos) infantis. Com isso tento justificar a ausência dos Cenobitas no meu Hall de “ídolos das trevas”. Apesar de já ter ouvido muito falar do filme e já tê-lo visto várias vezes na sessão terror das locadoras, era um título que não me chamava atenção e francamente, não sei por que. 

A configuração do lamento. Cuidado com os cubos mágicos que vocês ficam tentando devendar por ai

Hellraiser conta a história de um homem chamado Frank que adquiriu em uma de suas viagens a Caixa de Lemarchand (conhecida por aqui como Configuração do Lamento). Conta-se que a pessoa que resolver seu enigma, terá a chance de se encontrar com os seres denominados Cenobitas, teólogos de uma ordem chamada Gash. Frank os queria pois descobriu que eles poderiam dar a ele algo que desejava, mas que não mais conseguia obter pelos meios mundanos: prazer além dos limites. Depois de finalmente desvendar o enigma, Frank se vê frente aos horrendos Cenobitas, criaturas vindas de dimensões além da realidade, que segundo a lenda, poderiam dar a seus invocadores uma eternidade de prazeres além de qualquer compreensão da humanidade. Porém, havia um preço a se pagar: a alma. Frank logo descobriu que seu conceito de prazer era completamente diferente do conceito dos Cenobitas. O arrependimento, porém, chegou tarde demais.

Ele cometera um erro ao abrir a caixa de Lamarchand. Um erro terrível.
- Oh, então você parou de sonhar? – Perguntou a Cenobita, estudando-o, ao que ele permanecia ofegante sobre as tábuas nuas. – Bom.
Ela se levantou. As línguas caíram no chão como uma chuva de vermes.
- Agora podemos começar – ela disse.
Hellraiser - Renascido do Inferno (pág. 26)

 Algum tempo depois, Rory, o irmão de Frank, se muda com sua esposa Julia para a casa de sua avó. Ele não tinha notícia do irmão desde que se casara com sua esposa e os dois foram tentar a vida naquela casa. Porém, coisas estranhas começam a acontecer e o que era para ser uma vida feliz, se transformaria no maior pesadelo de suas vidas.

O horrendo Cenobita. 

Sendo bem sincero, esperava mais. Hellraiser infelizmente é um pouco previsível (sorry Barker). Não conta com muitas reviravoltas e os grandes Antagonistas, os Cenobitas, mal dão as caras no livro. Talvez por estar empolgado em adquirir meu exemplar do livro, e a vontade de conhecer esse novo universo, creio que fui com muita sede ao pote. Muitas coisas no livro são muito clichê e quase me desanimaram na leitura. As motivações de Frank, embora sejam críveis (um cara em busca de prazer carnal), não dão muita sustentação à narrativa. Pior ainda são as de Julia, que atende cegamente a seus impulsos por conta de seus desejos proibidos. Não sei, na minha opinião faltou um up na história. Alguma espécie de “motivação maior” para manter as engrenagens da narrativa rodando a todo vapor. Porém, engana-se quem pensa que o livro deve ser menosprezado. O universo e todo o contexto que o autor cria por trás dos Cenobitas é sensacional. E eles nos fazem refletir sobre os limites dos nossos desejos, do amor, do prazer e da dor. E Hellraiser é livro reto, sem embromação, censura e sem lições positivas a seus leitores. Do jeito que um bom terror deve ser. Hellraiser pode ser tudo, menos positivo. E esse talvez seja o motivo da obra figurar entre os grandes clássicos do terror (muito se dá pelo filme também, mas como não o vi ainda, isso será história para outro post).

Da forma como foi, eles trouxeram sofrimento incalculável. Eles o inundaram com tanta sensualidade que sua mente oscilou entre a loucura, então, o iniciaram em experiências que faziam seus nervos convulsionarem só de lembrar. Eles chamavam aquilo de prazer e, talvez, estivessem falando sério.
                                                               Hellraiser - Renascido do Inferno (pág. 64)

O livro é narrado em terceira pessoa. O foco da narrativa se concentra não nos personagens em si, mas no cenário. Boa parte do livro se passa dentro da casa que Rory e Julia moram. A narrativa é um pouco rebuscada. Algumas palavras e termos são mais “complexos”, o que pode exigir do leitor um dicionário por perto. Fora isso, a fluidez da narrativa é rápida e sem muitos rodeios. Ao passo que a história avança, vamos conhecendo melhor os personagens centrais da história, bem como suas motivações e anseios. O medo e a loucura são características muito bem exploradas pelo autor na construção dos personagens, embora o clichê esteja presente em quase todos eles. A relação do tempo é truncada, com passagens de narrativa no passado, recurso usado para contar um pouco da história dos personagens, principalmente a de Frank. A revisão e a formatação estão maravilhosas, a capa então! A Darkside ganhou a fama de criar diagramações tão sensacionais que dá vontade de comprar o livro só para ter ele em destaque na estante da sala, para todo mundo ver a maravilha que são os livros da editora. E por fim, as ilustrações. Quem não viu o filme e não consegue imaginar como são os Cenobitas, algumas páginas desse livro podem te ajudar.

Foto e ilustração de um dos Cenobitas ao final do livro.
Clive Barker (Liverpool, 5 de outubro de 1952) é um escritor, produtor de cinema, pintor e dramaturgo inglês. Clive Barker escreve o que costuma descrever como literatura fantástica e horror. Em 2007 concluiu seu trabalho no game "Jericho". Neste momento vive em Los Angeles com o seu marido David Armstrong.
Clive Barker imortalizou os Cenobitas como ícones do terror, ao lado de figurões como Jason, Freddy, Chuck e tantos outros que fizeram o medo nos acompanhar pelos cantos mais obscuros de nossas mentes. Recomendo o livro para esses entusiastas, que adoram um bom terror das antigas. Recomendo também aos curiosos que desejam conhecer o trabalho de Barker. Não posso deixar de recomendar aos colecionadores. Alguns livros da Darkside são tão bem trabalhados que dispensam apresentações (outro bom exemplo é o livro Exterminador do Futuro). Aos de coração fraco, um aviso: o livro tem cenas fortíssimas de violência explícita. As descrições tétricas do autor tornam tudo ainda mais “palpável”.
Se ouvirem um sino soar em suas mentes, rezem para que tenha alguma igreja perto de suas residências.
Caso contrário, saiba que os Cenobitas estão a caminho.


Bibliografia de CLIVE BARKER (ordem cronológica):

Livros:
  •      Hellraiser – Darkside Books (2015).


Lista dos outros livros publicados pelo autor pode ser encontrada no seu perfil no Skoob

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Comentários
12 Comentários

12 comentários:

  1. Tive vontade de ler por curiosidade, mas confesso que não quero muito mais não...
    Acho que não iria ser tudo o que pensei dele inicialmente e vendo a resenha me deu um certo desânimo :S
    Se tiver tanta coisa clichê assim acho que iria me irritar =/

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    1. Recomendo só se você for fã mesmo de Terror Cristiane.
      Beijosss

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  2. Luciano, estou impressionada com sua resenha. Jamais iria imaginar que Hellraiser fosse abordar tantos momentos fortes e de verdadeiro terror.
    Confesso que do gênero terror eu passo longe, e este não será diferente, apesar da edição ser linda e desejarmos possui-lo. Mas foi ótimo ler sua resenha!
    Bjs!!

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    1. Obrigado! Que bom que você gostou da resenha!
      Beijosss

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  3. Não sou nem um pouco fã de terror, para dizer a verdade, morro de medo. Mas medo mesmo, não é uma coisa bobinha de frescura é aquela coisa incontrolável, que o coração acelera e que você fica tão impressionado com tudo que não consegue nem pregar o olho a noite. Essa sou eu com terror, não vejo/leio porque tenho uma memória de medo que é mais forte que eu
    Hahahahaha
    Achei sua resenha bem interessante, mas não vou chegar nem perto dele xD
    Dos outros ícone que você citou eu já tinha ouvido falar, mas agora Cenobitas nunca nem passou perto do vocabulário :x
    Se um dia eu superar esse trauma, posso até me aventurar... Mas acho que iria atrás do tio King por motivos de: ele é rei Hahahahaha

    Beijos!

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    1. Imagino Ana. A Helkem é bem parecida com você nesse ponto rs
      Verdade, King é o Rei!
      Beijosss

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  4. Já conheço o livro e tenho bastante curiosidade em ler, por não ler muitos livros de terror esse foi meu escolhido. Como sempre a editora Darkside está de parabéns por mais uma edição maravilhosa, pena que tu não tenha gostado tanto assim do livro.

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    1. Pois é Emanoelle. Não funcionou para mim. Mas vai que você curte o livro mais que eu. Recomendo ele mesmo não tendo curtido tanto.
      Beijosss

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  5. Oi!
    Já tinha visto esse livro antes mas é a primeira resenha que leio e gostei muito alguns pontos do livro me surpreendendo pois não esperava mas esse não é um livro que irei ler pois geralmente fujo do gênero terror pois sou bem medrosa !!

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    1. Caso leia, me conte o que achou Suzana!
      Beijosss

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  6. Sou bem curioso para ler esse livro, mas a narrativa ser um pouco complexa e clichê em alguns momentos confesso que me afasta um pouco do interesse. Mesmo assim, a edição está linda e a premissa é muito boa! Abraços :)

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  7. É uma pena saber que o livro é previsivel, mas muitos livros de terror o são, infelizmente. Eu não pretendo ler, pq terror com espiritos assim e tal não é algo que me agrade muito, pelo contrário. Medeixa com muito medo hahahaha

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